segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A emoção de uma Maratona Olímpica!

Em algum ponto do ano de 2015 eu me perguntei: “será que eu terei outra oportunidade na minha vida de ver a chegada de uma Maratona Olímpica ao vivo, além dos jogos que acontecerão no próximo ano aqui no Brasil?”. E é claro, como a probabilidade é de a não ter esta chance novamente, pelo menos por um bom tempo, decidi comprar ingresso para a sessão de Atletismo Maratona Masculina dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Mas não podia ser em qualquer setor, eu queria ali pertinho da chegada, para ver os corredores cruzarem o pórtico no momento mágico de concluir 42.195 metros de distância em uma Olimpíada. Quem sou eu, mero mortal que demora mais que o dobro do tempo deles para concluir um percurso destes, mas que precisava estar ali para conferir a grandiosidade destes atletas.

Contando um pouquinho do que aconteceu entre este momento de compra das entradas para o Setor A do Sambódromo do Rio de Janeiro e o instante em que
elas efetivamente chegaram pelo correio, nosso país atravessou períodos de grande instabilidade política e social. Desanimado, como muitos brasileiros, eu não queria mais saber de Olimpíada, não via muitos motivos para celebrar os jogos aqui. Mas com a proximidade do evento resolvi encarar a questão que eu levantei lá no começo do texto e agitei formas de chegar à Cidade Maravilhosa, curtir o evento e voltar para São Paulo no mesmo dia. Teria que vale a pena.

E valeu. Não vou falar de centavos, dinheiro a gente trabalha, ganha e gasta o tempo todo, mas aquele momento era algo que não existiria nunca mais, mesmo que novos jogos no futuro sejam realizados na cidade ou em nosso país. Apesar da adaptação feita para que a competição tivesse largada e chegada no Sambódromo e
não no Estádio Olímpico, por diversos motivos que aqui não vem ao caso, seria um momento em que o esporte que eu adoro e pratico teria seu momento máximo, e por isto não poderia ser menosprezado. A facilidade de acesso por transporte público ajudou muito a chegada ao local, o que garantiu um evento mais organizado ainda.

Chuva. Bom, isto não constava no ingresso, mas é a mesma coisa que temos que enfrentar ao se inscrever em uma corrida e o clima não colaborar. Enquanto gotas pesadas caíam do céu carioca, faltando 10 minutos para a largada os guerreiros entram na arena, aquecendo, trotando e acenando para o público, totalmente em festa. Para os heróis brasileiros que ali estavam entre os mais de 150 competidores, multidão ensandecida, gritando “Brasil! Brasil!” e seus nomes: Solonei Rocha da Silva, Paulo Roberto de Almeida Paula e nosso grande Marilson Gomes dos Santos, em sua terceira e última maratona olímpica.


Pontualmente às 09:30 eles largaram, rumo ao Aterro do Flamengo onde dariam 3 voltas de aproximadamente 10 Km e completariam os 42 Km pelo centro do Rio de Janeiro, após passar pelo Boulevard Olímpico.


Para quem estava no Sambódromo, apesar de parecerem 2 horas “de bobeira”, a coisa não foi bem assim: dois telões mostravam as imagens da prova, contudo um pouco mal posicionados em relação ao público de alguns setores. Apesar da liberdade de sair para as áreas comuns do Sambódromo para compra de comes e bebes, a maioria preferiu ficar nas arquibancadas, que lotavam gradualmente conforme a prova avançava pela manhã que já abria um pouco os céus. Até mesmo a escola
de samba carioca União da Ilha do Governador apareceu para fazer um desfile de mais de 600 integrantes pela Marquês de Sapucaí, alegrando ainda mais os presentes.

Pelo placar eletrônico e pelos telões era possível ver que nossos maratonistas não disputavam o pódio, mas mesmo assim os ânimos não se acalmaram, o público ansiava para ver quem seriam os melhores corredores de longa distância que o planeta oferecia naquele 21 de Agosto de 2016 na cidade do Rio de Janeiro.


