terça-feira, 19 de março de 2019

Corrida virtual... e se a moda pegar?


Hoje em dia tudo é “virtual”: sua agência bancária, seus amigos, seus dados... por que não a corrida também? Antes que os sedentários de plantão pensem algo do tipo “essa sim eu faço”, o conceito não é só ficar no sofá fazendo de conta que está correndo, a parte virtualizada é o evento em si, mas não o esforço físico. Surgida recentemente com alguns eventos que até apareceram em calendários de provas “reais”, o conceito de uma corrida virtual é voltado ao atleta que vai correr no seu tempo, no seu lugar, e o mais importante de tudo, no seu próprio ritmo. Então é um treino? Não deixa de ser, mas tem com premiação e tudo ao final.

Resolvi experimentar um “evento” do tipo para satisfazer minha curiosidade, a Ice Run, organizada pela 99Run, onde o conceito era bem próximo de uma prova normal: inscrição pela internet, prazos, regulamento, distâncias para cada gosto, kit e medalha ao final, mas com o diferencial de correr quando e onde quisesse, inclusive na esteira, para cumprir o estabelecido. A inscrição, já com postagem do kit “pós-prova” estava em torno de R$ 37,00 quando fiz a minha, mas com um cupom de desconto promocional acabou saindo pouco mais de R$ 30,00, um pequeno preço para se experimentar o formato.

Regras básicas: inscrição na modalidade desejada (4, 7, 12, 21 ou 42 Km), prazo para inscrição e comprovação da distância até 20/03/2019, vale qualquer treino registrado pelos principais aplicativos de corrida (Strava, Nike, RunKeeper, etc.) ou foto da esteira com o tempo e distância final, desde que em data após a confirmação da inscrição. Como diz o site, compre hoje, corra amanhã. O processo de inscrição era feito através de sites de inscrição, no meu caso através do Ativo.com, e como o pagamento foi feito em cartão de crédito, a aprovação aconteceu logo em seguida e eu já estava liberado para comprovar minha participação.

Resolvi pegar um dos treinos longos e fazer um pouco a mais de rodagem, fechando os 21 Km. Como meu percurso padrão tem em torno de 18 Km, fiz um pouco de vai-e-volta para completar o trajeto, e só por segurança, corri com o Strava no celular e o TomTom no relógio, pois se um travasse (o que não é tão difícil de acontecer), teria o outro para comprovar o feito. Domingo ensolarado, mochila de hidratação nas costas, completei meu percurso com aferimento oficial do Stavava em 02:26:19, lento mas diga-se, não muito plano. É claro que a cobrança de tempo não é tão grande quanto estar em uma corrida, com outras pessoas ao redor, mas sabendo que você entrará em um ranking, também não dá para enrolar muito.

Na sequência, tudo muito fácil: cadastro rápido no site, envio da tela
do aplicativo de celular, confirmação de endereço de entrega do kit e até uma lojinha com mais algumas bugigangas de corredor caso o participante quisesse aproveitar o frete já pago na inscrição. Chegaram então e-mails informativos com as etapas de embalagem do kit, postagem e código de rastreamento, tudo muito bem organizado. Quarta-feira da mesma semana eu já estava com o kit em mãos, composto por:
  • 1 medalha com cordão personalizado com a distância
  • 1 número de peito (acredito que igual para todos, apenas de recordação)
  • 1 álbum do corredor com 1 figurinha da corrida ICERUN
  • 1 manual do corredor
  • 1 carbogel
  • 1 torrone sport
  • 5 barrinhas de gergelim (brinde comemorativo da Semana da Mulher)



Tudo de excelente qualidade, inclusive a medalha que é muito bonita, portanto valeu pela experiência. Há outras corridas no circuito 99Run e eu não descarto em participar novamente, pois o serviço prestado foi muito bom, além de ser um evento diferente no cotidiano de treinos e provas. Então, uma breve análise:

Pontos positivos
  • motiva a cumprir a distância contratada, pois vai necessitar comprovação.
  • também motiva a não enrolar o treino, para “sair bonito na foto”.
  • baixo custo, brindes muito bacanas e mais uma medalha para a coleção.
  • pelo menos desta empresa, 99Run, só posso elogiar a organização e eficiência do processo.

Pontos negativos
  • nada substitui uma corrida de verdade, onde encontra-se colegas, corre-se com outros atletas, enfrenta-se o que der e vier de clima e temperatura.
  • talvez o corredor mais exigente considere um gasto desnecessário para o que pode ser considerado somente um “treino”, mas vai de cada um.
  • deve-se considerar o prazo de comprovação e a distância, pois muitas vezes o corredor não tem o tempo durante uma semana normal de trabalho para cumprir um trajeto extenso.

