quinta-feira, 2 de julho de 2020

Consuma Corrida


Alguém te entregou aquele copinho d’água na prova. Alguém programou o site de inscrições. Alguém organizou a fila na entrega do kit... agora estes e mais alguns profissionais estão sem trabalho e sem perspectivas de melhoras no cenário.

Antes de mais nada, eu não sei como estão as suas contas neste momento, bem no meio da pandemia, por isso não me leve a mal e não se sinta ofendido com esta postagem. Mas se você chegou até aqui, é porque temos algo em comum, que nada tem a ver com nosso saldo bancário: gostamos de corridas de rua e queremos voltar a participar delas num futuro que não necessariamente está tão próximo.

A questão não é o tempo que vai levar, se vai normalizar, se vamos correr pelados e só de máscara ou com trajes especiais, a única certeza é que vamos depender de empresas especializadas no setor, e neste exato momento elas estão passando por grandes dificuldades. Imagine que aquela “taxinha” de conveniência (que vamos concordar, é conveniente pois facilita o processo) não está sendo cobrada pelos sites que comercializam corridas, pois os eventos não estão acontecendo. Faça algumas contas de cabeça e pense em quantos eventos cancelados/adiados X número de participantes X meses que isto já dura e vai durar... e os números vão tirar seu sono. Pelo menos você ainda pensa em descansar, mas organizadores de corridas e todas as empresas que trabalham duro para que você possa desfrutar de uma prova já não dormem há um bom tempo, e muitas delas não estarão mais aqui quando este setor voltar a abrir – e será um dos últimos. 

Corridas virtuais, mas com conteúdo
temático e que de quebra ainda
ajudam quem precisa no momento.
Então quer dizer que não teremos mais corridas de rua? Mas, e os eventos que eu já me inscrevi e paguei, que estão prometendo para uma nova data? Estas e outras perguntas tem a mesma resposta: ninguém sabe como vai ficar! Este aqui comprou um pacote para a Maratona do Rio que ocorreria em 13 e 14 de junho de 2020, com inscrições, hotel e parte aérea, e tudo isso foi lá para a frente. Tem outros eventos já quitados aqui, porém esta estória não é sobre os meus problemas, mas para te situar que eu estou com as mesmas aflições que todos os demais corredores.

Sem tomar mais do seu precioso tempo de quarentena, vou direto ao ponto: se puder, consuma alguma coisa referente a corridas ofertadas por estas empresas do setor. Pode ser uma camiseta em promoção, uma das tais “corridas virtuais”, que você deverá respeitar a regra de correr em casa ou isolado, ou qualquer outra transação comercial que possa trazer um pequeno lucro para estas empresas. Lembra da “taxinha” de conveniência que comentamos lá atrás? Pois é, quem sabe comprar uma camiseta ou uma prova virtual não conseguimos cobrir parte daquele rendimento dos organizadores? Isto sem contar as várias iniciativas que além de ajudar a movimentação financeira destas empresas, também tem ações sociais, como doações de itens de segurança para profissionais da saúde, ou até mesmo cestas básicas. Procure e você irá encontrar algumas destas iniciativas. Reforço: não vá se endividar agora num momento tão crítico, ou deixar de comprar comida, mas na medida do possível, pense a respeito do que podemos fazer para dar uma força a este mercado até as coisas se normalizarem.


Excelente iniciativa, entre outros bons descontos em sites como este
Talvez o ponto mais delicado disso tudo seja inscrever-se em uma prova, mesmo distante no calendário, sem saber se a mesma vai estar lá quando chegar a hora. Quer uma dica? Assim como um banco recompensa você pelo lucro em um investimento arriscado, alguns organizadores estão fazendo o mesmo, abatendo parte dos valores de inscrições para girar o caixa e captar um pouco de movimentações diante da crise. Você encontrará bons descontos em provas mais distantes no calendário, parcelamentos e outras vantagens que não eram possíveis até pouco tempo, quando as pessoas sacavam o cartão de crédito com mais facilidade. Pondere os custos, os riscos, as vantagens e acima de tudo a confiança que você tem no organizador, igual você faria com seu banco.