E lá vem eles, medalha de ouro para Eliud Kipchoge do Quênia, prata para Feyisa Lilesa da Etiópia e bronze para Galen Rupp dos Estados Unidos. Campeões olímpicos, bem ali na minha frente! Nossos atletas, bravamente chegaram em 15º lugar – Paulo Roberto, 59º. Marilson e 78º. Solonei, agitando nossa bandeira, recebidos com muita alegria pelos brasileiros nas arquibancadas. Mas o ouro mesmo vai para o público, que aplaudiu e vibrou com cada corredor que se aproximava do pórtico, alguns mancando, outros até mesmo caídos a poucos metros da chegada, todos ali eram campeões e os espectadores comemoravam cada um que concluía o percurso.



Os momentos finais da prova foram realmente emocionantes, quando dois atletas cruzaram a entrada do sambódromo e os portões externos foram fechados, indicando o fim da maratona masculina. Methkal Abu Drais da Jordânia vinha em último, e na sua frente Kuniaki Takizaki do Camboja que deu um sprint final e cruzou a chegada ovacionado pelo público. Animado com a festa, pulou,
festejou, dançou, acenou para as arquibancadas, que imediatamente identificaram o país na camiseta e passaram a gritar “Camboja! Camboja!” para alegria total do atleta. Então diga, em que outro país do mundo você vai ver uma festa como esta? A expressão “o melhor do Brasil é o brasileiro” justificava o momento. Detalhe: ao sair do local do evento, o atleta foi novamente ovacionado e teve que tirar diversos selfies com seus novos fãs brasileiros que o interceptaram! O último colocado fechou com 02:46:18, e quero ver quem aqui se habilita a completar uma maratona com esta marca...


Infelizmente a tradição ditava que os maratonistas fossem condecorados somente na cerimônia de encerramento que aconteceria à noite no Maracanã, portanto o pódio montado apenas os presentou com o simbólico troféu olímpico, como os demais atletas ganharam ao longo das últimas duas semanas de competições.

Medalha de ouro... para mim?

Ah, não é para tanto. Mas ao tomar o rumo do Boulevard Olímpico, onde iria ver a Pira Olímpica e as demais atrações, passei por um camelô que vendia réplicas da
medalha que os campeões levavam para casa (e ele jurava que era de ouro, mas custava o mesmo que um sanduíche...). Seja lá do que for, comprei uma, mas tinha que ser uma “imitação” bem-feita, até a fita escolhi para ser o mais próximo da conquista real. Guardarei medalha e ingresso com carinho, assim como a lembrança de ter conferido ao vivo pelo menos um momento dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, que revelaram e consolidaram grandes atletas e que proporcionou este momento de alegria ao nosso povo.


Alguns links bem interessantes sobre o evento:


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A Histórica Corrida do Centro Histórico

Da série “corridas que não cansamos de correr”, meu melhor exemplo é a tradicional Corrida do Centro Histórico, que teve sua edição de número 21 neste último dia 14 de agosto na gelada região central da metrópole paulistana. Apesar do carinho que tenho por esta prova, neste ano não iria correr por estar aproveitando um período de “descanso” após duas maratonas quase seguidas, mas fui sorteado em um concurso da Federação Paulista de Atletismo através do programa Sócio Corredor, e como dizer não a um presentão desses? Na tradicional distância de 9 Km, fácil acesso e ótimo horário de largada, aceitei prontamente o convite e lá fui eu relembrar outras edições.

Um pouco da prova primeiro: organizada pela Corpore, a Corrida do Centro Histórico tem como ponto principal passar pelos principais marcos da região central da cidade de São Paulo, como Viadutos do Chá e Santa Ifigênia, Praça da Sé, Av. Ipiranga, Teatro Municipal e várias ruas clássicas para o paulistano. E quem conhece a região sabe, nada ali é plano, subidas e descidas estraçalham a musculatura de quem corre, e a emoção de usar as mesmas vias que durante a semana estão entupidas de carros, ônibus, táxis e pessoas para praticar esporte, é uma sensação deliciosa. O acesso é o melhor de todas as provas da cidade, a saída do Metrô São Bento
coloca o corredor praticamente na arena no evento, facilitando chegar e ir embora sem maiores dificuldades.