Sugestão
  • oferecer um sugestão de kit com camiseta, tendência dos provas atuais.


Como disse acima, missão cumprida, mais um tipo de evento experimentado e muito satisfeito com o resultado (não tanto do meu tempo, mas sabe como é, corredor nunca está feliz com seus números...)

domingo, 3 de março de 2019

Subindo a montanha, no Circuito Cantareira


Treinar para prova de asfalto é fácil, qualquer rua ou calçada resolve, agora quero ver você se preparar para uma prova em terreno selvagem... e é o que este aqui está tentando fazer neste começo de ano, onde a primeira dificuldade não foi o terreno propriamente dito, mas as possibilidades existentes. Depois de ter feito coisas que não são consideradas “normais” pela maioria dos corredores, como Ironman e Comrades, resolvi que precisava de desafios mais elaborados, e a escolha foi ter um pouco mais de contato com a natureza, seja em trilhas ou praias. Mas para quem mora em São Paulo, capital, isto não é lá muito fácil, pela inexistência de litoral na cidade e pelas poucas opções de corrida em ambientes ao ar livre. Montanhas ao nosso redor não faltam, mas ficar se metendo nelas sem acompanhamento pode não ser uma ideia muito boa. Viajar é ótimo, para correr melhor ainda, mas exige tempo e gastos.

A opção que encontrei então foi uma espécie de prova, na verdade um treino, parte do Circuito Cantareira, mas com camiseta, medalha e até premiação na cidade de Mairiporã, distante pouco mais de 50 Km da capital. E para mim, que em 5 minutos já estou na estrada partindo da Zona Norte de São Paulo, tornou a inscrição ainda mais atrativa. Completando o quadro, a retirada de kit era tão perto de casa que dava para ir andando. O 4º Treinão de Férias apresentava as seguintes opções para quem fosse enfiar a cara no mato: 8, 21 ou 45 Km. Sim, pois logo na largada já entrávamos em uma trilha fechada, onde formou-se uma fila única saltando raízes, abaixando a cabeça para não acertar os galhos e seguindo lentamente até onde já se conseguia correr em terra batida.

Mas a alegria durou pouco, logo adiante a fila formou-se de novo e cruzamos um riacho com água na cintura, com auxílio de staff e
bombeiros. Aventura total, com mais raízes e barro adiante. Aliás, se tivesse chovido na véspera, ia ser só lama, mas tivemos sorte em enfrentar um terreno um pouco mais seco no restante do percurso. Como ditam as boas regras de provas na natureza, a maioria estava munida de mochilas de hidratação, de forma a não gerar lixo na forma de copos e garrafas plásticas pelo caminho. Mesmo assim, a organização ainda ofereceu dois pontos de hidratação para o pessoal dos 8 Km e mais alguns para as outras distâncias.

O trajeto propriamente dito era muito bem sinalizado por fitas zebradas penduradas em árvores, cercas, galhos ou qualquer ponto bem visível aos corredores. Nos trechos
de asfalto, setas indicavam o caminho no próprio chão, além do próprio staff posicionado nos trechos mais estratégicos. Pelo menos para quem enfrentou a distância de 8 Km, que foi meu caso, sem nenhuma incidência de problemas, apenas um ou outro corredor que caiu ou passou mal, mas nada que impedisse o bom andamento do evento.

Largada e chegada foram em um restaurante à beira da estrada em Mairiporã, de fácil acesso a todos, e no final uma bela medalha não em latão, mas de material ecológico. Sensacional, primeira incursão em trilhas foi um sucesso total, sem nenhum tombo (eu sou desastrado) e nenhuma lesão, apenas aquela vontade que todo corredor conhece: quando é quem tem outra dessas?

Por fim, no pacote da inscrição o corredor ainda ganhava o direito de baixar as excelentes fotos tiradas pelos fotógrafos do site Sportclick. Tudo isso pelo preço de uma inscrição normal de prova, portanto, de ótimo custo/benefício.



Mais uma incursão por terras desconhecidas... e vai ter mais, em breve novos relatos de provas diferentes.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Inscrição de corrida: relação de consumo?


Talvez o pessoal “das antigas” lembre daquele episódio do Pica-Pau onde o cachorro dizia “Em todos esses anos nessa indústria vital, é a primeira vez que isso me acontece”. A corrida também é uma indústria, de inscrições de provas, vestuário, equipamentos e mais uma porção de tralhas que ninguém sabe nem pra que serve, mas que giram capital do mesmo jeito. Apesar de não trabalhar nesta “indústria”, sou consumidor de tudo isso, afinal calculo que menos de 10% das 265 provas que fiz até hoje foram cortesia ou gratuitas, o resto foi pago (e às vezes, muito bem pago).

