terça-feira, 4 de junho de 2019

Ultramaratona Bertioga-Maresias, em sua versão “Light” de 42 Km

Prova tradicional no calendário paulista, a Ultramaratona de Revezamento Bertioga-Maresias  chama a atenção de grupos distintos, de um lado as equipes que irão em conjuntos de 3, 6 ou 8 integrantes, e do outro os que não querem dividir os 75 Km do percurso com mais ninguém, os ultramaratonistas. Mas e quem não tem ou não quer equipe ou que não se sente preparado para uma ultramaratona, qual a opção? Apesar de parecer difícil de acreditar, sim, é possível considerar 42 Km como sendo “light”, mas nunca “easy” quando se pensa em um evento deste porte. Se mesmo assim o corredor solitário ainda achar que é pouco, ainda foi disponibilizada a opção “hard”, largando mais tarde e enfrentando o trecho mais duro da prova. Pois é, com tantas opções no cardápio, não dá para resistir.

Ter um Ironman e uma Comrades no currículo não me torna necessariamente apto a enfrentar de cara um evento como este na distância total, então resolvi encarar a extensão da maratona, 42 Km, no perfil “light”, largando às 05h15 da manhã e com poucas subidas, percorrendo na maior parte do tempo pela areia dura da praia entre Bertioga e Juréia, além de umas poucas trilhas e até mesmo alguns trechos de rodovia. A largada dos ultramaratonistas acontecia às 05h00 da manhã, com chuva fina e ainda escuro, onde um grupo muito maior que o dos maratonistas partiu em direção à praia de Maresias, 75 Km adiante. Largadas pontuais, tanto para os Survivors quanto para os maratonistas “light”, praia muito escura com algumas luzes vindas do calçadão e um ou outro corredor munido de lanterna, como era o meu caso.

Voltemos um pouquinho aos itens básicos: inscrição muito simples através de um site bem direcionado do organizador Cia de Eventos,
porém com um valor um pouco acima das provas normais, R$ 199,00 no lote em que fiz a minha, sendo que foi um dos primeiros. Retirada do kit em uma loja de esportes na Zona Sul de São Paulo e com a opção de retirar em Bertioga no dia anterior à prova, também muito eficiente. O kit em si era composto por número de peito, chip (munhequeira), sacola e camiseta, além de um mapa para os carros e bicicletas de apoio. Carros de apoio ainda recebiam um adesivo para serem identificados em condomínios fechados, como seria o caso de alguns pontos de troca das equipes, mas para os 42 Km não foi identificado a necessidade. Conversei com o organizador e expliquei que a esposa estaria no meio da prova e providenciaria hidratação e alimentação, mas foi garantido que o acesso ocorreria sem problemas, o que de fato aconteceu.

Se por um lado não recebemos um kit cheio de bugigangas de patrocinadores, por outro ganhamos uma camiseta somente com a indicação da prova, muito bonita, sem aqueles logotipos de empresas apoiadoras, o que a torna convidativa para vestimenta normal. Carreguei comigo uma mochila de hidratação com 2 litros de água, 2 squeezes, sendo um com isotônico e o outro com maltodextrina, além de gel de carboidrato e bananinhas para o primeiro trecho de 21 Km até o PC3, terceiro posto de controle e troca de revezamento. Ou seja, quase 3 Kg a mais que o próprio peso, além de estar com tênis apropriado para trilha e solo irregular, que naturalmente é mais pesado que um tênis de asfalto. Para uma prova foi uma experiência nova carregar tanta coisa nos 42 Km, mas muitos treinos para a Comrades tiveram desta extensão para cima, e eu sempre saia carregado com tudo isso ou mais, portanto não era nenhuma novidade absoluta.