Retirada de kit muito rápida e organizada na loja Decathlon do Shopping Center Norte, também de fácil acesso pela Marginal Tietê ou até mesmo Metrô na estação Tietê, camiseta de manga longa já tradicional do evento muito bonita e de boa qualidade, além de número de peito e sacola do evento. Largada pontual às 07:00 da manhã, porém é de se estranhar a total ausência de controle no acesso às supostas
baias de largada, além da falta de educação de alguns corredores que simplesmente rasgaram as fitas que separavam cada pelotão para avançar à frente. Mesmo assim, a largada aconteceu sem atropelos, que é o grande prejuízo quando as pessoas não respeitam seus limites de tempo. E mais um resultado esperado para minhas capacidades, 50:36, e como eu disse, percurso com altimetria bem variada.


Esta prova tem um sabor especial para mim, dez anos atrás, quando comecei a correr, ganhei de brinde uma lesão na tíbia nos primeiros meses, uma fissura por stress. O médico mandou não correr por um tempo, e quando voltei, esta foi a primeira corrida que fiz. A sensação de vitória foi tremenda, outras lesões viriam, uma inclusive que eu carrego neste exato momento, mas a batalha continua. Em outras edições, lembro que foi o dia da Maratona das Olimpíadas de 2012 em Londres, e outra lembro que
tive uma noite de sono péssima, mas que mesmo assim corri numa boa na hora da prova. Em outra, lembro que a empresa que trabalhava patrocinava o evento, e “dominamos” com nosso uniforme pelo trajeto todo, uma festa e tanto. Por falar em empresa, o percurso passa por vários locais onde trabalhei, estudei, prestei serviços, enfim, parte de minha estória está ali no centro de São Paulo, local que se tivesse um pouco menos de descaso das últimas administrações municipais, seria nosso maior cartão postal. Para completar, esta edição de 2016 também aconteceu em um dia de Maratona Olímpica, na modalidade feminina no Rio de Janeiro.

Como você pode ver, motivos para correr não faltavam.

Agradecimentos à Federação Paulista de Atletismo pela cortesia!

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ASICS City Marathon: padrão internacional!

Imagine a corrida perfeita. Bom, sinto dizer, mas ela não existe, porém dá para chegar muito perto da excelência. Isto sem contar que a primeira edição já foi um sucesso de público, organização, estrutura e acima de tudo, respeito ao atleta. A Asics São Paulo City Marathon aconteceu no último 31 de julho e proporcionou uma experiência de corrida maravilhosa aos participantes, do processo de inscrição ao pós-prova. Claro, alguns pequenos inconvenientes, mas comparado com outros eventos, alguns com mais de vinte edições e que o organizador não aprende a fazer ajustes, pode ser considerada uma das melhores corridas do ano na capital paulista.

Antes de mais nada, minha participação não foi através de cortesia, desembolsei R$ 150,00 de inscrição e mais R$ 20,00 de ônibus da organização para poder voltar à área de largada, portanto os elogios são sinceros. Quem me conhece já sabe, a crítica viria se as expectativas não tivessem sido atendidas, mas foram superadas. O site do evento deixou bem claro todos os detalhes, estrutura, processo de inscrição, ofereceu ônibus para a transição das áreas chegada-largada e indicou transporte público adequando a estes locais. Sim, um valor um pouco acima do que estamos dispostos a desembolsar em um país em crise econômica, mas valeu cada centavo.

Nos dias que antecederam o evento, a estrutura montada para a entrega de kits contava com uma expo com diversos stands de patrocinadores, empresas do setor de esportes e corrida, uma loja exclusiva dos produtos da Asics e diversas palestras relacionadas, além de algumas específicas que tratavam os detalhes do percurso de 21 e 42 Km por profissionais experientes. Infelizmente foi necessário um espaço adequado para tudo isso, e a escolha do pavilhão da Expo Transamérica causou um pouco de transtorno para os que moram do outro lado da metrópole como é o meu caso. Também devido à distância e ao pouco tempo que tive para a retirada do kit, foi impraticável aproveitar melhor a feira e as palestras, terá que ficar para uma próxima participação.

