quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Cumprindo (sem dobrar) a meta na Maratona de Curitiba 2016

Se tem uma pergunta que me deixa doido da vida antes de uma corrida é a pergunta “vai fazer em quanto tempo?”. Mesmo em uma prova de 5 Km fica difícil dar uma previsão exata, em uma maratona então, adivinhar em quanto tempo se consegue terminar os 42.195 metros da largada até a chegada, pior ainda. Mesmo assim, eu havia definido um número que julgava possível que era uma meta a ser cumprida ainda neste tumultuado ano de 2016: 4 horas e 30 minutos, ou menos, quem sabe, se o vento estivesse a favor. Por “vento” entenda-se tudo que está envolvido ao enfrentar os 42 Km.

O que mais preocupou na edição deste ano, pelo menos para mim, começou há mais de 2 meses, quando as inscrições da prova não demonstravam sinais claros de que iriam iniciar. Devido à uma outra necessidade, entrei em contato com o antigo organizador, a Latin Sports, que vinha satisfatoriamente promovendo o evento nos últimos anos e aproveitei para lançar a pergunta sobre esta edição. Fui informado que não iriam organizar a prova, mas que acreditavam que outro organizador tivesse assumido. Faltando então os tais 2 meses, o site do organizador Thomé e Santos Eventos Esportivos passou a disponibilizar as inscrições para as distâncias de 5, 10, 42 Km e 21 Km revezamento. Uma pena que não tenha sido um pouco antes, pois eu tive a oportunidade de comprar passagens aéreas para
Curitiba para o final de semana da prova por um preço abaixo de uma passagem de ônibus, mas devido à indefinição resolvi esperar até a confirmação da prova.

Por não conhecer o organizador não sabia o que nos esperaria, mas confesso que fiquei muito satisfeito com o resultado final. A divulgação das informações poderia até ter sido enviada aos corredores (retirada de kits, horários, etc.), porém estavam claras no site do evento, e diga-se que quem quer vai atrás da informação correta. Novamente a retirada dos kits aconteceu em uma loja de esportes, da mesma rede da mesma do ano anterior, porém em outro local. Kit muito bonito para uma prova de valor R$ 94,00, com sacola, camiseta, viseira, número de peito e chip descartável, além de uma saborosa caixinha com 6 barrinhas de cereal. Com a largada no Centro Cívico, já tradicional da prova, optei por um hotel próximo, mas uma feliz surpresa ao ver a qualidade do Hotel Confiance, situado a menos de 1 Km da arena principal.

No dia da prova, tudo organizado como sempre, apesar de que desta vez não precisei dos serviços do guarda-volumes, que no ano anterior haviam sido uma verdadeira dor de cabeça para os corredores. Fiquei apenas um pouco decepcionado com a largada dos 42 Km às 07:15, esperava que fosse às 07:00, porém este foi o horário inicial das baterias feminina e em seguida cadeirantes. Temperaturas próximas dos 10 graus no horário de largada, mas o sol já mostrando que este seria um dia claro e com possibilidade de esquentar ao longo do período. No meu ritmo previsto, consegui manter a velocidade que pretendia, inclusive com as diferenças de altimetria que massacram o físico dos corredores neste já conhecido percurso.


E assim fui, precisando caminhar apenas em uns 2 ou 3 pontos após o Km 35, mais por cansaço do que por dores, mas também no sentido de gerenciar o que faltava de distância e a meta de tempo. Também administrei 3 sachês de carboidrato ao longo do percurso, que mais ao final é regado a Coca-Cola e alguns postos de isotônico pelo caminho. Na reta final, mantendo um bom ritmo de subida (quem
no planeta imagina fazer um percurso de maratona que termina em aclive???) passei a chegada com 04:31:08 pelo tempo oficial. Resumindo, menos de 2% de erro na previsão, o que digamos, não é fácil em uma distância onde tudo pode acontecer. Nada mal, missão cumprida, tirei mais 5 minutos do meu melhor tempo de 42 Km e comparado com o resultado de 2013 na mesma prova, mais de uma hora.


