sábado, 22 de abril de 2017

Ué, cadê o blogueiro que estava aqui???

Posso te garantir o seguinte:

1 – não morreu
2 – tem estado bem ocupado
3 – continua correndo, e bastante!

Então, porque sumiu? Na verdade é a soma do motivo 2 + motivo 3 que estão complicando a minha vida no gerenciamento deste querido blog. Não, ele não está abandonado, apenas preciso de um tempo para tocar outros assuntos e dedicar um pouco mais aos treinamentos (e menos à provas). O fato é que recentemente poucas corridas justificavam que eu abrisse a carteira, ou melhor, digitasse os números do cartão de crédito na tela de inscrição de corridas, seja pelos preços ou pela falta de provas diferentes. E se é para ficar com as provas tradicionais, que eu não dispenso em alguns casos, não tinha muito o que acrescentar aos leitores, então resolvi continuar meu treinamento para quem sabe, daqui a algum tempo, ter uma daqueles estórias sensacionais e absurdas do tipo que eu já contei aqui.

E o treinamento neste primeiro trimestre do ano não foi nada fácil, foram mais de 600 Km pelas minhas contas (ou melhor, planilhas) que tinham como alvo a Maratona de São Paulo, mas que infelizmente não conseguiram cobrir tudo o que precisava para o desafio de baixar o tempo. Cenas do próximo capítulo, ou melhor, leia mais abaixo. Fora isso, teve musculação, natação e outras modalidades para não enferrujar os grupos musculares errados. Para completar, uns 5 Kg a menos, o que é pouco, dada a carga de treinos.


Então vamos falar um pouco das três provas que participei neste trimestre, um resumo, já que vários textos anteriores já abordaram outras edições e, sinceramente, pouca coisa mudou neste ano para os eventos. A propósito, corrida de rua tem todo final de semana, mas “pipocar” não é comigo, vou só quando estou inscrito, por este motivo a seleção a dedo das provas que participo.

Meia Maratona Internacional de São Paulo 2017: todo ano eu digo que “não vou” ou “depois resolvo” e sempre acabo fazendo inscrição. Igualmente jamais me arrependo, apesar das mudanças de percurso que a prova sofreu ao longo dos anos, culpa exclusiva das más administrações públicas da cidade, que permitem a profilefaração de áreas perigosas na região central, a prova continua muito bem organizada e abastecida. Com seus percursos de 5 e 21 Km, a altimetria não é das mais fáceis, e para completar o evento costuma cair no dia do fim do horário de verão, aquela preocupação besta de perder a hora para acordar e uma hora a mais de sol na cabeça. E que sol, derreti e perdi o ritmo, fechando em 02:24:36, péssimo tempo, mas nem todo dia estamos bem para correr.

18ª Meia Maratona Internacional da Cidade de SP: a prova continua com as características de ser plana e em época fria, com largada bem cedo, a mudança veio por conta da largada, que deixou de ser na Cidade Universitária e foi para o Jóquei Clube. Quem foi de carro perdeu a comodidade de estacionar perto da largada/chegada, pois as opções são poucas no novo local, mas o percurso permanece com sua característica de velocidade. Este aqui, irresponsável como não poderia deixar de ser, a uma semana da Maratona de São Paulo resolveu jogar tudo para o alto e pisar fundo no acelerador, terminando os 21 Km em 01:57:34, recorde pessoal, finalmente, na distância que mais gosto.


Maratona de São Paulo 2017: era para ser um daqueles dias perfeitos, mas não foi. Tudo ia bem até a metade, meu planejamento em ordem e eu mantinha um ritmo acima do esperado, assim teria uma “reserva de tempo” se diminuísse muito. E aconteceu mesmo, após o Km 21 tive um superaquecimento, apesar do clima não estar tão quente assim, mas não teve jeito, precisei andar em vários trechos. Sabe o pior de tudo? Era a cabeça que não estava legal (lembra do motivo 2?) e eu tive uma espécie de “quebra mental” no percurso. Acabei fechando em 04:48:57, muito acima do que esperava, mas ainda meu 2º. Melhor tempo nesta prova, que não é das mais fáceis.

Mesmo sem provas no radar até a SP City Marathon em Julho, a qual será apenas um treino para as demais, vou tentar trazer alguns assuntos aqui de vez em quando.