Um diferencial da prova foi a data escolhida, em pleno inverno paulista, e largada cedo, com a primeira onda de corredores partindo às 06:00 da manhã de um domingo gelado na região do Estádio do Pacaembu. O primeiro inconveniente grave aconteceu aí, pois o sistema de guarda-volumes em ônibus gerou filas que se cruzavam, além de pouco preparo de alguns staffs, tudo isso com a escuridão da madrugada ainda prevalecente. Um pouco de aborrecimento para os corredores, mas tudo resolvido, é hora de correr.

As ondas largaram pontualmente às 06:00, 06:10 e 06:20 da manhã, todas com uma modesta festa devido ao horário e pelo fato do entorno da Praça Charles Miller ser cercado de prédios residenciais, porém com muito incentivo aos atletas. Na minha bateria, a última a largar, a banda da Polícia Militar do Estado de São Paulo, em suas peças executadas ainda encaixou um pouco do tema musical do filme “Gladiador”, que encheu as veias dos corredores de adrenalina para enfrentar a meia e a maratona que estavam prestes a começar.

Partimos então para um percurso que em grande parte faz jus à dimensão da cidade de São Paulo, passando pela região do Pacaembu, Centro Histórico, subindo a temida Av. Brigadeiro Luiz Antônio na altura do Km 10 do trajeto, atravessando a Av. Paulista, descendo até a região do Ibirapuera, Itaim, cruzando por baixo da Marginal do Rio Pinheiros e Jockey Club. Neste ponto os atletas dos 21 Km tomavam seu rumo em direção à chegada, já com quilometragem diferente dos maratonistas, pois no trecho do Ibirapuera estes deram uma esticada em volta do Obelisco. Seguimos então em direção à Ponte da Cidade Universitária, Parque Villa Lobos e voltamos para a USP, local de treino da maioria dos paulistanos nos sábados pela manhã. Voltando à região do Jóquei Club, uma última voltinha e o clima de chegada olímpica era total, já com os corredores eufóricos pela missão cumprida. Este aqui novamente baixou um pouco mais (alguns segundos) na distância dos 42 Km, fechando com 04:36:28 pelo tempo oficial.


O clima estava perfeito, muito gelado no início e esquentando aos poucos, o que garantiu uma performance boa para a grande maioria, talvez um pouco seco pela ausência de chuvas no mês de julho, mas ainda assim muito bom para correr. A prova teve uma estrutura perfeita ao longo do percurso, hidratação farta, Gatorade (esgotado somente no primeiro posto), esponja para resfriamento, gel de carboidrato, banana e até a distribuição de um creme contra assaduras. Sinalização muito bem posicionada, direcionamento do trânsito sem nenhum stress com os motoristas, postos de apoio muito bem posicionados. Enfim, uma estrutura de prova internacional, sendo a última reclamação de novo quanto ao guarda-volumes, pois ao chegar ao Jóquei Clube, o atleta precisava se deslocar quase 1 Km a mais para retirar seus pertences e voltar ao local de saída para o transporte disponibilizado pela organização. Pequena falha, com certeza será melhorada nas próximas edições.

Um ponto a ser levado em consideração é a existência de apenas duas distâncias nesta prova, 21 e 42 Km, que limita o perfil dos corredores inscritos. Não me entenda mal, eu adoro provas de 5 e 10 Km, participo sempre que possível, mas chegamos nestes eventos com outro astral, diferente de uma prova longa, onde ritmo deve ser levado em conta desde o início. Acredite, faz bastante diferença para o trecho inicial dividir o asfalto com quem está preparado para encarar horas de corrida ou com quem veio para terminar a atividade em menos de uma hora.


E por isso mesmo fica a expectativa de que a prova seja realizada novamente nos próximos anos, uma maratona a ser encaixada no calendário do corredor brasileiro.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Inverno com novidade no excelente Circuito das Estações 2016

E aí novamente aquela estória “já corri este circuito, não vou só para baixar o tempo” e coisas do tipo. Mas, pensando na inovação, os organizadores do Circuito das Estações Caixa 2016 presentearam os paulistanos com uma nova distância, 16 Km, para melhorar ainda mais o que já era bom. Pela maturidade do circuito, que sempre preservou o local de largada como a Praça Charles Miller em frente ao Estádio do Pacaembu, as provas só melhoram a cada ano, trazendo corredores novatos e experientes para as ruas da região central uma vez a cada estação do ano.