Aquela sua camiseta de prova predileta (mas que já está surrada)
pode estar disponível no site do organizador...
E o melhor, com preço convidativo!
Por fim, passamos anos debatendo se as corridas de rua estavam transformando-se em “comércio” ou “consumo” e esta é a hora que se não forem encaradas desta forma, o segmento do mercado poderá desaparecer antes mesmo de ter uma chance de retomada.

Em breve estaremos novamente nas ruas, parques e provas!

Lembre-se de respeitar as recomendações de sua cidade para circulação, isolamento e prática de esportes em parques e vias públicas! Não se arrisque e obedeça a determinação das autoridades! E por enquanto, corra sozinho!

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Sobre pandemia e corridas


O mundo mudou e o tal “novo normal” é apenas uma forma de dizer que vamos ter um período para repensar alguns hábitos. 
A corrida é um deles.

Treinos, por enquanto, só de máscara
e sem ninguém por perto
Este blog ficou parado por algum tempo, entre o final de 2019 e meados de 2020. Parte por falta de tempo de quem o administra (eu), escreve (eu), diagrama (eu), revisa (advinhe: eu) e parte porque não tinha muitos assuntos a apresentar. Foram poucas corridas que participei desde a Ultramaratona Bertioga-Maresias de 2019, sendo que algumas delas já vinha relatando ano após ano. Somado aos poucos temas que gostaria de discutir, não tivemos novas publicações.

Para completar, em março deste ano o cenário da pandemia que se alastrava pelos países da Ásia e Europa começava a deixar claro que nós estávamos em rota de colisão do coronavírus. Participei de minha última corrida de rua no dia 08 de março, a Day Run na região do Ipiranga, já com medo de estar no meio de 3.000 pessoas sem saber se o novo bichinho estaria por perto. Passados 8 dias a empresa em que trabalho, multinacional responsável que preza pela
A última medalha de prova "física"
antes de tudo fechar
saúde de seus colaboradores, nos colocou em home office sem data para voltar. O resto do país passaria pelo mesmo processo, apesar de algumas pessoas não aceitarem os fatos ao seu redor: estávamos vulneráveis a uma doença letal e de rápido contágio.

Daí para frente você já sabe: comércio fechado, isolamento social, redução da circulação e até o temido lockdown em algumas cidades, tudo isso para conter a propagação do vírus. Se uma simples reunião em um bar já era motivo para pânico das autoridades de saúde, imagine colocar em um espaço (apesar de aberto) um contingente de mais de 5.000 pessoas respirando de forma ofegante e disparando gotículas de saliva para todos os lados. Uma a uma, as provas de corrida do Brasil também começaram a ser adiadas, canceladas, remanejadas, enfim, acabando com diversos planejamentos que os corredores vinham trabalhando em seus treinamentos. E por falar em treinos, estes foram incentivados a serem feitos de forma isolada e em casa, com academias e parques fechados, além de ruas e orlas proibidas para o esporte. Chegamos então ao dia de ontem em que duas das maiores maratonas do planeta foram canceladas para 2020, Berlim e Nova York.

Previsto x Realizado: volume semanal para a Maratona de São Paulo 2020...
e o momento em que tudo parou
Muita gente não deixou de correr, eu mesmo mantive os treinos nos primeiros meses restritos a bicicleta ergométrica dentro de casa e algumas caminhadas, saindo para correr somente aos domingos antes de 07:00 horas da manhã, de forma a não cruzar com outras pessoas pelo caminho. Ampliei um pouco os dias, mas mantenho sempre horário e trajeto mais adequado para ter o mínimo de contato possível com quem está na rua.
Pedal nas alturas, por meses e meses...
Parece que a cidade de São Paulo jamais esteve totalmente em quarentena, mas não é por isso que devemos dar o mau exemplo ou abusar, vamos manter as recomendações de distanciamento e isolamento para proteger o máximo de vidas possível.