Praias entre cada PC, sempre com algum trecho de trilha, asfalto ou rodovia logo na sequência após a troca para as equipes ou apoio solo, e no Km 21, como combinado, a esposa estava com bolsa de hidratação cheia e squeezes suplementares para repor o estoque. A prova oferecia hidratação em copos a cada 3 Km, mas como não sabia como estaria o clima, optei por levar meu próprio estoque de líquidos, pois debaixo de sol poderia ser altamente necessário.
Também se considera que numa prova destas não é apenas beber e jogar no chão como nas corridas em asfalto onde o serviço público de varrição removerá os resíduos, é necessário parar, beber e descartar o copo, o que pode ser um incômodo se feito várias vezes no percurso.

Mais chuva e vento frio, PC4 passou tranquilo e chegou o mais longo trecho, até o PC5, onde seriam 14,2 Km de areia dura, praticamente 1/3 da prova até a chegada. E com pórtico simples, mas com muita comemoração dos que aguardavam os maratonistas “light”, completei o trajeto de (aproximadamente) 42 Km em 05:28:31, um tempo alto, porém compatível com uma prova mais dura como esta.


Opinião geral: valeu cada milímetro, cada gota de chuva, uma corrida muito diferente das que estou acostumado e que vale a pena ser experimentada. Ponto positivo para a organização, muito eficiente em todos os detalhes, minha única sugestão é revisar o regulamento, pois parece um pouco confuso na questão de tempos limite, mas fora isso todo o resto funcionou perfeitamente.



Quanto a fazer os 75 Km solo... quem sabe na próxima.

terça-feira, 19 de março de 2019

Corrida virtual... e se a moda pegar?


Hoje em dia tudo é “virtual”: sua agência bancária, seus amigos, seus dados... por que não a corrida também? Antes que os sedentários de plantão pensem algo do tipo “essa sim eu faço”, o conceito não é só ficar no sofá fazendo de conta que está correndo, a parte virtualizada é o evento em si, mas não o esforço físico. Surgida recentemente com alguns eventos que até apareceram em calendários de provas “reais”, o conceito de uma corrida virtual é voltado ao atleta que vai correr no seu tempo, no seu lugar, e o mais importante de tudo, no seu próprio ritmo. Então é um treino? Não deixa de ser, mas tem com premiação e tudo ao final.

Resolvi experimentar um “evento” do tipo para satisfazer minha curiosidade, a Ice Run, organizada pela 99Run, onde o conceito era bem próximo de uma prova normal: inscrição pela internet, prazos, regulamento, distâncias para cada gosto, kit e medalha ao final, mas com o diferencial de correr quando e onde quisesse, inclusive na esteira, para cumprir o estabelecido. A inscrição, já com postagem do kit “pós-prova” estava em torno de R$ 37,00 quando fiz a minha, mas com um cupom de desconto promocional acabou saindo pouco mais de R$ 30,00, um pequeno preço para se experimentar o formato.

Regras básicas: inscrição na modalidade desejada (4, 7, 12, 21 ou 42 Km), prazo para inscrição e comprovação da distância até 20/03/2019, vale qualquer treino registrado pelos principais aplicativos de corrida (Strava, Nike, RunKeeper, etc.) ou foto da esteira com o tempo e distância final, desde que em data após a confirmação da inscrição. Como diz o site, compre hoje, corra amanhã. O processo de inscrição era feito através de sites de inscrição, no meu caso através do Ativo.com, e como o pagamento foi feito em cartão de crédito, a aprovação aconteceu logo em seguida e eu já estava liberado para comprovar minha participação.

Resolvi pegar um dos treinos longos e fazer um pouco a mais de rodagem, fechando os 21 Km. Como meu percurso padrão tem em torno de 18 Km, fiz um pouco de vai-e-volta para completar o trajeto, e só por segurança, corri com o Strava no celular e o TomTom no relógio, pois se um travasse (o que não é tão difícil de acontecer), teria o outro para comprovar o feito. Domingo ensolarado, mochila de hidratação nas costas, completei meu percurso com aferimento oficial do Stavava em 02:26:19, lento mas diga-se, não muito plano. É claro que a cobrança de tempo não é tão grande quanto estar em uma corrida, com outras pessoas ao redor, mas sabendo que você entrará em um ranking, também não dá para enrolar muito.