Afinal, o blog não acabou, está só se recuperando (junto com o blogueiro).

(as fotos de chegadas da Meia e da Maratona de São Paulo foram disponibilizadas pela organização da prova em parceira com o portal MídiaSport; já a foto da Meia Maratona da Cidade de SP foi gentilmente enviada por e-mail pelo site Ativo... mais um motivo para não "pipocar" em provas por aí!)


sábado, 31 de dezembro de 2016

2016 corrido

Dê uma boa olhada no quadro de medalhas de 2016, aí ao lado. É bem provável que em 2017 ele seja bem menor. Crise? Em parte, afinal, o preço das provas está mais salgado que o suor que deixamos nas ruas, porém eu tenho outros objetivos de provas para o próximo ano e vou ter que limitar (ainda mais) o orçamento para determinados tipos de evento. Já fiz uma prévia das provas que pretendo participar no primeiro e até no segundo semestre, e mesmo com um calendário apertado ainda estou à espera do bom senso dos organizadores em oferecer preços melhores em alguns lotes, caso contrário o jeito é ficar com as ruas perto de casa para correr. Só para esclarecer, eu não sou a favor de “pipocar” em corridas só porque “a rua é pública”. Não, a rua não é pública, ela é da Prefeitura, que cobra alvará do organizador, e este repassa para o público na forma de inscrição, além de todas as despesas logísticas da realização dos eventos e seu lucro, afinal são empresas sérias que organizam as corridas.

O ano de 2016 foi difícil para todo mundo, e eu não sou exceção. Quanto às corridas, tive alguns dessabores, e qualquer dia pode ser que eu te conte aqui, por enquanto basta que você saiba que 2016 não merece retrospectivas, e sim análise, para que pelo menos fique a impressão de que o remédio foi amargo mas fez efeito. Não tenho do que reclamar, praticamente todos os eventos representados aí na foto foram muito bem organizados, deixo aqui meus sinceros parabéns aos organizadores, e porque não, aos corredores que fizeram de cada um deles um sucesso.


Já a foto acima não é uma sessão de exibicionismo da minha parte, mas sim um compartilhamento da melhor lição que tive neste ano: maratona não é brincadeira, não é oba-oba, prova longa para ficar fazendo selfies e confraternizando. É coisa séria, o impacto no corpo não é pequeno, e por isso mesmo é necessário aprender a aguentar o tranco da melhor forma possível. Sim, consegui tempos muito melhores nestas provas do que todas as 14 anteriores que fiz na distância de 42 Km (estou excluindo a do Ironman 2014, pela característica da competição), mas mesmo assim o que foi melhor absorvido não foram os “prints de telas” dos resultados, mas sim a experiência de gerenciar os diversos momentos das provas de maratona. Claro, nada digno de constar nos recordes mundiais, mas a corrida é um esporte individual, assim como os resultados, e estou satisfeito com o resultado final deste ano apesar das dificuldades.

Tem mais pela frente, aos poucos eu te conto.

Obrigado por acompanhar o blog no ano que passou, um excelente 2017 a todos os corredores, organizadores e envolvidos com nosso esporte predileto!

(O blogueiro humildemente pede desculpas pelos posts atrasados, mas as atividades do cotidiano falaram mais alto em alguns momentos. )

E 2016 termina (finalmente!) na tradicional Corrida Sargento Gonzaguinha

Apedrejar 2016 está na moda na última semana, então vamos fazê-lo nas corridas também, afinal, nem na nossa diversão predileta as coisas foram fáceis no ano que passou. Antes de fazer uma retrospectiva, vou contar um pouquinho sobre a já conhecida Corrida Sargento Gonzaguinha no último dia 11/12, que tem a chancela da Polícia Militar do Estado de São Paulo e é organizada pela Parreiras Sports, mantendo sua tradição de prova boa para correr, percurso plano, inscrição acessível e kit com somente o que interessa (e nem por isso menos bem preparado).

Kit entregue na véspera no próprio local de largada na área do guarda-volumes, simples, composto somente por uma boa camiseta e número de peito, mas com muita agilidade do staff, membros da
própria PM e alunos da escola. Enquanto isso, uma corrida mirim acontecia na pista de atletismo, com baterias divididas por faixa etária, botando os pequeninos para suar as camisetas. E de quebra, ver de perto equipamentos da Polícia Militar, como o helicóptero Águia e até um veículo de transporte do Batalhão de Choque. Marmanjos também não desgrudavam destas atrações.