Voltando ao blog, irei retomar as postagens, pois apesar de não ter provas, maratonas ou qualquer evento de corrida para os próximos meses, percebi que existe muita coisa que precisa ser compartilhada agora com outros corredores. O objetivo das postagens sempre foi este, compartilhar, então vamos retomar este hábito, pois os colegas leitores merecem. Não sou dono da verdade ou profissional do esporte, mas como faz quase 15 anos que calço os tênis para correr, acho que uma coisa ou outra eu sei sobre corridas. Quem sabe no meio de tanta “desinformação” um pouco de opinião honesta, sem pretensão de “causar” sobre alguns assuntos ajude outros corredores a retomar seus treinos.

Sabemos que este é um momento difícil para se falar em corrida, com tantas mortes e todo estrago que a Covid-19 trouxe ao planeta. Ninguém aqui está sendo alienado a ponto de achar que é só sair e curtir as ruas vazias, mas retomar nossas atividades e o que gostamos, com segurança e dentro das regras de isolamento de cada comunidade, é o mínimo que podemos fazer para manter a sanidade mental e a saúde.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Ultramaratona Bertioga-Maresias, 75 Km, Solo!!!


A cada ano eu escolho um evento para ser “a cereja do bolo”, aquele momento que fica sendo a insanidade para o calendário vigente, e ainda faltava cumprir a meta definida para 2019: correr de Bertioga, Litoral Sul de São Paulo a Maresias, já no Litoral Norte do estado. Para quem se lembra, em maio eu havia feito esta prova na modalidade 42 Km “Light”, e reforço que não existe nada de “mais leve” quando se fala em correr uma maratona. Terminei aquela prova no PC5 (os postos de controle são numerados de 1 a 7 + chegada), e fiquei com gostinho de “dava para ir adiante”. Com a segunda edição da prova marcada para 19 de outubro do mesmo ano, ajustei férias e treinamento para enfrentar o monstro novamente, desta vez em sua extensão total de 75 Km.

Largada: 05:00 da manhã, com a praia ainda escura
Vale lembrar que a prova também é disputada em dois formatos de maratona, os 42 “Light” que eu já falei e os 42 “Hard”, este largando um pouco mais tarde e com o temido trecho da serra de Maresias, além de revezamentos de 3, 6 ou 8 atletas. Mas para uns 600 malucos alinhados às 05:00 da manhã na Praia do Forte em Bertioga, o cardápio do dia trazia apenas o buffet completo, 75 Km dali até a linha de chegada. E lá estava eu de novo, apesar de já conhecer mais da metade da prova, ainda havia um trecho novo, acompanhado de uma subida e descida de serra que diziam ser brutalmente
dolorida no trecho próximo ao final. Mas, ninguém te obriga a estar ali, nem eu, nem as outras centenas de corredores e corredoras equipados com mochilas de hidratação e outros apetrechos para enfrentar o trajeto.

O dia clareando aos poucos... e hoje vai ter sol!
Uma grande diferença entre as provas de maio e outubro logo ficou clara, aliás, bem clara: o próprio céu. Em maio o dia estava chuvoso e a claridade só começou com mais de uma hora de prova, condições bem diferentes desta edição de outubro, onde logo o dia amanheceu e o sol prometeu nos acompanhar dali em diante. Aliás, quem foi que o convidou? Também mudei minha estratégia de abastecimento, pois da outra vez pedi para a esposa ir de carro até o PC3 (mais ou menos 21 Km) para repor líquidos e alimentação e depois esperar na chegada no PC5. Resolvi que como o
trajeto era maior, esticaria a primeira parada direto no PC5 e depois somente na chegada. Mesmo com a promessa de calor para o dia, conseguiria manter o abastecimento com meu estoque de 2,5 litros de água na mochila de hidratação, 600 ml de isotônico e os copinhos distribuídos a cada mais ou menos 5 Km pela organização.

