terça-feira, 9 de julho de 2013

Mais uma Maratona do Rio

Poderia ter sido melhor. Ou poderia não ter sido tão ruim. Até agora não consegui definir qual frase melhor descreve minha participação na Maratona do Rio no último final de semana. Eu já sabia que não daria para nivelar pelo ano passado, quando choveu e consegui a façanha de terminar em 04:59:08, tempo alto mas ainda um recorde para mim. Eu só queria terminar sem sofrer com o calor que já estava previsto, mas não teve jeito. Prova boa, já foi melhor em organização, percurso sofrido, que também já foi mais divertido. Aí vai...

Another one bites the dust (como diria o Queen)

Nossa estória começa 4 dias antes, quando o paspalho aqui tropeça na rua e vai com as quatro patas no chão e por pouco não morde a calçada. Tombo feio, ainda fui meio que socorrido por uma moça que perguntou se eu estava machucado, no que respondi que ainda não sabia. Doía tudo, mas segui meu trajeto, almocei e voltei para a empresa com meio litro de álcool para esfregar nas dores que iriam aparecer. E apareceram bem no pé esquerdo e no joelho direito, que aliás, ainda dói. Foi um susto e tanto, o primeiro pensamento quando estava no chão, era “lá se vai a maratona...”.

Mas teimoso como eu sou, sábado logo no início do dia, lá estava eu a bordo de um 737-800 rumo à cidade maravilhosa.

Então, hora de morfar...


Ê Paulishta!

Pois é, como o jeito era descansar na véspera, melhor evitar passeios muvucados ou longas caminhadas. E o que o paulista mais gosta de fazer? Shopping Center e cinema, descansei enquanto o Brad Pitt combatia os zumbis e salvava a humanidade.

Domingo, 04:00 da manhã...

Cada ano despertam o pessoal mais cedo, e isto é bom. A Equipe de Corredores Tavares, com quem sempre viajo, já sabe de todo stress que é chegar ao Recreio para a largada da prova, então antes do galo cantar, todos já estavam na maior barulheira no café do hotel. O dia começa a amanhecer no Rio de Janeiro, e o sol começa a deixar bem claro que neste ano ele vai assistir a prova. De ponta a ponta, diga-se.

Chegamos 30 minutos antes da largada, e a primeira reclamação para a organização vai para a quantidade insuficiente de banheiros químicos. Procedimentos pré-prova resolvidos, tudo pronto e é só
posicionar na largada, sem encontrar ninguém conhecido é claro, devido ao horário. Começa a jornada de 42 Km (e aqueles malditos 195 metros!).

Tem gente que reclama do trecho inicial da maratona, que é monótono, sem público, muito deserto, mas eu gosto daquele retão infinito com o dia raiando e as montanhas da cidade ficando mais nítidas no visual. E o sol, é claro, esquentando.

Passei pela marca de 21 Km, largada da Meia Maratona e continuei meu caminho rumo à primeira subida, o elevado do Joá. O ritmo quebrou um pouco, o GPS
ficou doidão com o vai e vem de sinal e ao final do trecho coberto, o asfalto ardia com o calor.

Lá vem a Av. Niemeyer, subida do cão, mas eu já sei como encará-la. Liguei o playlist de novo no celular, e ao som da 9ª. sinfonia de Beethoven *, subi a pirambeira com o lindo cenário do litoral do Rio à minha direita. Sim, se você estava lá, era eu tentando acompanhar a melodia em voz alta, para disfarçar um pouco o sofrimento...

No que deveria ser o ponto onde o freio de mão pode ser baixado e o início do voo começa, a coisa complicou. Bem na descida em direção ao Leblon eu já sentia sinais fortes de calor e cansaço e resolvi diminuir bastante o ritmo. Isso era mais ou menos o Km 28, talvez um pouco mais a frente, mas daí em diante o ritmo foi pra lá de pangaré.