Parabéns a todos que participaram e concluíram as distâncias, e mais ainda ao organizador pelo excelente trabalho!

Mas peraí...

A reclamação de todo ano

Alguém explica como o povo curitibano, tão educado, que nos trata com sorriso no rosto e dedicação, se transforma em monstro quando está atrás do volante no dia da maratona da cidade? De novo esta reclamação, a prova traz dinheiro para a cidade, o comércio, movimenta de forma saudável um país em crise e uma população sedentária. Por que esta ignorância toda de buzinar, ofender corredores, brigar com staff e até com guardas de trânsito durante o evento? (sim, eu vi tudo isso). Concordo que houve um erro grave de falta de divulgação, a própria prefeitura deveria ter espalhado faixas pelas ruas avisando sobre o evento, mas mesmo assim a falta de respeito falou mais alto que as buzinas.

Outra reclamação que registro aqui é a quantidade de ciclistas de “apoio” ou mesmo aproveitando as ruas fechadas para pedalar. Cada placa de quilometragem da prova trazia o símbolo de “proibido bicicletas”, mas mesmo assim os corredores tomaram várias finas dos ciclistas. Será que não passa pela cabeça destas pessoas o estrago que seria para um corredor ser atingido por uma bicicleta? Mais um ponto negativo, que depende somente da boa educação de todos.

(olha, se você é curitibano e não se encaixa no perfil acima, não me leve à mal, é como diria um chefe que eu tive na hora de bronca: "é para todos e para ninguém específico...")


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Corrida dos Eucaliptos: (quase) tudo errado

O compromisso deste blog, que apesar de tudo reflete única e exclusivamente a percepção do autor, continua sendo fornecer informação útil ao leitor que gosta de corridas de rua e afins. Sendo assim, eu procuro ser o mais justo possível e trazer sempre o relato mais fiel das provas, apesar de muitas vezes um pouco atrasado como no caso desta postagem. Quando tudo corre bem (opa, desculpe o trocadilho) eu falo bem e com muita satisfação, mas quando as coisas saem dos eixos o jeito é abrir os fatos e deixar o leitor chegar às devidas conclusões, mesmo que o organizador não goste.

Em busca de um desafio diferente e que não custasse os olhos da cara, optei por uma corrida de montanha, tendo duas opções na segunda metade de setembro. Acabei escolhendo a Corrida dos Eucaliptos, que é organizada pela mesma equipe da Igaratá 23K, prova esta que já participei duas vezes e que considero sensacional. O local para tal empreitada seria uma propriedade particular na região de Santa Branca, pequena e simpática cidade a menos de uma hora de viagem a partir de São Paulo, perfeito para passar o final de semana descansando e correndo. Processo de inscrição simples e valor pouco acima das principais provas metropolitanas, mas dada a logística de uma corrida rústica, totalmente aceitável. Três distâncias foram oferecidas aos corredores, 7, 14 e 20 Km, sendo que este aqui não resiste e vai direto no maior percurso que supõe-se que as pernas aguentem.

Tudo pronto, estadia arranjada na vizinha Salesópolis, vizinha de Santa Branca e tão sossegada quanto, e bem na semana da prova recebemos a informação de que o local da corrida havia sido alterado. Nada mais que 11 Km de estrada para chegar à largada, o que digamos, é complicado para quem não está familiarizado com a região. Nem discuti, simplesmente ajustei-me ao fato e prossegui com os planos de viagem, fazendo uma parada em uma hípica da região para retirar o kit. Poucas explicações do que havia ocorrido realmente para causar uma mudança tão grande, fomos informados apenas que o proprietário do local resolveu que não iria mais ceder sua área para o evento. Em minha ignorância, acredito que a melhor saída teria sido reembolsar os corredores, aguentar as reclamações e cancelar o evento, porém foi encontrada a saída de realizar neste novo local.