O pior trecho da primeira parte da prova estava entre os PC4 e PC5, uma distância de 14 Km, sendo mais de 7 Km de areia, entre as Praias de Boraceia e Jureia, e foi exatamente neste ponto que o calor pegou forte na cabeça dos corredores. O objetivo final era contornar o Morro da Jureia, mas este crescia lentamente à nossa frente, enquanto os atletas espremiam cada gota de água que podiam. No tal PC5, encontrei a esposa e além de repor líquidos e outros mantimentos, precisei trocar de tênis no meio da prova. Neste último longo trecho passei a sentir que meus dedos mindinhos dos 2 pés estavam sendo massacrados dentro do modelo de trilha que usava, mas como tinha na mochila de emergência no carro de apoio um par extra também de trilha, porém um pouco mais largo, não tive outra escolha a não ser pegar o celular e mandar uma mensagem, informando que precisaria desta manutenção no posto de controle.
Além das praias, trechos na BR-101
Apesar do cansaço, tudo ajeitado, tênis trocado e vamos para mais 3 trechos de mais ou menos 10 Km pela frente. A segunda parte da prova, desconhecida para mim, era realmente digna de receber a denominação “hard“ comparada à outra, pois logo de saída fomos jogados em uma “sauna verde”, uma área que contornava o Morro do Engenho e seguia até Barra do Una, onde as primeiras subidas reais da prova já apareciam. Um belo mirante proporcionava uma vista sensacional da praia, e seguimos em direção às Praia de Juquehy e Baleia, sempre tendo que desviar em alguns momentos para a rodovia BR-101 devido à geografia da região. Mas dentro da minha “cereja do bolo” logo adiante teríamos o verdadeiro “caroço”.
Trilhas? Tem sim, pé na lama, de novo!
Logo após as praias de Camburi e Boiçucanga, a temida Serra de Maresias nos esperava. Segundo algumas corredoras que estavam em ritmo parecido com o meu (leia-se, andando em diversos trechos) seriam 4 Km de subida e mais uns 3 Km de descida. Difícil saber com exatidão, pois meu GPS ficou completamente louco nessa hora, conforme pude constatar olhando os dados coletados. O pior de tudo não era necessariamente o trecho em subida, duro, íngreme, cheio de curvas, mas a velocidade que os carros passavam pelos corredores, que em alguns momentos nem acostamento tinham para utilizar na via.
Sol rachando, e 3 Kg de equipamento e mantimento nas costas!
Ao fim de uma longa descida, que parecia não ter fim, saímos novamente em uma entrada para a praia, sim, finalmente a Praia de Maresias! Mas esta, como o próprio regulamento da prova destacada, não seria fácil. O trecho de areia é estreito, lotado de banhistas, e para completar a praia era do tipo “de tombo”, onde ou enfrentávamos a inclinação em direção às ondas para a areia mais compacta, ou a areia fofa que atrapalha muito a corrida. Revezando entre as duas opções, terminei passei pelo pórtico de chegada às 16:08:27, com mais de 11 horas de prova, o que não era exatamente o que eu pretendia ter feito. As condições do dia impuseram um ritmo mais lento, mas enfim, aqui estamos, para contar mais uma estória.

Pensa num cara moído... é esse aí mesmo...
Falando um pouco da organização, apesar do longo percurso, ela é relativamente simples, assim como o kit da prova. Foi eficiente nos trechos de postos de controle, podendo apenas ter um pouco mais de apoio ao longo do percurso, talvez com mais distribuição de água e até mesmo isotônico. O trecho de serra foi realmente o mais complicado, devido à complexidade do próprio trânsito da rodovia, talvez um ponto a ser pensado no sentido de oferecer mais segurança aos corredores.

