domingo, 26 de julho de 2020

Aquele ajuste fino no seu app de corrida


As corridas virtuais, impulsionadas pela pandemia, jamais seriam possíveis sem dispositivos de medição como relógios GPS e smartphones. Mas, e quando o queridinho de muitos corredores, o tradicional Strava, não marca a distância corretamente? Sim, isso tem solução...

Na postagem sobre a Race The Comrades Legends pode até parecer que eu estava louco para falar mal do Strava, mas não é verdade. Como disse antes, sou fã do aplicativo, mas ele já vinha a algum tempo registrando coisas bizarras, como 1 Km em 56 segundos (tipo um jato comercial) e isto estava acabando com a minha paciência. No dia da importante corrida virtual que foi a Comrades Virtual, só por segurança eu fui com um relógio TomTom que marcou corretamente a distância, enquanto a marcação do celular acusava 3 Km a mais. Trocar de aparelho? Instalar outro app? Nada disso.

Pode até parecer post patrocinado, mas a intenção mais uma vez é compartilhar um pouco de conhecimento de corrida com quem acompanha o blog. Sem querer dizer quem é melhor ou pior, entre os aplicativos que registram as passadas pelas ruas, tenho usado o Strava nos últimos tempos, apesar de que peguei o gosto por este tipo de app após anos usando outros como Nike+ e Runtastic. Também não é um texto “mágico” que vai te ensinar truques ou qualquer outra gambiarra, apenas uma compilação dos problema que eu enfrentei e como foi resolvido.

Primeiro, olhe atentamente as figuras abaixo e diga: o que há de errado nelas?

Acredite, estes dois mapas registrados pelo Strava foram feitos através do mesmo aparelho celular, e pasmem, o da esquerda em um dia sem uma única nuvem no céu! Este estágio de “assim não dá” foi atingido quando eu não sabia mais o que fazer para ter uma marcação descente no celular, o que me levou à esta página do próprio fabricante do Strava:

(thank you guys from Strava, excelent tips!)

Desconfiado se estas coisas simples descritas no texto iriam realmente funcionar, experimentei algumas delas no aparelho Samsung que utilizo para correr:
  • “Configurações > Aplicativos > selecione o menu no canto superior direito > Acesso especial > Otimizar o uso da bateria > Todos os aplicativos > DESATIVAR para o Strava.”
  • “Tente usar o aplicativo Strava para gravar por 10 minutos, permitindo-o procurar sinais sem obstruções e mantendo-o completamente imóvel.”
  • “Tente usar um dos aplicativos gratuitos que fornecem informações detalhadas sobre o GPS.”
Anos de trabalho na área de Sistemas da Informação me ensinaram que não se implementa mais de uma correção ao mesmo tempo, mas resolvi seguir estas 3 indicações e ver se a situação melhorava.  A figura da direita ali acima mostra que soluções simples muitas vezes resolvem problemas que parecem sem resposta.

Duvida? Mais um exemplo abaixo:


Caso você esteja tendo problemas com seu smartphone, vale a pena consultar este material do fabricante e tentar seguir estas recomendações. Também é bem possível que algumas dessas dicas resolvam problemas de precisão com outros aplicativos, ou seja, vale a pena tentar.

Mas não importa qual aplicativo, 
todos eles tem uma “kriptonita” difícil de vencer...
...céu nublado, carregado de nuvens, nessa hora 
não tem sinal de satélite que chegue certinho no seu celular!

O que eu realmente gosto no Strava...

... é a função “Beacon”! Não sei se no futuro próximo continuará com este nome, pois algumas mudanças na assinatura foram anunciadas recentemente, mas esta é uma genialidade que eu não me importo de pagar a assinatura anual (menos de R$ 5,00 por mês na média).

Atualmente funciona da seguinte forma: antes de iniciar uma corrida é exibida um controle para que o corredor envie a localização para outros contatos por SMS ou outras ferramentas de mensagem do aparelho celular. Eu prefiro também compartilhar o link do SMS gerado via Whatsapp, de forma a facilitar o acesso.