Zona de Guerra

Na minha próxima maratona vou usar uma camiseta com aqueles dizeres de plaquinha de restaurante por kilo: “aproveite e converse, faça amigos!”. É isto o que acontece quando você anda em uma maratona, as pessoas desconhecidas começam a conversar (ou se lamentar) com o próximo. No meu caso, eu aproveitei para tirar uma foto de um corredor carioca que estava tentando “se enquadrar”
na frente da placa de 30 Km, conversei com outra corredora que tentava engatar um trote apesar de uma bolha nos pés (eu até ofereci o BandAid extra, mas ela não quis) e fiz o sinal de “positivo” para alguns que já pareciam vencidos pelo cansaço.

Mas o pior estava por vir: vi corredores sentados na calçada à esquerda, contemplando o Oceano Atlântico ou esfregando as pernas. Outros alongavam. E a pior cena foi ver a aglomeração em volta de um caído, ambulância ao lado já com outro dentro, e depois ver a mesma viatura em disparada na pista ao lado. Mais adiante um rapaz diminuiu o ritmo bruscamente ao meu lado e disse “não dá,não aguento mais!”. Diminuí o meu também e perguntei “quantos você conhece que fazem o que você está fazendo?”. Demorou alguns segundos e ele respondeu “poucos”. É claro que a ficha caiu e o cara engatou novamente, não sei por quanto tempo, mas dei algo para ele pensar a respeito.

E assim foi até o final

Trota, corre e anda, não necessariamente nesta ordem ou na mesma proporção, e terminei minha oitava maratona, a quarta no Rio, não da forma que queria, mas terminei. Provavelmente não volto no próximo ano, com esta estória de Copa do Mundo, vou deixar a poeira abaixar, mas ainda farei a prova novamente, com ou sem sol.


Organização

Não é uma prova das mais caras, mas não é das mais baratas, diria apenas que o valor é justo para uma maratona. Só tenho alguns pontos que percebi uma certa queda no padrão do evento, como a quantidade de banheiros químicos na largada e no percurso, camiseta de baixa qualidade, hidratação muito espaçada entre alguns pontos e um que já mencionei nos anos anteriores, direcionar o trânsito de forma eficiente para a largada. No geral, continua muito boa, mas não o organizador precisa ficar atento aos detalhes para que a qualidade não caia.

Parabéns a todos que concluíram a Maratona, Meia ou Family Run na Fornalha (quer dizer, Cidade) Maravilhosa!

* Para quem não sabe, este trecho da sinfonia chama-se Ode to Joy – Hino à Alegria. Experimente subir a Av. Niemeyer numa corrida ouvindo esta obra e você vai entender...

Blog de corrida também é cultura!

16 comentários:

  1. Parabéns pelo depoimento e pela corrida!
    Ainda estou tentando criar coragem para fazer a minha primeira maratona!
    Suas histórias são incentivos para mim e, recebi mais um incentivo no RJ na semana passada: uma amiga minha que nunca participou de nenhuma corrida de rua, está treinando pesado para poder participar da Maratona da Disney! E eu, 10 anos de corridas de rua, e nenhuma maratona no currículo!
    Se este ano eu coloquei 2 meias maratonas como objetivo. Talvez no próximo eu coloque uma maratona!
    Abraços e novamente parabéns!

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    1. Valeu William!

      Mesmo quando as coisas não dão certo, fazer uma maratona é algo incrível, um exercício de gestão de projeto sem igual. Ainda detonado, já estou procurando a próxima, quem sabe a gente não se encontra lá!

      Abraço e boas corridas!

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  2. Pena que não nos vimos por lá, Rinaldo. Se a delegação Tavares estava no mesmo Windsor Florida das vezes em que fui com eles, passei em frente no embarque. Parabéns pela sua oitava maratona e pela análise dela. No ano que vem, também pretendo dar uma folga (não havia nem pensado em termos de Copa), mas vai saber...

    Abraço!