Entendeu, ou quer que eu desenhe?
E a surpresa final, para os concluintes solo e revezamento, era este:


Uma medalha destinada ao Apoio, pois sem eles, a prova seria impossível para a maioria dos atletas! No meu caso, a esposa que teve que dirigir até o PC5 para me reabastecer e depois ir até a chegada recolher os pedaços para trazer de volta a Bertioga.

Reconhecimento merecido, mas acredite, a diversão mesmo é fazer o percurso de ponta a ponta, correndo!

Ah, parece que já está se sentido melhor... qual é a próxima mesmo???
(Algumas das fotos acima foram compradas no site FocoRadical. Escolha difícil, foram mais de 300 fotos minhas só neste site! Excelente trabalho dos fotógrafos espalhados pelo percurso.)

domingo, 13 de outubro de 2019

Circuito Cantareira, Etapa Pedra Rachada... demais!


Esse negócio de provas de montanha vicia, acredite! Continuando o “ano sabático” afastado – mas não totalmente fora – das corridas no asfalto, mais um evento apareceu no meu radar: Circuito Cantareira de Montanha, etapa Pedra Rachada, no último 21/07. Aí você vai dizer, “mas ficou perdido na montanha e demorou esse tempo todo para fazer uma postagem?”. Antes fosse, infelizmente o tempo disponível para cuidar do blog está cada vez mais curto, mas uma prova como esta não poderia ficar sem o devido registro.

Apesar de ter montado um pequeno calendário de provas off-road desde o início do ano para poder ter um leque de opções para todos os bolsos e gostos, fiquei frustrado por ter que abortar um evento onde já estava tudo pago e que
não pude correr. Acabei fazendo a inscrição de última hora, pois sabia que os eventos deste organizador ocorriam na região de Mairiporã, fácil acesso para quem mora na Zona Norte de São Paulo, como é meu caso. O kit foi retirado um pouco distante, em Guarulhos, mas de forma bem eficiente em loja de um dos patrocinadores. Simples, camiseta, número de peito e uma cinta porta-número com um pequeno bolso para guardar restos de alimentos e embalagens, indicado para não deixar nada na trilha.


Largando do conhecido Bar do Pedrão, point de encontro de jipeiros e afins, com temperaturas abaixo de 10 graus, um grupo de malucos
partiu para percursos de 8, 16 e 32 Km pelas trilhas, subidas, montanhas, rios e mais uma porção de “atrações” desafiantes. O frio da mata fechada na maior parte dos casos fez com que nem meu corta-vento e luvas fossem tirados, apesar que os mais corajosos enfrentavam de camiseta e shorts. E o terreno não perdoou ninguém: apesar de não estar chovendo ainda encontramos muitos trechos de lama, alguns bens escorregadios e que foi necessária aquela famosa solidariedade entre os corredores de trilha para que um ajudasse o outro a transpor certos obstáculos, sem contar a altimetria que somava quase 700 metros ao final do percurso de 16 Km. Para quem já fez uma prova nesta distância em asfalto em pouco mais de 1 hora e meia, terminar
com mais de 3 horas e 15 minutos mostra o quanto o trajeto castigou os corredores.

Organização simples, porém eficiente. Como costuma acontecer nas provas fora do asfalto, ainda precisa haver um trabalho mais apurado dos organizadores para incentivar os corredores a levar sua própria água e até comida, pois vi muita gente que não sabia que haveria somente um ponto de hidratação na nossa distância. Aliás, fica a sugestão de não deixar largar quem aparecer somente “com a cara e a coragem”, pois hidratação é fundamental, independente de quanto cada um ingere de água em seus percursos.

Total de ganho altimétrico: 696 metros (quase a altura em que está a estátua do Cristo Redentor no Corcovado...)