O excelente Hotel Soares Camargo em Salesópolis havia até mesmo providenciado uma van que nos levaria ao local da largada com preço já definido, porém este precisou ser ajustado devido à maior distância. Ao longo da estrada, corredores uniformizados no dia da prova faziam gesto de carona, pois estavam no lugar errado para a largada, sem noção de distância entre o ponto original de largada e o novo. Este, por sinal, não possuía nenhuma estrutura para o trânsito de carros, vans e ônibus que se formou, virando um verdadeiro caos.
Estrutura de guarda-volumes e retirada de kits totalmente amontoada com as barracas de assessorias, e para completar, uma largada no mínimo esquisita. No sistema de som o locutor avisava que os todos havíamos “ganhado” mais 2 Km em cada percurso! Sabemos que as maratonas foram inventadas na Grécia antiga, e isto sim era um verdadeiro presente de grego.

O pessoal dos 14 Km largou, depois o dos 20 Km, e neste bolo estava eu, que não percebi que o pessoal dos 7 Km havia invadido o curral de largada e tumultuado nossa partida. Saí desembestado pedindo licença e gritando “Largou! Largou!” para abrir caminho. Não é só o organizador quem erra, eu saí com a mochila de hidratação toda solta, e logo de cara uma subida fez com que eu tivesse que caminhar e ajustar a tralha nas costas, o que me levou a não ligar o GPS de pulso. Como o celular estava com um daqueles programinhas de corrida, começou a marcar o ritmo, porém com muitos erros. Parei o programa e tentei depender só do GPS, que parecia mais preciso, apesar de ter sido acionado uns 500 metros além do ponto de largada.

O percurso começou bem, altimetria difícil, desafiadora, porém sem nenhuma marcação de quilometragem. Hidratação em garrafões de água para encher squeezes e bolsas de hidratação, o que é comum nestas provas para evitar gerar lixo com copinhos. O problema maior ainda estava por vir, os tais Kms a mais eram trilhas do estilo fila única, impossíveis de correr e até mesmo com troncos de árvores atravessados em alguns pontos. Este é o ponto alto dos problemas: em pontos fechados da trilha, com muita subida e perfil escorregadio, nenhum staff presente, para um corredor se acidentar e jamais conseguir ser socorrido não precisava muito. Graças a Deus não aconteceu nada, inclusive com tempo nublado mas sem chuva.

E este aqui, com mais problemas. Não bastassem as dores do percurso, que no dia seguinte me deixaram mais quebrado do que as de muitas maratonas, ainda teve um vazamento da bolsa de hidratação dentro da mochila. Como diz o Zé Colmeia, eu sou mais esperto que a maioria dos ursos, e sempre coloco a bolsa dentro de um saco plástico pensando nestas ocasiões. Foi que me salvou de ter um pouco de água até o posto de hidratação. Cena ridícula, correndo com a mochila, mangueira no peito e levando um saquinho que mais parecia ter um peixinho dentro do que meu reservatório de líquidos!


Enfim, uma prova complicada. De tudo o que me deixou mais preocupado foi a quantidade de corredores despreparados para trilhas (eu inclusive) que foram lançados em meio à mata densa e sem apoio do staff, um convite para o desastre. Nem sei a distância final, mas foram quase 22 Km que fiz em 02:48:16, tempo altíssimo, explicável apenas pela variação altimétrica.

Fiquei um pouco chateado, como disse no início, outra prova do mesmo organizador é uma de minhas prediletas, mas não posso dar voto de confiança após esta edição da Corrida das Eucaliptos.

Deixo para o leitor formular suas próprias conclusões, só posso atestar que o visual é realmente muito bonito, como vendido no processo de inscrição.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Circuito O2 Primavera em nova distância: tudo certo!