Na sequência, tudo muito fácil: cadastro rápido no site, envio da tela
do aplicativo de celular, confirmação de endereço de entrega do kit e até uma lojinha com mais algumas bugigangas de corredor caso o participante quisesse aproveitar o frete já pago na inscrição. Chegaram então e-mails informativos com as etapas de embalagem do kit, postagem e código de rastreamento, tudo muito bem organizado. Quarta-feira da mesma semana eu já estava com o kit em mãos, composto por:
  • 1 medalha com cordão personalizado com a distância
  • 1 número de peito (acredito que igual para todos, apenas de recordação)
  • 1 álbum do corredor com 1 figurinha da corrida ICERUN
  • 1 manual do corredor
  • 1 carbogel
  • 1 torrone sport
  • 5 barrinhas de gergelim (brinde comemorativo da Semana da Mulher)



Tudo de excelente qualidade, inclusive a medalha que é muito bonita, portanto valeu pela experiência. Há outras corridas no circuito 99Run e eu não descarto em participar novamente, pois o serviço prestado foi muito bom, além de ser um evento diferente no cotidiano de treinos e provas. Então, uma breve análise:

Pontos positivos
  • motiva a cumprir a distância contratada, pois vai necessitar comprovação.
  • também motiva a não enrolar o treino, para “sair bonito na foto”.
  • baixo custo, brindes muito bacanas e mais uma medalha para a coleção.
  • pelo menos desta empresa, 99Run, só posso elogiar a organização e eficiência do processo.

Pontos negativos
  • nada substitui uma corrida de verdade, onde encontra-se colegas, corre-se com outros atletas, enfrenta-se o que der e vier de clima e temperatura.
  • talvez o corredor mais exigente considere um gasto desnecessário para o que pode ser considerado somente um “treino”, mas vai de cada um.
  • deve-se considerar o prazo de comprovação e a distância, pois muitas vezes o corredor não tem o tempo durante uma semana normal de trabalho para cumprir um trajeto extenso.

Sugestão
  • oferecer um sugestão de kit com camiseta, tendência dos provas atuais.


Como disse acima, missão cumprida, mais um tipo de evento experimentado e muito satisfeito com o resultado (não tanto do meu tempo, mas sabe como é, corredor nunca está feliz com seus números...)

domingo, 3 de março de 2019

Subindo a montanha, no Circuito Cantareira


Treinar para prova de asfalto é fácil, qualquer rua ou calçada resolve, agora quero ver você se preparar para uma prova em terreno selvagem... e é o que este aqui está tentando fazer neste começo de ano, onde a primeira dificuldade não foi o terreno propriamente dito, mas as possibilidades existentes. Depois de ter feito coisas que não são consideradas “normais” pela maioria dos corredores, como Ironman e Comrades, resolvi que precisava de desafios mais elaborados, e a escolha foi ter um pouco mais de contato com a natureza, seja em trilhas ou praias. Mas para quem mora em São Paulo, capital, isto não é lá muito fácil, pela inexistência de litoral na cidade e pelas poucas opções de corrida em ambientes ao ar livre. Montanhas ao nosso redor não faltam, mas ficar se metendo nelas sem acompanhamento pode não ser uma ideia muito boa. Viajar é ótimo, para correr melhor ainda, mas exige tempo e gastos.

A opção que encontrei então foi uma espécie de prova, na verdade um treino, parte do Circuito Cantareira, mas com camiseta, medalha e até premiação na cidade de Mairiporã, distante pouco mais de 50 Km da capital. E para mim, que em 5 minutos já estou na estrada partindo da Zona Norte de São Paulo, tornou a inscrição ainda mais atrativa. Completando o quadro, a retirada de kit era tão perto de casa que dava para ir andando. O 4º Treinão de Férias apresentava as seguintes opções para quem fosse enfiar a cara no mato: 8, 21 ou 45 Km. Sim, pois logo na largada já entrávamos em uma trilha fechada, onde formou-se uma fila única saltando raízes, abaixando a cabeça para não acertar os galhos e seguindo lentamente até onde já se conseguia correr em terra batida.