E quer saber onde é a tal Pedra Rachada? Vai ter que assistir ao vídeo...


quarta-feira, 3 de julho de 2019

Treinão Rústico Reverso do Maquininha

Você conhece o Locutor Maquininha? Talvez não tenha prestado atenção em quem é ele, mas se tem o hábito de correr provas na capital Paulista e interior, além de grandes eventos de ciclismo como o Brasil Ride, possivelmente já cruzou a linha de chegada com a empolgação dele no sistema de som bradando um marcante “Paaaaaarabéns!!!”. E no último ensolarado dia 09 de Junho ocorreu mais um evento que leva seu nome, o Treinão Rustico Reverso do Maquininha – 4ª. edição, com largada e chegada em frente à estação ferroviária do distrito de Sabaúna em Mogi das Cruzes, SP.

Inscrição minha de última hora, fiquei por último na listagem de retirada dos números de peito, aliás, único item do pré-prova, sem kit, camiseta ou outras parafernálias que já estamos cansados de receber e que só encarecem inscrição. Então, com honestos R$ 35,00 paga-se a inscrição de um evento simples, mas que conta com uma boa organização, pontualidade e segurança para os corredores. Percursos de 5, 8.5 e 15 Km disponíveis no momento da inscrição, e é claro, eu queria logo o de maior distância para aproveitar o contato com a natureza de um treino rústico por estradas de terra batida. Apesar do tempo firme e com sol, alguns lamaçais pelo caminho para carimbar um pouco os solados dos tênis.


Largando ao lado da simpática estação ferroviária de Sabaúna, em uma pacata rua com boa estrutura de padarias e comércios, os corredores seguiam por uma região de estradas de terra que estavam abertas ao trânsito, mas muito tranquilas no domingo de manhã. Aliás, cruzava-se mais com outros corredores solitários, caminhantes e ciclistas do que com veículos automotores. Sobes e desces para todos os gostos, e devemos ter percorrido pouco mais de 500 metros de asfalto neste percurso todo,
ou seja, rústico mesmo. A hidratação estava bem localizada a cada 3 Km em média, mas como levei mochila de hidratação, nem precisei utilizar este serviço. Provas de trilha e em natureza em geral exigem descarte adequado, não é apenas tomar e jogar no chão, por isso mesmo um cuidado especial em fornecer a água em sachês de plástico, fáceis de guardar nos bolsos até um ponto adequado de descarte.


Apesar de ser um treino, teve até premiação com troféu para os mais
rápidos, além de uma medalha de tamanho, digamos, generoso. A parte bacana de correr em um evento deste tipo é a grande diferença de estar cercado de milhares de corredores, aqui não tem esbarrão, cotoveladas ou qualquer atropelo, cada um no seu ritmo e curtindo a natureza ao redor, cercado de ar puro.

E no final, é claro, o tradicional “Paaaaaaarabéns!!!”


terça-feira, 4 de junho de 2019

Ultramaratona Bertioga-Maresias, em sua versão “Light” de 42 Km

Prova tradicional no calendário paulista, a Ultramaratona de Revezamento Bertioga-Maresias  chama a atenção de grupos distintos, de um lado as equipes que irão em conjuntos de 3, 6 ou 8 integrantes, e do outro os que não querem dividir os 75 Km do percurso com mais ninguém, os ultramaratonistas. Mas e quem não tem ou não quer equipe ou que não se sente preparado para uma ultramaratona, qual a opção? Apesar de parecer difícil de acreditar, sim, é possível considerar 42 Km como sendo “light”, mas nunca “easy” quando se pensa em um evento deste porte. Se mesmo assim o corredor solitário ainda achar que é pouco, ainda foi disponibilizada a opção “hard”, largando mais tarde e enfrentando o trecho mais duro da prova. Pois é, com tantas opções no cardápio, não dá para resistir.