A retirada de kits foi novamente em um shopping center da região da prova, bem organizada e eficiente, onde o atleta ganhava uma ótima camiseta oficial, sacola, bandana e número de peito. O software de smartphone do organizador Ativo.com permitia a leitura do código de barras da inscrição direto na tela do celular, dispensando a papelada que geralmente temos que levar para retirar kit, outra ótima sacada.


Largada cedo e pontual, 07:00 da manhã, com 13 mil inscritos entre as distâncias de 16, 10 e 5 Km, esta última largando um pouco mais tarde. Como a região é de fácil acesso, resolvi ir de transporte público, porém um pouco de atraso da minha parte gerou um pequeno stress pré-prova no momento de arrumar a sacola do guarda-volumes e ir para o setor de largada. Vi diversos atletas e já pensei “vou ficar no fundão mesmo, tá bom que vou conseguir entrar no meu setor tão próximo do horário de largada, já deve estar um bagunça”. Total engano da minha parte, a entrada para cada funil era meticulosamente controlada pelo staff da prova, que só deixava passar quem estava destinado ao setor.
Fiquei impressionado, por ter feito um tempo razoável na edição do ano passado nos 10 Km, fui classificado para um setor bem à frente do fundão, o que gerou mais confiança no início da prova. Nota 10 para a organização, este tipo de classificação e controle de entrada deveria existir em toda prova, independentemente do tamanho.

Partimos então para experimentar a distância de 16 Km (aproximadamente 10 milhas), com excelente marcação de quilometragem, hidratação e sinalização do percurso. O trecho novo lembrou um pouco a prova que acontece no último dia do ano, passamos pelo Viaduto Pacaembu e fomos em direção à Av. Rio
Branco, percorremos a Al. Barão de Limeira e voltamos para a região do Elevado Costa e Silva, para o tradicional trecho do Minhocão. Ao final desta etapa os corredores de 16 Km encontravam os de 5 Km na Av. Pacaembu, o que tornava a festa ainda maior, pois terminavam todos juntos.

Vai saber o que deu neste aqui que escreve o texto, mas resolvi disparar numa velocidade que não é a minha, muito menos para uma distância de médio percurso como este, e terminei com 01:31:33, pace de 05:43 min/Km, algo inédito e para o qual eu não vinha treinando! Acho que a empolgação da novidade, aliada a um evento bem organizado foi a motivação que eu precisava para apertar um pouco mais que o normal.


Mais novidade vem aí, o Circuito das Estações Caixa 2016 – Primavera – São Paulo terá também a distância de 21 Km, ou seja, mais uma meia maratona no calendário paulistano! E é claro, não vou resistir, quem sabe recorde na minha distância predileta...


Agradecimentos à Multiplus e ao pessoal da CDN pelo convite para participar da prova!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Que tal uma corrida em pista?

Em pleno ano de Olimpíadas, nada melhor do que entrar no clima dos jogos e que experimentar a sensação de uma competição em pista de atletismo. Diferente de correr em provas de rua, a pista tem suas próprias regras, e o que parece fácil pela ausência de altimetria muitas vezes exige um esforço muito maior da parte mental do atleta em distâncias já dominadas. Mas vamos falar da prova, na verdade o 2º Torneio de Clubes Fundadores, Imprensa e Convidados, promovido pela Federação Paulista de Atletismo no último dia 25 e que reuniu corredores na pista de Atletismo do Ibirapuera para as distâncias de 5, 10 Km e revezamento, sempre em voltas de 400 metros.