À medida que a corrida é realizada os dados são carregados na internet e seu contato saberá onde você está, inclusive quanto ainda tem de bateria no seu
celular e quando você finalizar a atividade. Resumindo, qualquer eventualidade será mais fácil de ter ao menos a sua última localização.

Novamente, apesar de eu gostar do Strava o intuito do texto é ajudar os corredores que também o utilizam e que podem estar enfrentando este mesmo tipo de situação.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Comrades Marathon, em sua edição virtual


Nem mesmo a ultramaratona mais famosa do mundo escapou da pandemia, e seguindo a tendência das outas provas afetadas, também foi disputada em formato virtual.

Você já deve estar cansado de ouvir falar de “pandemia”, “isolamento social”, “distanciamento”, mas o que deve realmente deixar o corredor chateado são as expressões “prova adiada” e “prova cancelada”. Quem não tem ou teve uma corrida já inscrita (e paga, é claro) transferida ou cancelada no meio desta bagunça que está o ano de 2020? E como não poderia deixar de ser, a ultramaratona Comrades Marathon, que estaria completando 99 anos de existência neste ano, também teve sua edição cancelada por conta do coronavírus. Planejar e realizar uma viagem à África do Sul, preparar-se durante meses e depois para correr 90 Km em menos de 12 horas com pontos de corte ao longo do percurso, bom, eu sei como é isso na pele, na sola do tênis e no bolso (veja as postagens da minha Comrades 2018 para saber um pouco mais). E faltando um mês para o evento, descobrir que a prova foi cancelada... até eu que não iria neste ano senti a maior tristeza
O dia em que o cancelamento foi
oficialmente anunciado...
no dia que a organização oficializou o cancelamento da edição 95, que aconteceria em 14 de junho. Mais uma prova que foi vítima da pandemia, deixando 27.500 inscritos do mundo todo absolutamente desolados.

...e o novo evento que surge!
Entre regras de transferência para próximas edições para os corredores de outros países, envio de kit para os sul-africanos e muitas reclamações nas redes sociais, a CMA (Comrades Marathon Association) lançou um desafio virtual a ser completado no mesmo dia em que a prova ocorreria. Nos mesmos moldes que as corridas virtuais vêm tomando conta do mundo, o objetivo seria definido com metas de 5, 10, 21, 45 ou 90 Km a serem percorridas pelos corredores em qualquer parte do mundo. Para os sul-africanos inscritos na Comrades cancelada, a participação estaria garantida, mas o convite estava aberto a outros corredores do país com taxas no valor de 150 Rands (menos de USD 10) e para atletas internacionais pelo valor de USD 25. Uma medalha real fazia parte do pacote, prometida para após alguns meses aos que concluíssem a distância escolhida no dia 14/06, e é claro, a possibilidade de comprar uma série de itens colecionáveis com o nome da edição virtual: Race The Comrades Legends, pois fazia alusão que muitas das lendas da prova estariam correndo ao mesmo tempo, e você estaria no mesmo dia enfrentando grandes campeões de todas as épocas.

de 5 a 90 Km, era só escolher o "sabor" do desafio
E quem vai pagar esta quantia para participar de uma prova virtual e sabe-se lá quando ganhar uma medalhinha do evento? Eu te digo: 43.788 inscritos de 103 países, e o país estrangeiro com maior número de participantes... Brasil, com 1.742 corredores! Pelo menos um número que nos orgulha neste momento.


Quando se fala em Comrades, nada é pequeno, nenhum número parece absurdo, afinal, quem se inscreve numa edição real tem 90.184 metros entre a largada e a chegada (na down run). A regra era muito clara: independente do fuso horário, entre 00:00:00 e 23:59:59 do dia 14 o corredor precisaria registrar e comprovar de alguma forma a distância proposta, sendo passível de desclassificação em caso de “maracutaias” ou não comprovação.

fácil, não requer prática nem tampouco habilidade
Como a maioria dos corredores já utiliza relógios GPS, smartphones com aplicativos de corrida e todas as outras parafernálias digitais que medem distâncias, seria fácil cumprir a regra. Minha escolha: 10 Km. Apesar da distância predileta para todos os momentos ser 21 Km (meia maratona), meus treinos de corrida foram reduzidos a horários e dias específicos devido à pandemia, portanto seria arriscado percorrer uma distância destas de uma hora para outra, sem contar na possibilidade de erros dos dispositivos de medição – já falaremos sobre isso.