Ter um Ironman e uma Comrades no currículo não me torna necessariamente apto a enfrentar de cara um evento como este na distância total, então resolvi encarar a extensão da maratona, 42 Km, no perfil “light”, largando às 05h15 da manhã e com poucas subidas, percorrendo na maior parte do tempo pela areia dura da praia entre Bertioga e Juréia, além de umas poucas trilhas e até mesmo alguns trechos de rodovia. A largada dos ultramaratonistas acontecia às 05h00 da manhã, com chuva fina e ainda escuro, onde um grupo muito maior que o dos maratonistas partiu em direção à praia de Maresias, 75 Km adiante. Largadas pontuais, tanto para os Survivors quanto para os maratonistas “light”, praia muito escura com algumas luzes vindas do calçadão e um ou outro corredor munido de lanterna, como era o meu caso.

Voltemos um pouquinho aos itens básicos: inscrição muito simples através de um site bem direcionado do organizador Cia de Eventos,
porém com um valor um pouco acima das provas normais, R$ 199,00 no lote em que fiz a minha, sendo que foi um dos primeiros. Retirada do kit em uma loja de esportes na Zona Sul de São Paulo e com a opção de retirar em Bertioga no dia anterior à prova, também muito eficiente. O kit em si era composto por número de peito, chip (munhequeira), sacola e camiseta, além de um mapa para os carros e bicicletas de apoio. Carros de apoio ainda recebiam um adesivo para serem identificados em condomínios fechados, como seria o caso de alguns pontos de troca das equipes, mas para os 42 Km não foi identificado a necessidade. Conversei com o organizador e expliquei que a esposa estaria no meio da prova e providenciaria hidratação e alimentação, mas foi garantido que o acesso ocorreria sem problemas, o que de fato aconteceu.

Se por um lado não recebemos um kit cheio de bugigangas de patrocinadores, por outro ganhamos uma camiseta somente com a indicação da prova, muito bonita, sem aqueles logotipos de empresas apoiadoras, o que a torna convidativa para vestimenta normal. Carreguei comigo uma mochila de hidratação com 2 litros de água, 2 squeezes, sendo um com isotônico e o outro com maltodextrina, além de gel de carboidrato e bananinhas para o primeiro trecho de 21 Km até o PC3, terceiro posto de controle e troca de revezamento. Ou seja, quase 3 Kg a mais que o próprio peso, além de estar com tênis apropriado para trilha e solo irregular, que naturalmente é mais pesado que um tênis de asfalto. Para uma prova foi uma experiência nova carregar tanta coisa nos 42 Km, mas muitos treinos para a Comrades tiveram desta extensão para cima, e eu sempre saia carregado com tudo isso ou mais, portanto não era nenhuma novidade absoluta.


Praias entre cada PC, sempre com algum trecho de trilha, asfalto ou rodovia logo na sequência após a troca para as equipes ou apoio solo, e no Km 21, como combinado, a esposa estava com bolsa de hidratação cheia e squeezes suplementares para repor o estoque. A prova oferecia hidratação em copos a cada 3 Km, mas como não sabia como estaria o clima, optei por levar meu próprio estoque de líquidos, pois debaixo de sol poderia ser altamente necessário.
Também se considera que numa prova destas não é apenas beber e jogar no chão como nas corridas em asfalto onde o serviço público de varrição removerá os resíduos, é necessário parar, beber e descartar o copo, o que pode ser um incômodo se feito várias vezes no percurso.

Mais chuva e vento frio, PC4 passou tranquilo e chegou o mais longo trecho, até o PC5, onde seriam 14,2 Km de areia dura, praticamente 1/3 da prova até a chegada. E com pórtico simples, mas com muita comemoração dos que aguardavam os maratonistas “light”, completei o trajeto de (aproximadamente) 42 Km em 05:28:31, um tempo alto, porém compatível com uma prova mais dura como esta.


Opinião geral: valeu cada milímetro, cada gota de chuva, uma corrida muito diferente das que estou acostumado e que vale a pena ser experimentada. Ponto positivo para a organização, muito eficiente em todos os detalhes, minha única sugestão é revisar o regulamento, pois parece um pouco confuso na questão de tempos limite, mas fora isso todo o resto funcionou perfeitamente.



Quanto a fazer os 75 Km solo... quem sabe na próxima.