Pode parecer fácil, mas para o atleta acostumado a correr 10 Km em ruas com altimetria variada, girar 25 voltas planas mantendo o ritmo não é uma tarefa simples. A competição, que teve clima de festa entre os clubes e convidados, foi levada a sério e com as regras das provas de atletismo dos 5.000 e 10.000 metros. Andar nem pensar, uma das características da competição era não caminhar no percurso, sempre mantendo um ritmo de corrida, sob pena de desclassificação, largadas com “tiros”,
marcação oficial de voltas pela arbitragem e até o clássico sino de última volta fizeram parte do evento, motivando ainda mais a busca de melhores marcas pessoais.

Para não tumultuar a pista, mesmo para distâncias já divididas entre masculino e feminino foi necessário criar baterias extras, afinal, o objetivo era que o evento fosse rigorosamente supervisionado pela arbitragem oficial. E todos saíram-se excepcionalmente bem, seja pelo clima descontraído dos clubes ou pela performance dos atletas, que demonstraram seriedade no momento da corrida. Devido às premiações por faixas etárias, este aqui, que dificilmente consegue subir ao pódio,
conseguiu até mesmo descolar um modesto 5º. Lugar na categoria Masters 3 nos 10.000 metros rasos, com tempo de 00:54:21, putz, meu recorde em tal distância! Porém o mais importante foi a participação e ter trocado o asfalto pela pista, algo que recomendo o leitor a fazer para sentir a diferença entre os ambientes.

Mas, a que clube pertenço? Na verdade, fui convidado por ser membro do Programa Sócio Corredor da Federação Paulista de Atletismo. Entre os principais atrativos da filiação estão a possibilidade de vantagens exclusivas para os corredores e tornar-se um atleta federado. Maiores informações sobre o programa você encontrará neste link: http://fpanarua.org.br/


Agradecimento especial à Federação Paulista de Atletismo pelo convite ao evento e que venham os próximos!



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Maratona de São Paulo 2016: um dia da corrida, outro do corredor

Também poderia chamar este post de “uma estória de amor e ódio”, mas vamos ao que interessa. O fato é que quando enfrentamos distâncias de 42.195 metros, conhecidas como “maratonas”, fica difícil dizer não para um evento que acontece na própria cidade. Como o calendário nacional de corridas oferece no máximo um evento deste tamanho por centro urbano, dizer “não” para a prova que corre “em casa”, é uma tremenda frustração, apesar de que eu já fiz isto algumas vezes por opção própria. Mesmo sendo a maratona que tive maior número de participações, pelos motivos expostos acima, é a que mais me deu surras intermináveis de quebras e outros traumas. Vide posts anteriores sobre as edições de 2009 para cá.

Mas chega o dia em que a prova vai te encontrar em um momento melhor, e aí as coisas serão diferentes. O problema é que este dia chegou em um mês de abril extremamente seco, sem chuvas, com temperaturas absurdas até mesmo para as madrugadas e muito, muito sol. Este dia, 24 de Abril de 2016, começou às 07:00 da manhã com termômetros esbarrando nos 25 graus, raio solares violentos e uma legião de atletas dispostos a enfrentar o asfalto em chamas nas distâncias de 5 milhas (8 Km), 15 milhas (24 Km) e 42 Km. Largada única, e após o stress de todo ano na fila do banheiro químico, tomei meu rumo em direção ao pelotão. Lá se foi meu fone de ouvido, que por estar pendurado na mala, acabou caindo sem que eu percebesse. Seriam longos 42 Km sem música, mas o jeito é enfrentar.

Eu havia criado um planejamento onde a cada 10 Km diminuiria um pouquinho o ritmo, pois sabia pelas experiências anteriores que seria difícil correr em ritmo forte até o final. Cada pessoa tem seu ritmo “forte”, e o meu é próximo dos 6 minutos por Km, o que para muitos corredores seria como se arrastar, mas a corrida é e sempre será um esporte individual. Eu começaria com 06:20 minuto/Km, diminuiria 10 segundos a cada 10 Km e chegaria até a expressiva marca de 07:10 minuto/Km no trecho final. Isto, é claro, se naquela sauna em que estávamos eu conseguisse chegar ao ritmo inicial.