Mas a alegria durou pouco, logo adiante a fila formou-se de novo e cruzamos um riacho com água na cintura, com auxílio de staff e
bombeiros. Aventura total, com mais raízes e barro adiante. Aliás, se tivesse chovido na véspera, ia ser só lama, mas tivemos sorte em enfrentar um terreno um pouco mais seco no restante do percurso. Como ditam as boas regras de provas na natureza, a maioria estava munida de mochilas de hidratação, de forma a não gerar lixo na forma de copos e garrafas plásticas pelo caminho. Mesmo assim, a organização ainda ofereceu dois pontos de hidratação para o pessoal dos 8 Km e mais alguns para as outras distâncias.

O trajeto propriamente dito era muito bem sinalizado por fitas zebradas penduradas em árvores, cercas, galhos ou qualquer ponto bem visível aos corredores. Nos trechos
de asfalto, setas indicavam o caminho no próprio chão, além do próprio staff posicionado nos trechos mais estratégicos. Pelo menos para quem enfrentou a distância de 8 Km, que foi meu caso, sem nenhuma incidência de problemas, apenas um ou outro corredor que caiu ou passou mal, mas nada que impedisse o bom andamento do evento.

Largada e chegada foram em um restaurante à beira da estrada em Mairiporã, de fácil acesso a todos, e no final uma bela medalha não em latão, mas de material ecológico. Sensacional, primeira incursão em trilhas foi um sucesso total, sem nenhum tombo (eu sou desastrado) e nenhuma lesão, apenas aquela vontade que todo corredor conhece: quando é quem tem outra dessas?

Por fim, no pacote da inscrição o corredor ainda ganhava o direito de baixar as excelentes fotos tiradas pelos fotógrafos do site Sportclick. Tudo isso pelo preço de uma inscrição normal de prova, portanto, de ótimo custo/benefício.



Mais uma incursão por terras desconhecidas... e vai ter mais, em breve novos relatos de provas diferentes.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Inscrição de corrida: relação de consumo?


Talvez o pessoal “das antigas” lembre daquele episódio do Pica-Pau onde o cachorro dizia “Em todos esses anos nessa indústria vital, é a primeira vez que isso me acontece”. A corrida também é uma indústria, de inscrições de provas, vestuário, equipamentos e mais uma porção de tralhas que ninguém sabe nem pra que serve, mas que giram capital do mesmo jeito. Apesar de não trabalhar nesta “indústria”, sou consumidor de tudo isso, afinal calculo que menos de 10% das 265 provas que fiz até hoje foram cortesia ou gratuitas, o resto foi pago (e às vezes, muito bem pago).

Só que minha suada - e nos tempos atuais é bom também dizer honesta - renda não é capim, portanto, eu não gosto quando empresa e comércio tentam me passar a perna e lesar os meus direitos como consumidor. O ponto onde vou chegar, é um fato ocorrido entre o final do ano passado e o início deste, que envolveu a organização de uma prova que foi remarcada, oferecida aos participantes que não pudessem estar na nova data o reembolso das inscrições e até mesmo a opção de participar da etapa de 2019. Bacana, né? Só que eu precisei partir pra cima do site de inscrições e exigir que tal o reembolso fosse realizado, primeiro subindo o tom da conversa e depois registrando uma reclamação em um site apropriado. Quase chegou ao ponto de procurar os órgãos de defesa do consumidor, mas, voltando à frase do desenho animado, em 13 anos de corridas de rua, esta seria a primeira vez que isso seria necessário.