E o domingo 14 de junho amanheceu nublado em São Paulo, bom para correr, mas péssimo para depender dos satélites que fornecem as marcações aos dispositivos (calma, eu já explico a preocupação!), mas vamos lá assim mesmo. Se o dia estivesse sem nuvens, eu largaria um pouco antes de clarear para lembrar um pouco da Comrades real, pois acredite, quando você larga às 05:30 da manhã e vê aos poucos o sol marcando o contorno das montanhas sul-africanas rodeado por um pelotão de mais de 20 mil atletas, não tem nada mais inesquecível na vida de um corredor. Sem paisagem, mas com parte da tradição: antes da largada uma sequência de músicas e efeitos sonoros anuncia a prova real, entre eles a canção africana Shosholoza e o tema do filme “Carruagens de Fogo”, então vamos colocar estes 2 temas no celular para ouvir na minha “largada”. Quer saber como é esta sensação lá? Veja este vídeo, que coincidentemente é de 2018 (e eu devo estar aí no meio):

créditos: Marathon Whisperer

Era o mínimo que eu podia fazer, agora é concentrar nos 10 Km, que não tem sido minha distância de treino nos últimos 3 meses, desde que o isolamento social acabou com todas as provas de rua em que eu estava inscrito, além de ter me mantido em casa treinando na bike ergométrica durante a semana e treinos curtos nos domingos de madrugada. Também deixei o percurso bem plano, não por questão de velocidade, mas o percurso elevado teria que ser em algumas avenidas com prédios, e sabe como são estes dispositivos de medição... OK, vamos falar deste assunto, já que a única novidade num percurso de 10 Km era correr de máscara.

nem parece que relógio e smartphone estão no mesmo braço!
Sabendo que o aplicativo Strava vinha fazendo certas “stravisses” nos últimos tempos, marcando tempos e trajetos absurdos (motivo de outro post em breve), levei comigo um relógio GPS TomTom Runner, o qual poderia ser o tira-teima, ou o VAR em termos mais atuais, caso o smartphone marcasse alguma bobagem que poderia ser invalidade no registro. Não deu outra, enquanto o relógio marcou direitinho o percurso de 10,83 Km, meu smartphone registrou 14,09 KM, num ritmo alucinado de 05:32 minutos/Km para quem está sem muito treino de corrida.

após carregado, o arquivo GPX já identifica
os dados para validar a corrida
Tanto o site do Strava quanto o MySports do relógio geram um arquivo no formato GPX, que pode ser então carregado para estes sites de corrida virtual, sendo que a “gordurinha” acima da distância proposta é cortada e o tempo final ajustado proporcionalmente, o que me renderia um certificado digital e uma posição na classificação geral do evento virtual:

os resultados aparecem em um painel com os mesmos dados
e formato de uma Comrades real!

mais uma vez, reconhecido pela Comrades!
Nada substitui uma prova de verdade, onde a menor preocupação antes da atual pandemia era ficar longe das pessoas. Na Comrades você nunca está sozinho, seja pelo imenso pelotão ao seu redor, pelo staff a cada 2 Km em enormes mesas com todos tipo de líquidos e guloseimas ou pela torcida ao longo de todo (sim, todo) o trajeto. Mas é o que temos para o momento, e o fato de estarmos com saúde suficiente para um evento virtual nestes moldes, já é mais do que um motivo para se sentir um felizardo.

Polly Shorts ou Cowies Hill?
antes fosse, são apenas as subidas da Zona Norte de São Paulo
diminuindo (ainda mais) a minha velocidade...
Algum dia esta medalha vai chegar, e será recebida com alegria. Enquanto isso, o site com o resultado fez uma comparação que eu não gostei: através de uma projeção, disse que naquele ritmo eu terminaria uma Comrades real em mais de 16 horas e portanto, seria desclassificado...

isso é provocação!