Ah como eu gostaria de viver de blog de corrida! Bom, isto explica porque só consigo colocar um post no ar depois de duas semanas da prova, afinal de contas, meu trabalho é muito menos divertido que corridas de rua e afins. É como diz o ditado “adoraria cria um blog, mas não sei o que ele come...”, ou coisa do tipo. O fato é que tempo para treinar e até melhorar as marcas eu arranjo, mas colocar um texto no ar, já é outra estória. E olha só, distância nova no já consagrado Circuito O2, etapa Primavera São Paulo, com os deliciosos 21 Km, a minha medida preferida.

Há quem defenda que “circuitos” devem manter sua característica a cada ano, pois assim o corredor tem um parâmetro de comparação de uma edição para outra. Quem corre sabe que não funciona bem assim, tem dias que a coisa não rende, então simplesmente achar que você correu aquele percurso na primavera passada e vai conseguir fazer melhor nesta, às vezes é ilusão. Sem contar, é claro, a evolução que alguns buscam na distância, seus sofridos 10 Km de hoje podem ser um treininho básico daqui um ano. Desde a edição anterior, a Etapa Inverno que já contei aqui, as distâncias novas foram oferecidas aos corredores, primeiro 16 Km e agora 21 Km. Sem cortesia desta vez, mas sabendo que estaria pagando
por um evento bem organizado, lá fui eu enfrentar mais uma meia maratona (deve ser a de número 32, não atualizei o quadro de medalhas ainda).

Tudo muito bem organizado como da outra vez: inscrição pelo site, pequena mordida de pouco mais de R$ 100,00 no valor promocional, mas um kit descente e sem frescura, com uma daquelas camisetas que não dá coragem de colocar para correr, e sim somente para sair, pois é de tecido e acabamento superiores às demais. Largada cedo, 07:00 para os 5 Km e 07:30 para 10 e 21 Km, tudo muito ágil e com amplo espaço para atletas e acompanhantes em frente ao Estádio do Pacaembu. Divisão por baias de largada, baseadas em tempos anteriores para quem já correu as provas do organizador O2, mais uma vez destaco a inteligência deste tipo de divisão, muito fácil de ser feita em qualquer sistema de inscrição. E o frio, apesar da etapa ser da
Primavera, presenteou os corredores com temperaturas excelentes para a performance.

Parte do percurso já é manjada pela maioria, saída pela Av. Pacaembu e falando especificamente dos 21 Km, tomamos o rumo da Av. Rio Branco para depois chegar até o centro da cidade, região da Praça da República. Muitas curvas, algumas fechadas, mas com excelente sinalização e sem muvuca. Hidratação perfeita, algumas subidas e o trajeto do Elevado Costa e Silva, o Minhocão, também tradicional do circuito.


E mais alguns segundinhos ganhos nesta jornada, fechando com 02:02:21, uau, melhor tempo na distância até hoje! Não é lá grande coisa, mas evolução sempre é bom. Os
organizadores (de novo, não ganhei cortesia, paguei do bolso), estão de parabéns, pela iniciativa de incluir a meia maratona no circuito e por executar tudo de forma eficiente e com respeito pelo corredor.

Agora, por que o título do post é “tudo certo”? Bom, como você leu, aqui tudo certo, mas no próximo já vou adiantar que as coisas não foram tão bem assim...

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A emoção de uma Maratona Olímpica!

Em algum ponto do ano de 2015 eu me perguntei: “será que eu terei outra oportunidade na minha vida de ver a chegada de uma Maratona Olímpica ao vivo, além dos jogos que acontecerão no próximo ano aqui no Brasil?”. E é claro, como a probabilidade é de a não ter esta chance novamente, pelo menos por um bom tempo, decidi comprar ingresso para a sessão de Atletismo Maratona Masculina dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Mas não podia ser em qualquer setor, eu queria ali pertinho da chegada, para ver os corredores cruzarem o pórtico no momento mágico de concluir 42.195 metros de distância em uma Olimpíada. Quem sou eu, mero mortal que demora mais que o dobro do tempo deles para concluir um percurso destes, mas que precisava estar ali para conferir a grandiosidade destes atletas.