Uma das provas que mais gosto na distância dos 21 Km é a Meia Maratona de Santo André, uma prova dura, com altimetria forte e percurso nada fácil. Se não já não bastasse, da Zona Norte de São Paulo até Santo André são quase 30 Km de deslocamento, na véspera para retirar o kit e no dia da corrida, mas mesmo assim eu tento encaixar a prova no calendário. Em 2018, sabe-se lá por qual motivo, a corrida que costumava acontecer em abril, mês de aniversário da cidade, ficou para o fim do ano, no dia 02/12. O verão chegou e com ele fortes chuvas na semana anterior à prova, que causaram muitos problemas nas cidades do ABC paulista, quando optou-se por adiar o evento para o dia 16/12. Achei a atitude prudente e louvável, a segurança dos participantes em primeiro lugar, porém a organização noticiou que quem não pudesse correr na nova data, receberia o reembolso da inscrição. Este era o meu caso, que tendo pago 2 inscrições de R$ 90,00 cada e com compromisso no dia 15, sem condições de estar no dia seguinte em Santo André, optei pela devolução do valor pago.

Por uma questão de organização, foi informado que somente após 10 dias úteis os valores seriam devolvidos.
Aguardei, entrei em contato com o site de inscrições e não obtive resposta satisfatória. Novo contato, mais informação engessada na resposta. Na terceira vez, muito após os tais 10 dias úteis, já com a paciência no limite, informei que medidas mais severas seriam tomadas. Recebi e-mail informando que a empresa de cartão de crédito estornaria o valor, aguardando apenas mais alguns dias, o que de fato ocorreu. Caso encerrado, reclamação resolvida.

Mas, será que todos os corredores fizeram a mesma coisa, ou tirando a parte de exigir seus direitos, pelo menos pediram que os valores fossem reembolsados, conforme anunciado publicamente? Acredito que não, e é aí que levanto este questionamento: a inscrição em uma corrida de rua é algo geralmente caro, digamos, um valor que a pessoa poderia direcionar para outra finalidade. Portanto, o serviço contratado do fornecedor, ou seja, do organizador, deve ser prestado ou reembolsado. Não vou entrar no mérito de serviços mal prestados, como vemos em alguns eventos de corrida, pois o critério pode ser subjuntivo e precisaria de comprovação de vários corredores para surtir algum efeito legal sobre a organização. Uma vez que a não execução do serviço, entregar o kit, executar a corrida, oferecer segurança aos participantes, etc, não foi cumprida, nada mais justo que reaver os valores pagos. Muitos organizadores colocam em seus regulamentos (sim, eu leio regulamentos de provas!) que não haverá devolução de valores, mas é hora de rever este conceito, pois o corredor está contratando um serviço, e a lei garante que ele deve ser executado como está no contrato... neste caso, no regulamento!

Para finalizar e defender meu ponto de vista, gostaria de compartilhar uma situação que já vivi várias vezes e acredito que outros corredores também. De vez em quando alguém me diz “Mas por que você paga inscrição de prova? A rua é pública, não tem que cobrar!”. Eu, na minha curta paciência, explico que a rua é administrada pelas prefeituras, departamentos de trânsito, e muitos outros serviços, que somente através de alvará liberam o espaço público para a
execução do evento esportivo. Trocando em miúdos, este alvará é beeeeem caro, portanto, os corredores estão rateando o valor para poderem participar das corridas. Nada mais justo, também, que o organizador tenha seu lucro, pois são um CNPJ e merecem ser remunerados pelos serviços prestados.

De qualquer forma, fico muito chateado de ter chegado neste ponto de conflito com um site de inscrições e mesmo com um organizador de provas. Pretendo continuar consumindo os serviços dos dois, entre tantos outros, mas que espero que sem maiores atritos daqui para a frente.

E o leitor, o que acha da relação corrida x consumo e os valores atuais? Utilize os comentários abaixo para deixar sua opinião.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Esse foi 2018: 10 anos de blog, Comrades, provas tradicionais e corridas diferentes...


Nem precisa se preocupar, não vai ser mais uma daquelas “retrospectivas” de fim de ano, mas vale a pena lembrar o que marcou a vida deste blog e do blogueiro na linha de chegada de hoje.