Deixa ver se eu entendi...

quem sabe na próxima
vai ser sem máscara
...está duvidando de mim, dizendo que eu não consigo correr 90 Km em menos de 12 horas de novo?

Quer resolver isto no asfalto?

A gente ainda vai se ver de novo, Dona Comrades, e aí a coisa não será “virtual”...

Mas por enquanto: Thank you Comrades Marathon, see you soon!

Um pouco mais sobre o evento:



(eu sou fã do Strava, por isso em breve vamos falar como "afinar" o relacionamento de seu smartphone com os satélites e obter uma marcação precisa)

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Consuma Corrida


Alguém te entregou aquele copinho d’água na prova. Alguém programou o site de inscrições. Alguém organizou a fila na entrega do kit... agora estes e mais alguns profissionais estão sem trabalho e sem perspectivas de melhoras no cenário.

Antes de mais nada, eu não sei como estão as suas contas neste momento, bem no meio da pandemia, por isso não me leve a mal e não se sinta ofendido com esta postagem. Mas se você chegou até aqui, é porque temos algo em comum, que nada tem a ver com nosso saldo bancário: gostamos de corridas de rua e queremos voltar a participar delas num futuro que não necessariamente está tão próximo.

A questão não é o tempo que vai levar, se vai normalizar, se vamos correr pelados e só de máscara ou com trajes especiais, a única certeza é que vamos depender de empresas especializadas no setor, e neste exato momento elas estão passando por grandes dificuldades. Imagine que aquela “taxinha” de conveniência (que vamos concordar, é conveniente pois facilita o processo) não está sendo cobrada pelos sites que comercializam corridas, pois os eventos não estão acontecendo. Faça algumas contas de cabeça e pense em quantos eventos cancelados/adiados X número de participantes X meses que isto já dura e vai durar... e os números vão tirar seu sono. Pelo menos você ainda pensa em descansar, mas organizadores de corridas e todas as empresas que trabalham duro para que você possa desfrutar de uma prova já não dormem há um bom tempo, e muitas delas não estarão mais aqui quando este setor voltar a abrir – e será um dos últimos. 

Corridas virtuais, mas com conteúdo
temático e que de quebra ainda
ajudam quem precisa no momento.
Então quer dizer que não teremos mais corridas de rua? Mas, e os eventos que eu já me inscrevi e paguei, que estão prometendo para uma nova data? Estas e outras perguntas tem a mesma resposta: ninguém sabe como vai ficar! Este aqui comprou um pacote para a Maratona do Rio que ocorreria em 13 e 14 de junho de 2020, com inscrições, hotel e parte aérea, e tudo isso foi lá para a frente. Tem outros eventos já quitados aqui, porém esta estória não é sobre os meus problemas, mas para te situar que eu estou com as mesmas aflições que todos os demais corredores.

Sem tomar mais do seu precioso tempo de quarentena, vou direto ao ponto: se puder, consuma alguma coisa referente a corridas ofertadas por estas empresas do setor. Pode ser uma camiseta em promoção, uma das tais “corridas virtuais”, que você deverá respeitar a regra de correr em casa ou isolado, ou qualquer outra transação comercial que possa trazer um pequeno lucro para estas empresas. Lembra da “taxinha” de conveniência que comentamos lá atrás? Pois é, quem sabe comprar uma camiseta ou uma prova virtual não conseguimos cobrir parte daquele rendimento dos organizadores? Isto sem contar as várias iniciativas que além de ajudar a movimentação financeira destas empresas, também tem ações sociais, como doações de itens de segurança para profissionais da saúde, ou até mesmo cestas básicas. Procure e você irá encontrar algumas destas iniciativas. Reforço: não vá se endividar agora num momento tão crítico, ou deixar de comprar comida, mas na medida do possível, pense a respeito do que podemos fazer para dar uma força a este mercado até as coisas se normalizarem.