Contando um pouquinho do que aconteceu entre este momento de compra das entradas para o Setor A do Sambódromo do Rio de Janeiro e o instante em que
elas efetivamente chegaram pelo correio, nosso país atravessou períodos de grande instabilidade política e social. Desanimado, como muitos brasileiros, eu não queria mais saber de Olimpíada, não via muitos motivos para celebrar os jogos aqui. Mas com a proximidade do evento resolvi encarar a questão que eu levantei lá no começo do texto e agitei formas de chegar à Cidade Maravilhosa, curtir o evento e voltar para São Paulo no mesmo dia. Teria que vale a pena.

E valeu. Não vou falar de centavos, dinheiro a gente trabalha, ganha e gasta o tempo todo, mas aquele momento era algo que não existiria nunca mais, mesmo que novos jogos no futuro sejam realizados na cidade ou em nosso país. Apesar da adaptação feita para que a competição tivesse largada e chegada no Sambódromo e
não no Estádio Olímpico, por diversos motivos que aqui não vem ao caso, seria um momento em que o esporte que eu adoro e pratico teria seu momento máximo, e por isto não poderia ser menosprezado. A facilidade de acesso por transporte público ajudou muito a chegada ao local, o que garantiu um evento mais organizado ainda.

Chuva. Bom, isto não constava no ingresso, mas é a mesma coisa que temos que enfrentar ao se inscrever em uma corrida e o clima não colaborar. Enquanto gotas pesadas caíam do céu carioca, faltando 10 minutos para a largada os guerreiros entram na arena, aquecendo, trotando e acenando para o público, totalmente em festa. Para os heróis brasileiros que ali estavam entre os mais de 150 competidores, multidão ensandecida, gritando “Brasil! Brasil!” e seus nomes: Solonei Rocha da Silva, Paulo Roberto de Almeida Paula e nosso grande Marilson Gomes dos Santos, em sua terceira e última maratona olímpica.


Pontualmente às 09:30 eles largaram, rumo ao Aterro do Flamengo onde dariam 3 voltas de aproximadamente 10 Km e completariam os 42 Km pelo centro do Rio de Janeiro, após passar pelo Boulevard Olímpico.


Para quem estava no Sambódromo, apesar de parecerem 2 horas “de bobeira”, a coisa não foi bem assim: dois telões mostravam as imagens da prova, contudo um pouco mal posicionados em relação ao público de alguns setores. Apesar da liberdade de sair para as áreas comuns do Sambódromo para compra de comes e bebes, a maioria preferiu ficar nas arquibancadas, que lotavam gradualmente conforme a prova avançava pela manhã que já abria um pouco os céus. Até mesmo a escola
de samba carioca União da Ilha do Governador apareceu para fazer um desfile de mais de 600 integrantes pela Marquês de Sapucaí, alegrando ainda mais os presentes.

Pelo placar eletrônico e pelos telões era possível ver que nossos maratonistas não disputavam o pódio, mas mesmo assim os ânimos não se acalmaram, o público ansiava para ver quem seriam os melhores corredores de longa distância que o planeta oferecia naquele 21 de Agosto de 2016 na cidade do Rio de Janeiro.


E lá vem eles, medalha de ouro para Eliud Kipchoge do Quênia, prata para Feyisa Lilesa da Etiópia e bronze para Galen Rupp dos Estados Unidos. Campeões olímpicos, bem ali na minha frente! Nossos atletas, bravamente chegaram em 15º lugar – Paulo Roberto, 59º. Marilson e 78º. Solonei, agitando nossa bandeira, recebidos com muita alegria pelos brasileiros nas arquibancadas. Mas o ouro mesmo vai para o público, que aplaudiu e vibrou com cada corredor que se aproximava do pórtico, alguns mancando, outros até mesmo caídos a poucos metros da chegada, todos ali eram campeões e os espectadores comemoravam cada um que concluía o percurso.