Para começar, este blog completou recentemente 10 anos de existência, com sua primeira postagem em 18 de Novembro de 2008. Como o Facebook não existia da forma como utilizamos atualmente, os blogs de corridas de rua estavam em alta, muitos corredores postavam suas corridas, dicas, levantavam questões e até se conheciam pessoalmente! Grandes amigos saíram destes textos para a vida real, mesmo com as postagens nas redes sociais serem em maior volume e muitas vezes se perdendo em meio à tanto conteúdo. Resolvi não migrar tudo para o Facebook, mas a página do blog na plataforma aponta para cada uma das postagens, levando o conteúdo para quem quiser seguir o texto todo.

A primeira postagem...
Bobinha, né? Mas tinha que começar de algum jeito!
E teve a Comrades, é claro, cruzar o Oceano Atlântico até a África do Sul para correr.... 90 Km! Lembrar que um dia eu coloquei a dúvida para mim mesmo se terminaria uma prova de 6 Km, e depois de 12 anos correndo partir para uma loucura dessas, realmente tem “um oceano” de bons e maus momentos no asfalto. Se eu volto no próximo ano? Infelizmente não, dado o fato de ter outros compromissos, mais a logística (e grana!) para um viagem dessas, minha participação está registrada. Para não ser repetitivo, há uma sequênciade postagens sobre a prova, e ficarei muito feliz em responder qualquer pergunta que o leitor possa ter sobre o evento, o qual recomendo totalmente.

são mais de 12 horas em movimento, levantar às 03:30 horas da manhã
até chegar no hotel às 20:00 horas, mas vale cada momento!
A insistência em fazer as provas locais é tão grande que nem produzi muitas postagens sobre o assunto, pois o blog já tem material suficiente sobre edições anteriores. Continuo gostando muito tanto da Meia quanto da Maratona Internacional de São Paulo, além da SP City Marathon e corridas menores como Sargento Gonzaguinha, Maratona de Revezamento Pão de Açucar, Olga Kos e Circuito da Cidadania. Esta última, porém, mesmo que tenha continuação, não participarei mais, dado um problema com a inscrição que quase me levou a ir para o evento no dia de bobeira. A cada ano seleciono as provas tradicionais que vou, sempre alternando para poder medir o quanto melhoram ou pioram, exceto a Gonzaguinha, que participo anualmente como fechamento do meu calendário.

Porém foi na participação em provas novas e com menor estrutura que percebi o quanto os organizadores se esforçam para realizar um bom evento para os corredores. Maratona Nilson Lima em Uberlândia (esta apenas 15 dias após a Maratona de São Paulo, como treino para a Comrades), Corrida Barão de Jundiahy nas dependências de uma base do Exército Brasileiro e as MeiaMaratonas Caminhos do Mar e de Alphaville (os 21 Km mais pesados que já fiz!) foram surpresas agradáveis que valeram os deslocamentos até as cidades onde aconteciam.

E por fim, nenhuma lesão grave, nenhum susto, e os quase 1.500 Km de treino no primeiro semestre no treinamento da Comrades fizeram um ano sensacional para o meu calendário, digno dos 10 anos de existência do blog!

Novidades vem aí, não só nas provas, mas até nas postagens, que vou retomar com mais frequência (pronto, faltava um promessa de Ano Novo...)

Sem mais enrolação, ano que que vem tem mais, Feliz 2019!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Belas, diferentes, nada fáceis: duas provas de 21K imperdíveis!

Cansado de correr sempre na Av. 23 de Maio, ou na região do Pacaembu ou lá no extremo da Marginal Pinheiros? Se você é de São Paulo capital e imediações deve estar com a mesma sensação que eu, às vezes repetir provas ou circuitos que só trocam o nome começa a transformar as competições monótonas e caras. Então, sem precisar se deslocar muito para fora da cidade, vamos a duas meias maratonas que não são para qualquer um, dada sua dificuldade de altimetria, mas que valem a pena como desafios alternativos.

Pontos positivos, ambas são do mesmo organizador, a Caminhos do Mar, com estrutura simples e eficiente, além de preços acessíveis. E finalmente um organizador que tem o respeito pelo corredor e permite retirar o kit no dia da prova!