Excelente iniciativa, entre outros bons descontos em sites como este
Talvez o ponto mais delicado disso tudo seja inscrever-se em uma prova, mesmo distante no calendário, sem saber se a mesma vai estar lá quando chegar a hora. Quer uma dica? Assim como um banco recompensa você pelo lucro em um investimento arriscado, alguns organizadores estão fazendo o mesmo, abatendo parte dos valores de inscrições para girar o caixa e captar um pouco de movimentações diante da crise. Você encontrará bons descontos em provas mais distantes no calendário, parcelamentos e outras vantagens que não eram possíveis até pouco tempo, quando as pessoas sacavam o cartão de crédito com mais facilidade. Pondere os custos, os riscos, as vantagens e acima de tudo a confiança que você tem no organizador, igual você faria com seu banco.

Aquela sua camiseta de prova predileta (mas que já está surrada)
pode estar disponível no site do organizador...
E o melhor, com preço convidativo!
Por fim, passamos anos debatendo se as corridas de rua estavam transformando-se em “comércio” ou “consumo” e esta é a hora que se não forem encaradas desta forma, o segmento do mercado poderá desaparecer antes mesmo de ter uma chance de retomada.

Em breve estaremos novamente nas ruas, parques e provas!

Lembre-se de respeitar as recomendações de sua cidade para circulação, isolamento e prática de esportes em parques e vias públicas! Não se arrisque e obedeça a determinação das autoridades! E por enquanto, corra sozinho!

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Sobre pandemia e corridas


O mundo mudou e o tal “novo normal” é apenas uma forma de dizer que vamos ter um período para repensar alguns hábitos. 
A corrida é um deles.

Treinos, por enquanto, só de máscara
e sem ninguém por perto
Este blog ficou parado por algum tempo, entre o final de 2019 e meados de 2020. Parte por falta de tempo de quem o administra (eu), escreve (eu), diagrama (eu), revisa (advinhe: eu) e parte porque não tinha muitos assuntos a apresentar. Foram poucas corridas que participei desde a Ultramaratona Bertioga-Maresias de 2019, sendo que algumas delas já vinha relatando ano após ano. Somado aos poucos temas que gostaria de discutir, não tivemos novas publicações.

Para completar, em março deste ano o cenário da pandemia que se alastrava pelos países da Ásia e Europa começava a deixar claro que nós estávamos em rota de colisão do coronavírus. Participei de minha última corrida de rua no dia 08 de março, a Day Run na região do Ipiranga, já com medo de estar no meio de 3.000 pessoas sem saber se o novo bichinho estaria por perto. Passados 8 dias a empresa em que trabalho, multinacional responsável que preza pela
A última medalha de prova "física"
antes de tudo fechar
saúde de seus colaboradores, nos colocou em home office sem data para voltar. O resto do país passaria pelo mesmo processo, apesar de algumas pessoas não aceitarem os fatos ao seu redor: estávamos vulneráveis a uma doença letal e de rápido contágio.

Daí para frente você já sabe: comércio fechado, isolamento social, redução da circulação e até o temido lockdown em algumas cidades, tudo isso para conter a propagação do vírus. Se uma simples reunião em um bar já era motivo para pânico das autoridades de saúde, imagine colocar em um espaço (apesar de aberto) um contingente de mais de 5.000 pessoas respirando de forma ofegante e disparando gotículas de saliva para todos os lados. Uma a uma, as provas de corrida do Brasil também começaram a ser adiadas, canceladas, remanejadas, enfim, acabando com diversos planejamentos que os corredores vinham trabalhando em seus treinamentos. E por falar em treinos, estes foram incentivados a serem feitos de forma isolada e em casa, com academias e parques fechados, além de ruas e orlas proibidas para o esporte. Chegamos então ao dia de ontem em que duas das maiores maratonas do planeta foram canceladas para 2020, Berlim e Nova York.