Largando da Escola de Educação Física da PM, o percurso não sofreu grandes alterações nos últimos anos, acontecendo nas ruas da Zona Norte da cidade e passando pelas pistas laterais da Marginal Tietê, para desespero dos motoristas que logo cedo buscavam chegar à região central para as compras de final de ano. Gancho para a postagem sobre a Maratona de Curitiba: em nenhum momento eu considero o paulistano melhor que o curitibano ou vice-versa, mas sejamos justos, não vi ninguém estressado no trânsito aqui como estava lá durante a corrida, e olha que o transtorno causado pela lentidão nas marginais é sufocante para qualquer um.


Após um ano muito duro nas corridas, por motivos que nem interessam aqui (e que talvez eu te conte algum dia), larguei bem posicionado e coloquei um pouco de ritmo forte para os meus padrões, é claro, como havia sido nas últimas provas de curta distância. Dos 15 Km do percurso, resolvi testar uma tática que havia lido recentemente em uma matéria referente ao ritmo de provas longas, afinal, estava ali apenas para curtir a última corrida do ano: fui em um ritmo acima do meu normal nos primeiros 10 Km e depois diminui nos últimos 5 Km, propositalmente para simular o desgaste
de um trecho mais longo, e para aproveitar que o dia começava a ficar abafado.

Terminei o percurso com um novo recorde pessoal nesta prova, 01:24:01, e nem esperava por isso, pois como disse, era só para testar a estratégia (do Francês “stratégie”, entende?). O kit pós-prova é sempre recheado com 2 lanches, suco, água e um bolinho doce, nada mal para uma corrida muito bem organizada e que custou abaixo dos valores atuais das inscrições, R$ 70,00. Ainda aproveitei um incentivo dado pela Federação Paulista de Atletismo, que patrocinou 50% do valor para os associados ao programa Sócio Corredor.


E assim termina 2016, não vou fazer “melhores momentos” do ano, apesar de terem existido. Também não vai ter “to be continued...” mas sim “to be finished”, mas esta, como já falei, é outra estória.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Onze anos correndo e só agora eu fui em uma prova Track & Field!

Tem coisas que realmente não tem explicação. E a “explicação” aí do título é uma delas, ou seja, como é que uma pessoa que já está na casa das 230 medalhas de corrida (sim, eu conto) nunca cruzou com uma prova do maior circuito que temos no país, em diversas cidades? E com certeza seria mais um ano sem participar, não fosse pela cortesia cedida pela Federação Paulista de Atletismo através do Programa Sócio Corredor, que lá atrás em um evento de pista (veja aqui) nos presenteou com uma inscrição para duas etapas então disponíveis, Villa Lobos e Center Norte. Por morar mais perto do segundo, não tive dúvida, porém somente após algumas semanas após ter feito a inscrição, percebi que teria outro evento inadiável no mesmo dia, assistir ao vivo a Maratona das Olimpíadas Rio 2016. Como resolver?

Aí vem a diferença de ter uma prova com um excelente organizador, algo que muita gente não liga mas que nestas horas é fundamental. Entrei em contato com a Latin Sports e expliquei meu problema, sugerindo a transferência da minha inscrição para outro corredor. Gentilmente me explicaram que não seria possível por estar no regulamento, mas que poderiam cancelar a minha inscrição e oferecer para a 3ª. etapa da TFRS Cidade Center Norte que aconteceria em 27/11. Mesmo sabendo que seria apenas uma semana após a Maratona de Curitiba, não tive dúvida, aceitei prontamente. Em questão de minutos, recebi e-mail de cancelamento e um novo código promocional para
inscrever na outra prova. Alô Pipocas: entenderam agora por que se paga inscrição de prova? A rua está lá, mas não é qualquer um que tem uma organização destas para te atender!