Os momentos finais da prova foram realmente emocionantes, quando dois atletas cruzaram a entrada do sambódromo e os portões externos foram fechados, indicando o fim da maratona masculina. Methkal Abu Drais da Jordânia vinha em último, e na sua frente Kuniaki Takizaki do Camboja que deu um sprint final e cruzou a chegada ovacionado pelo público. Animado com a festa, pulou,
festejou, dançou, acenou para as arquibancadas, que imediatamente identificaram o país na camiseta e passaram a gritar “Camboja! Camboja!” para alegria total do atleta. Então diga, em que outro país do mundo você vai ver uma festa como esta? A expressão “o melhor do Brasil é o brasileiro” justificava o momento. Detalhe: ao sair do local do evento, o atleta foi novamente ovacionado e teve que tirar diversos selfies com seus novos fãs brasileiros que o interceptaram! O último colocado fechou com 02:46:18, e quero ver quem aqui se habilita a completar uma maratona com esta marca...


Infelizmente a tradição ditava que os maratonistas fossem condecorados somente na cerimônia de encerramento que aconteceria à noite no Maracanã, portanto o pódio montado apenas os presentou com o simbólico troféu olímpico, como os demais atletas ganharam ao longo das últimas duas semanas de competições.

Medalha de ouro... para mim?

Ah, não é para tanto. Mas ao tomar o rumo do Boulevard Olímpico, onde iria ver a Pira Olímpica e as demais atrações, passei por um camelô que vendia réplicas da
medalha que os campeões levavam para casa (e ele jurava que era de ouro, mas custava o mesmo que um sanduíche...). Seja lá do que for, comprei uma, mas tinha que ser uma “imitação” bem-feita, até a fita escolhi para ser o mais próximo da conquista real. Guardarei medalha e ingresso com carinho, assim como a lembrança de ter conferido ao vivo pelo menos um momento dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, que revelaram e consolidaram grandes atletas e que proporcionou este momento de alegria ao nosso povo.


Alguns links bem interessantes sobre o evento:


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A Histórica Corrida do Centro Histórico

Da série “corridas que não cansamos de correr”, meu melhor exemplo é a tradicional Corrida do Centro Histórico, que teve sua edição de número 21 neste último dia 14 de agosto na gelada região central da metrópole paulistana. Apesar do carinho que tenho por esta prova, neste ano não iria correr por estar aproveitando um período de “descanso” após duas maratonas quase seguidas, mas fui sorteado em um concurso da Federação Paulista de Atletismo através do programa Sócio Corredor, e como dizer não a um presentão desses? Na tradicional distância de 9 Km, fácil acesso e ótimo horário de largada, aceitei prontamente o convite e lá fui eu relembrar outras edições.

Um pouco da prova primeiro: organizada pela Corpore, a Corrida do Centro Histórico tem como ponto principal passar pelos principais marcos da região central da cidade de São Paulo, como Viadutos do Chá e Santa Ifigênia, Praça da Sé, Av. Ipiranga, Teatro Municipal e várias ruas clássicas para o paulistano. E quem conhece a região sabe, nada ali é plano, subidas e descidas estraçalham a musculatura de quem corre, e a emoção de usar as mesmas vias que durante a semana estão entupidas de carros, ônibus, táxis e pessoas para praticar esporte, é uma sensação deliciosa. O acesso é o melhor de todas as provas da cidade, a saída do Metrô São Bento
coloca o corredor praticamente na arena no evento, facilitando chegar e ir embora sem maiores dificuldades.