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    1. Que pena mesmo, estávamos lá no Florida. Na largada chegamos em cima da hora e aí não consegui procurar as figurinhas carimbadas de toda corrida. Já li seus relatos também, parabéns por mais uma conquista!

      Abraço!

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  3. Olá Rinaldo. Que "maneiro" ler sobre mais essa conquista. E super bacana você ajudar outros corredores, realmente, maratona é para poucos.
    É muito fácl pra quem está "Lá atrás" desistir, mas você é guerreiro e me insira muito mesmo.

    ABraços

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    1. Valeu Luiz! Desta vez nem consegui formar o "ônibus", saio arrastando todo mundo pelo caminho convidando a seguir num ritmo leve, o que incentiva o pessoal a correr mesmo cansado. Mas haverá próximas!

      Abraço e boas corridas!

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  4. Que legal, amigo ! Meu carinho e admiração.

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  5. Parabéns Rinaldo pela superação, tava quente mesmo. E eu adorei. Sei que sou dos poucos malucos que prefere o calor, mas essa foi minha prova perfeita. Talvez a próxima seja no Saara.
    Brincadeiras a parte, parabéns pela prova e pena não ter te encontrado por lá.
    Abraço
    Colucci
    www.webrun.com.br/colucci

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    1. Valeu Colucci! Eu sofro bastante com o calor, trabalho em temperatura alta então qualquer vento já ajuda a resfriar. Todo ano é a mesma coisa, chegamos lá tarde não por culpa do motorista, mas do trânsito mal desviado e sinalizado em alguns pontos, daí não sobra tempo para encontrar os colegas.

      Parabéns pela prova e a gente se vê nas próximas!

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  6. Parabéns Rinaldo
    Sera que o comentário anterior foi?
    Abraço
    Colucci

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    1. Pode ficar tranquilo, os comentários dos colegas sempre são publicados, os outros ficam sujeitos a moderação para evitar propagandas e gente que escreve comentários ofensivos (o leitor não tem obrigação de ler algumas coisas, sabe).

      Abraço!

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  7. O Rio é maravilhoso, mais correr no calor que você citou deve ser bem ruim não é? rsrs
    Mais de qualquer forma parabéns pela prova.

    Ah, onde a Niemeyer é uma "sudida do cão"? Achei leve quando corri la´em 2010. Se bem que na ocasião estava chovendo e a temperatura mais que agradável. rsrs
    Mas, as subidas que "tenho" aqui em Ubiratã pra treinar são muito mais difíceis do que aquela da Niemeyer.

    Grande abraço e tudo de bom.


    tutta/Baleias-PR
    www.correndocorridas.blogspot.com.br

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    1. Olá amigo Tutta, que pena que neste ano você não foi, condições bem diferentes daquela chuva do outro ano!

      Na verdade o que é um impacto e tanto para o corredor nesta prova é rodar mais de 20 Km no plano e de repente pegar duas subidas chatas. Com certeza tem subidas muito mais danadas (e menos bonitas) que a da Niemeyer, mas dada as condições da prova, é realmente "o cão".

      Grande abraço!

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    2. Parabéns pela prova. Qto às comparações com relação ao ano passado, tenho as mesmas (e mais algumas) colocações. Esse ano ainda tive alguns dissabores que considero oriundos à organização.
      Além de ter me machucado no meio da prova.

      Nosso tempo do ano passado foi quase o mesmo.
      Ano q vem ainda pretendo participar, mas, como Vc disse, não é das mais caras, nem das mais baratas. Se ocorrerem falhas como em 2013, perderão um cliente.

      http://reviewrun.blogspot.com.br/2013/07/maratona-da-caixa-rio-de-janeiro-080713.html

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    3. Valeu Daniel!

      Na verdade vão perder pelo menos 2 "clientes", pois eu também não fiquei satisfeito com alguns detalhes. Espero que a organização tenha um pouco mais de cuidado nas próximas edições, a prova é realmente muito legal e vale a viagem ao Rio.

      Abraço e bons treinos!

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