Pontos (mais ou menos) negativos, são próximas no calendário, o que pode ser um pouco desgastante devido ao percurso que exige bastante dos corredores. E ambas com camisetas quase iguais, excelentes, mas muito parecidas.

Atenção, gastos extras a considerar em cada evento:
- Ingresso para o Parque Estadual da Serra do Mar (R$ 32,00)
- Pedágio na Rodovia Castelo Branco, Praça Barueri (R$ 4,20)
* valores com base na data de publicação desta postagem


Meia Maratona Estrada Velha, 
tudo que desce, sobe...


A prova que dá nome ao organizador é uma das mais incríveis e difíceis que o corredor irá enfrentar nos percursos de 10, 15 ou 21 Km, pois basicamente metade será descida e a outra metade o percurso de retorno, ou seja, subida. Mas o visual desta incrível corrida por dentro do Parque Estadual da Serra do Mar irá levar o
corredor pela estrada velha que liga a via Anchieta até Cubatão, uma viagem no tempo, onde fazer este tipo de doideira por simples diversão seria considerado insano. A descida exigirá muito das pernas do corredor, dada a inclinação da pista, ficando plano somente no trecho onde os atletas passam pelas instalações da Petrobrás em Cubatão com retorno pouco além do pórtico de entrada da cidade. E aí, o que era descida vai virar subida pelo mesmo caminho, onde a maioria irá caminhar em muitos trechos para vencer o aclive.



Uma prova diferente e com visual incrível, que mesmo com chuva durante quase todo o trajeto não tirou a beleza da região. Ver a baixada santista lá do alto, passar ao lado das imensas estruturas da companhia petrolífera como dutos, reservatórios e toda sua complexidade, além da beleza natural deste pequeno pedaço da Mata Atlântica que ainda sobrevive em meio ao crescimento desordenado da região Sudeste, torna o evento mais especial ainda, sem preocupação de terminar com tempos ou recordes.


Como diz o slogam da prova: desafio de prova de montanha, com o conforto e segurança de uma prova de rua, em meio a natureza exuberante!

Meia Maratona de Alphaville,
se não está descendo, está subindo...

Imagine a seguinte situação: após passar o tapete de largada, nada mais será plano. Novamente, 10, 15 ou 21 Km serão ida e volta, então o alívio da descida agora será o martírio da subida na volta, e vice-versa. Em um comparativo com a prova anterior, considero esta
mais dura, pois o sobe e desce exige bastante da musculatura, especialmente na alternância do movimento. Descer tudo e depois subir, por incrível que pareça, pode até ser mais fácil.

Logo após a largada, em frente à uma faculdade na cidade de Barueri, o corredor tem à sua frente colinas e mais colinas nos arredores, passando por bairros planejados e de condomínios fechados, além de muitos trechos de vias somente com a vegetação ao redor. Mais uma prova com estilo que garante o contato da natureza sem precisar sair do asfalto, mas que exige bastante treino de altimetria.

dados do Strava
Quem está acostumado só com a esteira ou com os parques mais planos, melhor pensar duas vezes antes de enfrentar as pirambeiras desta competição. Mas o esforço vale a pena, apesar dos dias seguintes “de molho” para recuperar a musculatura. E de novo, chuva fina em alguns pontos, abafado em outros, como no caso da Caminhos do Mar.


Na primeira nem dava para pensar em melhorar tempo devido à altimetria brusca da subida, mas na segunda, após passar pelo ponto de retorno de metade do percurso com um tempo muito além do meu normal, resolvi brincar de “split negativo” e tentar fazer a segunda metade em menor tempo que a primeira. E consegui, mesmo que seja por alguns segundos apenas.

Vale a pena considerar estas provas para seu próximo calendário, além de outras bem interessantes do organizador Caminhos do Mar.

(só para lembrar: não é post patrocinado, o organizador não me deu inscrições nem desconto, merece os elogios pela qualidade dos eventos... se tivesse que descer a lenha, eu descia, mas só posso exaltar as duas corridas!)