Retirada de kit muito rápida e organizada na loja Decathlon do Shopping Center Norte, também de fácil acesso pela Marginal Tietê ou até mesmo Metrô na estação Tietê, camiseta de manga longa já tradicional do evento muito bonita e de boa qualidade, além de número de peito e sacola do evento. Largada pontual às 07:00 da manhã, porém é de se estranhar a total ausência de controle no acesso às supostas
baias de largada, além da falta de educação de alguns corredores que simplesmente rasgaram as fitas que separavam cada pelotão para avançar à frente. Mesmo assim, a largada aconteceu sem atropelos, que é o grande prejuízo quando as pessoas não respeitam seus limites de tempo. E mais um resultado esperado para minhas capacidades, 50:36, e como eu disse, percurso com altimetria bem variada.


Esta prova tem um sabor especial para mim, dez anos atrás, quando comecei a correr, ganhei de brinde uma lesão na tíbia nos primeiros meses, uma fissura por stress. O médico mandou não correr por um tempo, e quando voltei, esta foi a primeira corrida que fiz. A sensação de vitória foi tremenda, outras lesões viriam, uma inclusive que eu carrego neste exato momento, mas a batalha continua. Em outras edições, lembro que foi o dia da Maratona das Olimpíadas de 2012 em Londres, e outra lembro que
tive uma noite de sono péssima, mas que mesmo assim corri numa boa na hora da prova. Em outra, lembro que a empresa que trabalhava patrocinava o evento, e “dominamos” com nosso uniforme pelo trajeto todo, uma festa e tanto. Por falar em empresa, o percurso passa por vários locais onde trabalhei, estudei, prestei serviços, enfim, parte de minha estória está ali no centro de São Paulo, local que se tivesse um pouco menos de descaso das últimas administrações municipais, seria nosso maior cartão postal. Para completar, esta edição de 2016 também aconteceu em um dia de Maratona Olímpica, na modalidade feminina no Rio de Janeiro.

Como você pode ver, motivos para correr não faltavam.

Agradecimentos à Federação Paulista de Atletismo pela cortesia!

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ASICS City Marathon: padrão internacional!

Imagine a corrida perfeita. Bom, sinto dizer, mas ela não existe, porém dá para chegar muito perto da excelência. Isto sem contar que a primeira edição já foi um sucesso de público, organização, estrutura e acima de tudo, respeito ao atleta. A Asics São Paulo City Marathon aconteceu no último 31 de julho e proporcionou uma experiência de corrida maravilhosa aos participantes, do processo de inscrição ao pós-prova. Claro, alguns pequenos inconvenientes, mas comparado com outros eventos, alguns com mais de vinte edições e que o organizador não aprende a fazer ajustes, pode ser considerada uma das melhores corridas do ano na capital paulista.

Antes de mais nada, minha participação não foi através de cortesia, desembolsei R$ 150,00 de inscrição e mais R$ 20,00 de ônibus da organização para poder voltar à área de largada, portanto os elogios são sinceros. Quem me conhece já sabe, a crítica viria se as expectativas não tivessem sido atendidas, mas foram superadas. O site do evento deixou bem claro todos os detalhes, estrutura, processo de inscrição, ofereceu ônibus para a transição das áreas chegada-largada e indicou transporte público adequando a estes locais. Sim, um valor um pouco acima do que estamos dispostos a desembolsar em um país em crise econômica, mas valeu cada centavo.

Nos dias que antecederam o evento, a estrutura montada para a entrega de kits contava com uma expo com diversos stands de patrocinadores, empresas do setor de esportes e corrida, uma loja exclusiva dos produtos da Asics e diversas palestras relacionadas, além de algumas específicas que tratavam os detalhes do percurso de 21 e 42 Km por profissionais experientes. Infelizmente foi necessário um espaço adequado para tudo isso, e a escolha do pavilhão da Expo Transamérica causou um pouco de transtorno para os que moram do outro lado da metrópole como é o meu caso. Também devido à distância e ao pouco tempo que tive para a retirada do kit, foi impraticável aproveitar melhor a feira e as palestras, terá que ficar para uma próxima participação.