Previsto x Realizado: volume semanal para a Maratona de São Paulo 2020...
e o momento em que tudo parou
Muita gente não deixou de correr, eu mesmo mantive os treinos nos primeiros meses restritos a bicicleta ergométrica dentro de casa e algumas caminhadas, saindo para correr somente aos domingos antes de 07:00 horas da manhã, de forma a não cruzar com outras pessoas pelo caminho. Ampliei um pouco os dias, mas mantenho sempre horário e trajeto mais adequado para ter o mínimo de contato possível com quem está na rua.
Pedal nas alturas, por meses e meses...
Parece que a cidade de São Paulo jamais esteve totalmente em quarentena, mas não é por isso que devemos dar o mau exemplo ou abusar, vamos manter as recomendações de distanciamento e isolamento para proteger o máximo de vidas possível.

Voltando ao blog, irei retomar as postagens, pois apesar de não ter provas, maratonas ou qualquer evento de corrida para os próximos meses, percebi que existe muita coisa que precisa ser compartilhada agora com outros corredores. O objetivo das postagens sempre foi este, compartilhar, então vamos retomar este hábito, pois os colegas leitores merecem. Não sou dono da verdade ou profissional do esporte, mas como faz quase 15 anos que calço os tênis para correr, acho que uma coisa ou outra eu sei sobre corridas. Quem sabe no meio de tanta “desinformação” um pouco de opinião honesta, sem pretensão de “causar” sobre alguns assuntos ajude outros corredores a retomar seus treinos.

Sabemos que este é um momento difícil para se falar em corrida, com tantas mortes e todo estrago que a Covid-19 trouxe ao planeta. Ninguém aqui está sendo alienado a ponto de achar que é só sair e curtir as ruas vazias, mas retomar nossas atividades e o que gostamos, com segurança e dentro das regras de isolamento de cada comunidade, é o mínimo que podemos fazer para manter a sanidade mental e a saúde.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Ultramaratona Bertioga-Maresias, 75 Km, Solo!!!


A cada ano eu escolho um evento para ser “a cereja do bolo”, aquele momento que fica sendo a insanidade para o calendário vigente, e ainda faltava cumprir a meta definida para 2019: correr de Bertioga, Litoral Sul de São Paulo a Maresias, já no Litoral Norte do estado. Para quem se lembra, em maio eu havia feito esta prova na modalidade 42 Km “Light”, e reforço que não existe nada de “mais leve” quando se fala em correr uma maratona. Terminei aquela prova no PC5 (os postos de controle são numerados de 1 a 7 + chegada), e fiquei com gostinho de “dava para ir adiante”. Com a segunda edição da prova marcada para 19 de outubro do mesmo ano, ajustei férias e treinamento para enfrentar o monstro novamente, desta vez em sua extensão total de 75 Km.

Largada: 05:00 da manhã, com a praia ainda escura
Vale lembrar que a prova também é disputada em dois formatos de maratona, os 42 “Light” que eu já falei e os 42 “Hard”, este largando um pouco mais tarde e com o temido trecho da serra de Maresias, além de revezamentos de 3, 6 ou 8 atletas. Mas para uns 600 malucos alinhados às 05:00 da manhã na Praia do Forte em Bertioga, o cardápio do dia trazia apenas o buffet completo, 75 Km dali até a linha de chegada. E lá estava eu de novo, apesar de já conhecer mais da metade da prova, ainda havia um trecho novo, acompanhado de uma subida e descida de serra que diziam ser brutalmente
dolorida no trecho próximo ao final. Mas, ninguém te obriga a estar ali, nem eu, nem as outras centenas de corredores e corredoras equipados com mochilas de hidratação e outros apetrechos para enfrentar o trajeto.