Para minha surpresa precisei até mesmo controlar para não correr mais rápido que o previsto no início da prova. Estava com o GPS de pulso, pois sem os fones de ouvido eu estaria sem meu fiel companheiro software de corridas para smartphone. Logo na saída enfrentamos o primeiro túnel, passando por baixo da Av. Santo Amaro. Os corredores berravam de alegria ou gritavam mantras de times de futebol, mas só no início. Do meio para a frente, com o batalhão respirando pesado e com o calor do lado externo, o local parecia mais um forno de padaria.

O tráfego humano continuava pesado, mas sem empurra-empurra ou momentos de gargalo. O calor, aumentando. Quando cheguei ao Km 10 olhei a “colinha” do planejamento e vi que era hora de diminuir um pouco. Continuei no ritmo e posterguei a diminuição de velocidade por mais alguns minutos. Encontrei colegas mais a frente, cumprimentando alguns do outro lado da pista com acenos e os que estavam no mesmo trecho com um bate-papo animador sobre nossas últimas façanhas.

Descumprindo tudo que possa parecer correto, comecei a ignorar o planejamento para valer e apertar o passo para continuar no mesmo ritmo, 06:20 / Km, talvez um pouco mais em alguns trechos. Ao sair da raia olímpica da USP para a Av. Politécnica, os corredores das 15 milhas tomavam o rumo de sua chegada, e os maratonistas ainda tinham 18 Km pela frente, com muito sol por todos os lados. Alguns já caminhavam, pois esta avenida é ingrata no que diz respeito à sombras. E este aqui, correndo mais rápido do que deveria.

Ao voltar para a USP entramos por ruas já conhecidas por aqueles que treinam lá regularmente: estátua do cavalo, rua dos bancos, raia olímpica novamente. Quando cheguei no Km 30 joguei o planejamento para o alto, vamos ver até onde vai a brincadeira. Já havia consumido balas de goma, bananinha, cápsula de sal e gel de carboidrato, só não tinha coragem de abrir o amendoim por causa do calor.

Saímos da USP já próximo do Km 34 e voltando agora para o Ibirapuera e eu que vinha bem, precisei fazer algo inesperado para o momento: caminhar. Ao subir o primeiro túnel, na região do Jóquei Clube, uma fisgada leve na coxa esquerda, sinônimo de possível câimbra a caminho. Acabando a subida, retomei a corrida, agora sim em ritmo um pouco mais próximo da realidade, mas ainda assim abaixo de 07:00 minutos/Km.
Mais túneis, mesma estratégia, subir andando para não estragar tudo. E então, chegamos ao Km 41. Entrei na região da chegada em meio a um corredor de gente que aguardava seus entes queridos e com a bandeira brasileira agitando sobre a cabeça. Delírio dos presentes, muita gente aplaudia e berrava ao ver nosso símbolo da pátria, ainda mais nas mãos de um coitado daqueles que finalizava uma maratona. (a bela foto da chegada aí acima foi disponibilizada no site oficial da prova em parceria com o portal MídiaSport)

Terminei a Maratona Internacional de São Paulo 2016 com 04:36:43, debaixo de sol escaldante, sem música nos ouvidos, sem ter dormido direito na noite anterior. Se comparar com o resultado do ano anterior, um dos muitos em que as coisas deram errado, eram quase 57 minutos a menos! Descobri também que havia chegado na primeira metade dos concluintes, algo que nunca havia imaginado para uma prova dessas. Desidratação e dores, mas nada que Coca-Cola e Advil não resolvam.

No geral, boa organização, como sempre a chamada para os banheiros químicos em pouco número para a quantidade de inscritos, porém a hidratação estava excelente comparada com os anos anteriores. Kit muito bonito, camiseta Fila daquelas que dá vontade de usar até para sair, toalhinha, entrega eficiente. Como fiz a inscrição em lote promocional no ano anterior, paguei um valor que considero justo, R$ 80,00, para um evento deste porte. Crítica apenas quanto à divulgação do resultado oficial, que mesmo já passadas 2 semanas após o evento continua com listagem “extra oficial” no site e sem certificado.

Bom, fotinho orgulhosa com a medalha no peito, Obelisco do Ibirapuera ao fundo, e vamos para casa. Missão cumprida.

Em breve, tem mais.