Um diferencial da prova foi a data escolhida, em pleno inverno paulista, e largada cedo, com a primeira onda de corredores partindo às 06:00 da manhã de um domingo gelado na região do Estádio do Pacaembu. O primeiro inconveniente grave aconteceu aí, pois o sistema de guarda-volumes em ônibus gerou filas que se cruzavam, além de pouco preparo de alguns staffs, tudo isso com a escuridão da madrugada ainda prevalecente. Um pouco de aborrecimento para os corredores, mas tudo resolvido, é hora de correr.

As ondas largaram pontualmente às 06:00, 06:10 e 06:20 da manhã, todas com uma modesta festa devido ao horário e pelo fato do entorno da Praça Charles Miller ser cercado de prédios residenciais, porém com muito incentivo aos atletas. Na minha bateria, a última a largar, a banda da Polícia Militar do Estado de São Paulo, em suas peças executadas ainda encaixou um pouco do tema musical do filme “Gladiador”, que encheu as veias dos corredores de adrenalina para enfrentar a meia e a maratona que estavam prestes a começar.

Partimos então para um percurso que em grande parte faz jus à dimensão da cidade de São Paulo, passando pela região do Pacaembu, Centro Histórico, subindo a temida Av. Brigadeiro Luiz Antônio na altura do Km 10 do trajeto, atravessando a Av. Paulista, descendo até a região do Ibirapuera, Itaim, cruzando por baixo da Marginal do Rio Pinheiros e Jockey Club. Neste ponto os atletas dos 21 Km tomavam seu rumo em direção à chegada, já com quilometragem diferente dos maratonistas, pois no trecho do Ibirapuera estes deram uma esticada em volta do Obelisco. Seguimos então em direção à Ponte da Cidade Universitária, Parque Villa Lobos e voltamos para a USP, local de treino da maioria dos paulistanos nos sábados pela manhã. Voltando à região do Jóquei Club, uma última voltinha e o clima de chegada olímpica era total, já com os corredores eufóricos pela missão cumprida. Este aqui novamente baixou um pouco mais (alguns segundos) na distância dos 42 Km, fechando com 04:36:28 pelo tempo oficial.


O clima estava perfeito, muito gelado no início e esquentando aos poucos, o que garantiu uma performance boa para a grande maioria, talvez um pouco seco pela ausência de chuvas no mês de julho, mas ainda assim muito bom para correr. A prova teve uma estrutura perfeita ao longo do percurso, hidratação farta, Gatorade (esgotado somente no primeiro posto), esponja para resfriamento, gel de carboidrato, banana e até a distribuição de um creme contra assaduras. Sinalização muito bem posicionada, direcionamento do trânsito sem nenhum stress com os motoristas, postos de apoio muito bem posicionados. Enfim, uma estrutura de prova internacional, sendo a última reclamação de novo quanto ao guarda-volumes, pois ao chegar ao Jóquei Clube, o atleta precisava se deslocar quase 1 Km a mais para retirar seus pertences e voltar ao local de saída para o transporte disponibilizado pela organização. Pequena falha, com certeza será melhorada nas próximas edições.

Um ponto a ser levado em consideração é a existência de apenas duas distâncias nesta prova, 21 e 42 Km, que limita o perfil dos corredores inscritos. Não me entenda mal, eu adoro provas de 5 e 10 Km, participo sempre que possível, mas chegamos nestes eventos com outro astral, diferente de uma prova longa, onde ritmo deve ser levado em conta desde o início. Acredite, faz bastante diferença para o trecho inicial dividir o asfalto com quem está preparado para encarar horas de corrida ou com quem veio para terminar a atividade em menos de uma hora.


E por isso mesmo fica a expectativa de que a prova seja realizada novamente nos próximos anos, uma maratona a ser encaixada no calendário do corredor brasileiro.