O dia clareando aos poucos... e hoje vai ter sol!
Uma grande diferença entre as provas de maio e outubro logo ficou clara, aliás, bem clara: o próprio céu. Em maio o dia estava chuvoso e a claridade só começou com mais de uma hora de prova, condições bem diferentes desta edição de outubro, onde logo o dia amanheceu e o sol prometeu nos acompanhar dali em diante. Aliás, quem foi que o convidou? Também mudei minha estratégia de abastecimento, pois da outra vez pedi para a esposa ir de carro até o PC3 (mais ou menos 21 Km) para repor líquidos e alimentação e depois esperar na chegada no PC5. Resolvi que como o
trajeto era maior, esticaria a primeira parada direto no PC5 e depois somente na chegada. Mesmo com a promessa de calor para o dia, conseguiria manter o abastecimento com meu estoque de 2,5 litros de água na mochila de hidratação, 600 ml de isotônico e os copinhos distribuídos a cada mais ou menos 5 Km pela organização.

O pior trecho da primeira parte da prova estava entre os PC4 e PC5, uma distância de 14 Km, sendo mais de 7 Km de areia, entre as Praias de Boraceia e Jureia, e foi exatamente neste ponto que o calor pegou forte na cabeça dos corredores. O objetivo final era contornar o Morro da Jureia, mas este crescia lentamente à nossa frente, enquanto os atletas espremiam cada gota de água que podiam. No tal PC5, encontrei a esposa e além de repor líquidos e outros mantimentos, precisei trocar de tênis no meio da prova. Neste último longo trecho passei a sentir que meus dedos mindinhos dos 2 pés estavam sendo massacrados dentro do modelo de trilha que usava, mas como tinha na mochila de emergência no carro de apoio um par extra também de trilha, porém um pouco mais largo, não tive outra escolha a não ser pegar o celular e mandar uma mensagem, informando que precisaria desta manutenção no posto de controle.
Além das praias, trechos na BR-101
Apesar do cansaço, tudo ajeitado, tênis trocado e vamos para mais 3 trechos de mais ou menos 10 Km pela frente. A segunda parte da prova, desconhecida para mim, era realmente digna de receber a denominação “hard“ comparada à outra, pois logo de saída fomos jogados em uma “sauna verde”, uma área que contornava o Morro do Engenho e seguia até Barra do Una, onde as primeiras subidas reais da prova já apareciam. Um belo mirante proporcionava uma vista sensacional da praia, e seguimos em direção às Praia de Juquehy e Baleia, sempre tendo que desviar em alguns momentos para a rodovia BR-101 devido à geografia da região. Mas dentro da minha “cereja do bolo” logo adiante teríamos o verdadeiro “caroço”.
Trilhas? Tem sim, pé na lama, de novo!
Logo após as praias de Camburi e Boiçucanga, a temida Serra de Maresias nos esperava. Segundo algumas corredoras que estavam em ritmo parecido com o meu (leia-se, andando em diversos trechos) seriam 4 Km de subida e mais uns 3 Km de descida. Difícil saber com exatidão, pois meu GPS ficou completamente louco nessa hora, conforme pude constatar olhando os dados coletados. O pior de tudo não era necessariamente o trecho em subida, duro, íngreme, cheio de curvas, mas a velocidade que os carros passavam pelos corredores, que em alguns momentos nem acostamento tinham para utilizar na via.
Sol rachando, e 3 Kg de equipamento e mantimento nas costas!
Ao fim de uma longa descida, que parecia não ter fim, saímos novamente em uma entrada para a praia, sim, finalmente a Praia de Maresias! Mas esta, como o próprio regulamento da prova destacada, não seria fácil. O trecho de areia é estreito, lotado de banhistas, e para completar a praia era do tipo “de tombo”, onde ou enfrentávamos a inclinação em direção às ondas para a areia mais compacta, ou a areia fofa que atrapalha muito a corrida. Revezando entre as duas opções, terminei passei pelo pórtico de chegada às 16:08:27, com mais de 11 horas de prova, o que não era exatamente o que eu pretendia ter feito. As condições do dia impuseram um ritmo mais lento, mas enfim, aqui estamos, para contar mais uma estória.

Pensa num cara moído... é esse aí mesmo...
Falando um pouco da organização, apesar do longo percurso, ela é relativamente simples, assim como o kit da prova. Foi eficiente nos trechos de postos de controle, podendo apenas ter um pouco mais de apoio ao longo do percurso, talvez com mais distribuição de água e até mesmo isotônico. O trecho de serra foi realmente o mais complicado, devido à complexidade do próprio trânsito da rodovia, talvez um ponto a ser pensado no sentido de oferecer mais segurança aos corredores.