Só que minha suada - e nos tempos atuais é bom também dizer honesta - renda não é capim, portanto, eu não gosto quando empresa e comércio tentam me passar a perna e lesar os meus direitos como consumidor. O ponto onde vou chegar, é um fato ocorrido entre o final do ano passado e o início deste, que envolveu a organização de uma prova que foi remarcada, oferecida aos participantes que não pudessem estar na nova data o reembolso das inscrições e até mesmo a opção de participar da etapa de 2019. Bacana, né? Só que eu precisei partir pra cima do site de inscrições e exigir que tal o reembolso fosse realizado, primeiro subindo o tom da conversa e depois registrando uma reclamação em um site apropriado. Quase chegou ao ponto de procurar os órgãos de defesa do consumidor, mas, voltando à frase do desenho animado, em 13 anos de corridas de rua, esta seria a primeira vez que isso seria necessário.

Uma das provas que mais gosto na distância dos 21 Km é a Meia Maratona de Santo André, uma prova dura, com altimetria forte e percurso nada fácil. Se não já não bastasse, da Zona Norte de São Paulo até Santo André são quase 30 Km de deslocamento, na véspera para retirar o kit e no dia da corrida, mas mesmo assim eu tento encaixar a prova no calendário. Em 2018, sabe-se lá por qual motivo, a corrida que costumava acontecer em abril, mês de aniversário da cidade, ficou para o fim do ano, no dia 02/12. O verão chegou e com ele fortes chuvas na semana anterior à prova, que causaram muitos problemas nas cidades do ABC paulista, quando optou-se por adiar o evento para o dia 16/12. Achei a atitude prudente e louvável, a segurança dos participantes em primeiro lugar, porém a organização noticiou que quem não pudesse correr na nova data, receberia o reembolso da inscrição. Este era o meu caso, que tendo pago 2 inscrições de R$ 90,00 cada e com compromisso no dia 15, sem condições de estar no dia seguinte em Santo André, optei pela devolução do valor pago.

Por uma questão de organização, foi informado que somente após 10 dias úteis os valores seriam devolvidos.
Aguardei, entrei em contato com o site de inscrições e não obtive resposta satisfatória. Novo contato, mais informação engessada na resposta. Na terceira vez, muito após os tais 10 dias úteis, já com a paciência no limite, informei que medidas mais severas seriam tomadas. Recebi e-mail informando que a empresa de cartão de crédito estornaria o valor, aguardando apenas mais alguns dias, o que de fato ocorreu. Caso encerrado, reclamação resolvida.

Mas, será que todos os corredores fizeram a mesma coisa, ou tirando a parte de exigir seus direitos, pelo menos pediram que os valores fossem reembolsados, conforme anunciado publicamente? Acredito que não, e é aí que levanto este questionamento: a inscrição em uma corrida de rua é algo geralmente caro, digamos, um valor que a pessoa poderia direcionar para outra finalidade. Portanto, o serviço contratado do fornecedor, ou seja, do organizador, deve ser prestado ou reembolsado. Não vou entrar no mérito de serviços mal prestados, como vemos em alguns eventos de corrida, pois o critério pode ser subjuntivo e precisaria de comprovação de vários corredores para surtir algum efeito legal sobre a organização. Uma vez que a não execução do serviço, entregar o kit, executar a corrida, oferecer segurança aos participantes, etc, não foi cumprida, nada mais justo que reaver os valores pagos. Muitos organizadores colocam em seus regulamentos (sim, eu leio regulamentos de provas!) que não haverá devolução de valores, mas é hora de rever este conceito, pois o corredor está contratando um serviço, e a lei garante que ele deve ser executado como está no contrato... neste caso, no regulamento!

Para finalizar e defender meu ponto de vista, gostaria de compartilhar uma situação que já vivi várias vezes e acredito que outros corredores também. De vez em quando alguém me diz “Mas por que você paga inscrição de prova? A rua é pública, não tem que cobrar!”. Eu, na minha curta paciência, explico que a rua é administrada pelas prefeituras, departamentos de trânsito, e muitos outros serviços, que somente através de alvará liberam o espaço público para a
execução do evento esportivo. Trocando em miúdos, este alvará é beeeeem caro, portanto, os corredores estão rateando o valor para poderem participar das corridas. Nada mais justo, também, que o organizador tenha seu lucro, pois são um CNPJ e merecem ser remunerados pelos serviços prestados.

De qualquer forma, fico muito chateado de ter chegado neste ponto de conflito com um site de inscrições e mesmo com um organizador de provas. Pretendo continuar consumindo os serviços dos dois, entre tantos outros, mas que espero que sem maiores atritos daqui para a frente.

E o leitor, o que acha da relação corrida x consumo e os valores atuais? Utilize os comentários abaixo para deixar sua opinião.