Procedimento padrão, retirei o kit na loja Track & Field do Shopping Center Norte na véspera e fui para a largada por volta de 06:00 da manhã de um domingo nublado e de céu carrancudo. O único ponto negativo vem por parte da própria organização do shopping, que não soube direcionar direito o trânsito dos que chegavam pelos diversos acessos, causando bastante lentidão na região. Mesmo assim, largada pontual após a entrega de chip e parti para duas voltas de 5 Km no complexo Center Norte, formado por 2 shoppings, lojas grandes como Decathlon e Leroy Merlin e pavilhão de exposições. Sempre utilizando as vias que cercam o complexo e os estacionamentos, o percurso era totalmente plano e devido às
boas condições climáticas foi possível fechar em o trajeto em um tempo, digamos, absurdo de bom para os meus padrões: 53:47... pode isso?

Boa estrutura de guarda-volumes, retirada de medalha e staff muito bem treinado, que impedia os “espertinhos” de pegar kits e outras traquinagens como “dizer que correu sem chip porque estava atrasada”. A isenção do estacionamento é outro item que favorece a prova, pois conta com a segurança do shopping.

E eu, que vi este centro comercial da região
nascer lá na minha infância, tive a oportunidade de correr pelos seus arredores e finalmente participar de uma prova do circuito!

Agradecimento especial à Federação Paulista de Atletismo e ao profissionalismo da Latin Sports no atendimento ao corredor.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Cumprindo (sem dobrar) a meta na Maratona de Curitiba 2016

Se tem uma pergunta que me deixa doido da vida antes de uma corrida é a pergunta “vai fazer em quanto tempo?”. Mesmo em uma prova de 5 Km fica difícil dar uma previsão exata, em uma maratona então, adivinhar em quanto tempo se consegue terminar os 42.195 metros da largada até a chegada, pior ainda. Mesmo assim, eu havia definido um número que julgava possível que era uma meta a ser cumprida ainda neste tumultuado ano de 2016: 4 horas e 30 minutos, ou menos, quem sabe, se o vento estivesse a favor. Por “vento” entenda-se tudo que está envolvido ao enfrentar os 42 Km.

O que mais preocupou na edição deste ano, pelo menos para mim, começou há mais de 2 meses, quando as inscrições da prova não demonstravam sinais claros de que iriam iniciar. Devido à uma outra necessidade, entrei em contato com o antigo organizador, a Latin Sports, que vinha satisfatoriamente promovendo o evento nos últimos anos e aproveitei para lançar a pergunta sobre esta edição. Fui informado que não iriam organizar a prova, mas que acreditavam que outro organizador tivesse assumido. Faltando então os tais 2 meses, o site do organizador Thomé e Santos Eventos Esportivos passou a disponibilizar as inscrições para as distâncias de 5, 10, 42 Km e 21 Km revezamento. Uma pena que não tenha sido um pouco antes, pois eu tive a oportunidade de comprar passagens aéreas para
Curitiba para o final de semana da prova por um preço abaixo de uma passagem de ônibus, mas devido à indefinição resolvi esperar até a confirmação da prova.

Por não conhecer o organizador não sabia o que nos esperaria, mas confesso que fiquei muito satisfeito com o resultado final. A divulgação das informações poderia até ter sido enviada aos corredores (retirada de kits, horários, etc.), porém estavam claras no site do evento, e diga-se que quem quer vai atrás da informação correta. Novamente a retirada dos kits aconteceu em uma loja de esportes, da mesma rede da mesma do ano anterior, porém em outro local. Kit muito bonito para uma prova de valor R$ 94,00, com sacola, camiseta, viseira, número de peito e chip descartável, além de uma saborosa caixinha com 6 barrinhas de cereal. Com a largada no Centro Cívico, já tradicional da prova, optei por um hotel próximo, mas uma feliz surpresa ao ver a qualidade do Hotel Confiance, situado a menos de 1 Km da arena principal.

No dia da prova, tudo organizado como sempre, apesar de que desta vez não precisei dos serviços do guarda-volumes, que no ano anterior haviam sido uma verdadeira dor de cabeça para os corredores. Fiquei apenas um pouco decepcionado com a largada dos 42 Km às 07:15, esperava que fosse às 07:00, porém este foi o horário inicial das baterias feminina e em seguida cadeirantes. Temperaturas próximas dos 10 graus no horário de largada, mas o sol já mostrando que este seria um dia claro e com possibilidade de esquentar ao longo do período. No meu ritmo previsto, consegui manter a velocidade que pretendia, inclusive com as diferenças de altimetria que massacram o físico dos corredores neste já conhecido percurso.