Entendeu, ou quer que eu desenhe?
E a surpresa final, para os concluintes solo e revezamento, era este:


Uma medalha destinada ao Apoio, pois sem eles, a prova seria impossível para a maioria dos atletas! No meu caso, a esposa que teve que dirigir até o PC5 para me reabastecer e depois ir até a chegada recolher os pedaços para trazer de volta a Bertioga.

Reconhecimento merecido, mas acredite, a diversão mesmo é fazer o percurso de ponta a ponta, correndo!

Ah, parece que já está se sentido melhor... qual é a próxima mesmo???
(Algumas das fotos acima foram compradas no site FocoRadical. Escolha difícil, foram mais de 300 fotos minhas só neste site! Excelente trabalho dos fotógrafos espalhados pelo percurso.)

domingo, 13 de outubro de 2019

Circuito Cantareira, Etapa Pedra Rachada... demais!


Esse negócio de provas de montanha vicia, acredite! Continuando o “ano sabático” afastado – mas não totalmente fora – das corridas no asfalto, mais um evento apareceu no meu radar: Circuito Cantareira de Montanha, etapa Pedra Rachada, no último 21/07. Aí você vai dizer, “mas ficou perdido na montanha e demorou esse tempo todo para fazer uma postagem?”. Antes fosse, infelizmente o tempo disponível para cuidar do blog está cada vez mais curto, mas uma prova como esta não poderia ficar sem o devido registro.

Apesar de ter montado um pequeno calendário de provas off-road desde o início do ano para poder ter um leque de opções para todos os bolsos e gostos, fiquei frustrado por ter que abortar um evento onde já estava tudo pago e que
não pude correr. Acabei fazendo a inscrição de última hora, pois sabia que os eventos deste organizador ocorriam na região de Mairiporã, fácil acesso para quem mora na Zona Norte de São Paulo, como é meu caso. O kit foi retirado um pouco distante, em Guarulhos, mas de forma bem eficiente em loja de um dos patrocinadores. Simples, camiseta, número de peito e uma cinta porta-número com um pequeno bolso para guardar restos de alimentos e embalagens, indicado para não deixar nada na trilha.


Largando do conhecido Bar do Pedrão, point de encontro de jipeiros e afins, com temperaturas abaixo de 10 graus, um grupo de malucos
partiu para percursos de 8, 16 e 32 Km pelas trilhas, subidas, montanhas, rios e mais uma porção de “atrações” desafiantes. O frio da mata fechada na maior parte dos casos fez com que nem meu corta-vento e luvas fossem tirados, apesar que os mais corajosos enfrentavam de camiseta e shorts. E o terreno não perdoou ninguém: apesar de não estar chovendo ainda encontramos muitos trechos de lama, alguns bens escorregadios e que foi necessária aquela famosa solidariedade entre os corredores de trilha para que um ajudasse o outro a transpor certos obstáculos, sem contar a altimetria que somava quase 700 metros ao final do percurso de 16 Km. Para quem já fez uma prova nesta distância em asfalto em pouco mais de 1 hora e meia, terminar
com mais de 3 horas e 15 minutos mostra o quanto o trajeto castigou os corredores.

Organização simples, porém eficiente. Como costuma acontecer nas provas fora do asfalto, ainda precisa haver um trabalho mais apurado dos organizadores para incentivar os corredores a levar sua própria água e até comida, pois vi muita gente que não sabia que haveria somente um ponto de hidratação na nossa distância. Aliás, fica a sugestão de não deixar largar quem aparecer somente “com a cara e a coragem”, pois hidratação é fundamental, independente de quanto cada um ingere de água em seus percursos.

Total de ganho altimétrico: 696 metros (quase a altura em que está a estátua do Cristo Redentor no Corcovado...)



E quer saber onde é a tal Pedra Rachada? Vai ter que assistir ao vídeo...