E assim fui, precisando caminhar apenas em uns 2 ou 3 pontos após o Km 35, mais por cansaço do que por dores, mas também no sentido de gerenciar o que faltava de distância e a meta de tempo. Também administrei 3 sachês de carboidrato ao longo do percurso, que mais ao final é regado a Coca-Cola e alguns postos de isotônico pelo caminho. Na reta final, mantendo um bom ritmo de subida (quem
no planeta imagina fazer um percurso de maratona que termina em aclive???) passei a chegada com 04:31:08 pelo tempo oficial. Resumindo, menos de 2% de erro na previsão, o que digamos, não é fácil em uma distância onde tudo pode acontecer. Nada mal, missão cumprida, tirei mais 5 minutos do meu melhor tempo de 42 Km e comparado com o resultado de 2013 na mesma prova, mais de uma hora.


Parabéns a todos que participaram e concluíram as distâncias, e mais ainda ao organizador pelo excelente trabalho!

Mas peraí...

A reclamação de todo ano

Alguém explica como o povo curitibano, tão educado, que nos trata com sorriso no rosto e dedicação, se transforma em monstro quando está atrás do volante no dia da maratona da cidade? De novo esta reclamação, a prova traz dinheiro para a cidade, o comércio, movimenta de forma saudável um país em crise e uma população sedentária. Por que esta ignorância toda de buzinar, ofender corredores, brigar com staff e até com guardas de trânsito durante o evento? (sim, eu vi tudo isso). Concordo que houve um erro grave de falta de divulgação, a própria prefeitura deveria ter espalhado faixas pelas ruas avisando sobre o evento, mas mesmo assim a falta de respeito falou mais alto que as buzinas.

Outra reclamação que registro aqui é a quantidade de ciclistas de “apoio” ou mesmo aproveitando as ruas fechadas para pedalar. Cada placa de quilometragem da prova trazia o símbolo de “proibido bicicletas”, mas mesmo assim os corredores tomaram várias finas dos ciclistas. Será que não passa pela cabeça destas pessoas o estrago que seria para um corredor ser atingido por uma bicicleta? Mais um ponto negativo, que depende somente da boa educação de todos.

(olha, se você é curitibano e não se encaixa no perfil acima, não me leve à mal, é como diria um chefe que eu tive na hora de bronca: "é para todos e para ninguém específico...")


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Corrida dos Eucaliptos: (quase) tudo errado

O compromisso deste blog, que apesar de tudo reflete única e exclusivamente a percepção do autor, continua sendo fornecer informação útil ao leitor que gosta de corridas de rua e afins. Sendo assim, eu procuro ser o mais justo possível e trazer sempre o relato mais fiel das provas, apesar de muitas vezes um pouco atrasado como no caso desta postagem. Quando tudo corre bem (opa, desculpe o trocadilho) eu falo bem e com muita satisfação, mas quando as coisas saem dos eixos o jeito é abrir os fatos e deixar o leitor chegar às devidas conclusões, mesmo que o organizador não goste.

Em busca de um desafio diferente e que não custasse os olhos da cara, optei por uma corrida de montanha, tendo duas opções na segunda metade de setembro. Acabei escolhendo a Corrida dos Eucaliptos, que é organizada pela mesma equipe da Igaratá 23K, prova esta que já participei duas vezes e que considero sensacional. O local para tal empreitada seria uma propriedade particular na região de Santa Branca, pequena e simpática cidade a menos de uma hora de viagem a partir de São Paulo, perfeito para passar o final de semana descansando e correndo. Processo de inscrição simples e valor pouco acima das principais provas metropolitanas, mas dada a logística de uma corrida rústica, totalmente aceitável. Três distâncias foram oferecidas aos corredores, 7, 14 e 20 Km, sendo que este aqui não resiste e vai direto no maior percurso que supõe-se que as pernas aguentem.

Tudo pronto, estadia arranjada na vizinha Salesópolis, vizinha de Santa Branca e tão sossegada quanto, e bem na semana da prova recebemos a informação de que o local da corrida havia sido alterado. Nada mais que 11 Km de estrada para chegar à largada, o que digamos, é complicado para quem não está familiarizado com a região. Nem discuti, simplesmente ajustei-me ao fato e prossegui com os planos de viagem, fazendo uma parada em uma hípica da região para retirar o kit. Poucas explicações do que havia ocorrido realmente para causar uma mudança tão grande, fomos informados apenas que o proprietário do local resolveu que não iria mais ceder sua área para o evento. Em minha ignorância, acredito que a melhor saída teria sido reembolsar os corredores, aguentar as reclamações e cancelar o evento, porém foi encontrada a saída de realizar neste novo local.

O excelente Hotel Soares Camargo em Salesópolis havia até mesmo providenciado uma van que nos levaria ao local da largada com preço já definido, porém este precisou ser ajustado devido à maior distância. Ao longo da estrada, corredores uniformizados no dia da prova faziam gesto de carona, pois estavam no lugar errado para a largada, sem noção de distância entre o ponto original de largada e o novo. Este, por sinal, não possuía nenhuma estrutura para o trânsito de carros, vans e ônibus que se formou, virando um verdadeiro caos.
Estrutura de guarda-volumes e retirada de kits totalmente amontoada com as barracas de assessorias, e para completar, uma largada no mínimo esquisita. No sistema de som o locutor avisava que os todos havíamos “ganhado” mais 2 Km em cada percurso! Sabemos que as maratonas foram inventadas na Grécia antiga, e isto sim era um verdadeiro presente de grego.

O pessoal dos 14 Km largou, depois o dos 20 Km, e neste bolo estava eu, que não percebi que o pessoal dos 7 Km havia invadido o curral de largada e tumultuado nossa partida. Saí desembestado pedindo licença e gritando “Largou! Largou!” para abrir caminho. Não é só o organizador quem erra, eu saí com a mochila de hidratação toda solta, e logo de cara uma subida fez com que eu tivesse que caminhar e ajustar a tralha nas costas, o que me levou a não ligar o GPS de pulso. Como o celular estava com um daqueles programinhas de corrida, começou a marcar o ritmo, porém com muitos erros. Parei o programa e tentei depender só do GPS, que parecia mais preciso, apesar de ter sido acionado uns 500 metros além do ponto de largada.

O percurso começou bem, altimetria difícil, desafiadora, porém sem nenhuma marcação de quilometragem. Hidratação em garrafões de água para encher squeezes e bolsas de hidratação, o que é comum nestas provas para evitar gerar lixo com copinhos. O problema maior ainda estava por vir, os tais Kms a mais eram trilhas do estilo fila única, impossíveis de correr e até mesmo com troncos de árvores atravessados em alguns pontos. Este é o ponto alto dos problemas: em pontos fechados da trilha, com muita subida e perfil escorregadio, nenhum staff presente, para um corredor se acidentar e jamais conseguir ser socorrido não precisava muito. Graças a Deus não aconteceu nada, inclusive com tempo nublado mas sem chuva.

E este aqui, com mais problemas. Não bastassem as dores do percurso, que no dia seguinte me deixaram mais quebrado do que as de muitas maratonas, ainda teve um vazamento da bolsa de hidratação dentro da mochila. Como diz o Zé Colmeia, eu sou mais esperto que a maioria dos ursos, e sempre coloco a bolsa dentro de um saco plástico pensando nestas ocasiões. Foi que me salvou de ter um pouco de água até o posto de hidratação. Cena ridícula, correndo com a mochila, mangueira no peito e levando um saquinho que mais parecia ter um peixinho dentro do que meu reservatório de líquidos!


Enfim, uma prova complicada. De tudo o que me deixou mais preocupado foi a quantidade de corredores despreparados para trilhas (eu inclusive) que foram lançados em meio à mata densa e sem apoio do staff, um convite para o desastre. Nem sei a distância final, mas foram quase 22 Km que fiz em 02:48:16, tempo altíssimo, explicável apenas pela variação altimétrica.

Fiquei um pouco chateado, como disse no início, outra prova do mesmo organizador é uma de minhas prediletas, mas não posso dar voto de confiança após esta edição da Corrida das Eucaliptos.

Deixo para o leitor formular suas próprias conclusões, só posso atestar que o visual é realmente muito bonito, como vendido no processo de inscrição.