terça-feira, 19 de março de 2019

Corrida virtual... e se a moda pegar?


Hoje em dia tudo é “virtual”: sua agência bancária, seus amigos, seus dados... por que não a corrida também? Antes que os sedentários de plantão pensem algo do tipo “essa sim eu faço”, o conceito não é só ficar no sofá fazendo de conta que está correndo, a parte virtualizada é o evento em si, mas não o esforço físico. Surgida recentemente com alguns eventos que até apareceram em calendários de provas “reais”, o conceito de uma corrida virtual é voltado ao atleta que vai correr no seu tempo, no seu lugar, e o mais importante de tudo, no seu próprio ritmo. Então é um treino? Não deixa de ser, mas tem com premiação e tudo ao final.

Resolvi experimentar um “evento” do tipo para satisfazer minha curiosidade, a Ice Run, organizada pela 99Run, onde o conceito era bem próximo de uma prova normal: inscrição pela internet, prazos, regulamento, distâncias para cada gosto, kit e medalha ao final, mas com o diferencial de correr quando e onde quisesse, inclusive na esteira, para cumprir o estabelecido. A inscrição, já com postagem do kit “pós-prova” estava em torno de R$ 37,00 quando fiz a minha, mas com um cupom de desconto promocional acabou saindo pouco mais de R$ 30,00, um pequeno preço para se experimentar o formato.

Regras básicas: inscrição na modalidade desejada (4, 7, 12, 21 ou 42 Km), prazo para inscrição e comprovação da distância até 20/03/2019, vale qualquer treino registrado pelos principais aplicativos de corrida (Strava, Nike, RunKeeper, etc.) ou foto da esteira com o tempo e distância final, desde que em data após a confirmação da inscrição. Como diz o site, compre hoje, corra amanhã. O processo de inscrição era feito através de sites de inscrição, no meu caso através do Ativo.com, e como o pagamento foi feito em cartão de crédito, a aprovação aconteceu logo em seguida e eu já estava liberado para comprovar minha participação.

Resolvi pegar um dos treinos longos e fazer um pouco a mais de rodagem, fechando os 21 Km. Como meu percurso padrão tem em torno de 18 Km, fiz um pouco de vai-e-volta para completar o trajeto, e só por segurança, corri com o Strava no celular e o TomTom no relógio, pois se um travasse (o que não é tão difícil de acontecer), teria o outro para comprovar o feito. Domingo ensolarado, mochila de hidratação nas costas, completei meu percurso com aferimento oficial do Stavava em 02:26:19, lento mas diga-se, não muito plano. É claro que a cobrança de tempo não é tão grande quanto estar em uma corrida, com outras pessoas ao redor, mas sabendo que você entrará em um ranking, também não dá para enrolar muito.

Na sequência, tudo muito fácil: cadastro rápido no site, envio da tela
do aplicativo de celular, confirmação de endereço de entrega do kit e até uma lojinha com mais algumas bugigangas de corredor caso o participante quisesse aproveitar o frete já pago na inscrição. Chegaram então e-mails informativos com as etapas de embalagem do kit, postagem e código de rastreamento, tudo muito bem organizado. Quarta-feira da mesma semana eu já estava com o kit em mãos, composto por:
  • 1 medalha com cordão personalizado com a distância
  • 1 número de peito (acredito que igual para todos, apenas de recordação)
  • 1 álbum do corredor com 1 figurinha da corrida ICERUN
  • 1 manual do corredor
  • 1 carbogel
  • 1 torrone sport
  • 5 barrinhas de gergelim (brinde comemorativo da Semana da Mulher)



Tudo de excelente qualidade, inclusive a medalha que é muito bonita, portanto valeu pela experiência. Há outras corridas no circuito 99Run e eu não descarto em participar novamente, pois o serviço prestado foi muito bom, além de ser um evento diferente no cotidiano de treinos e provas. Então, uma breve análise:

Pontos positivos
  • motiva a cumprir a distância contratada, pois vai necessitar comprovação.
  • também motiva a não enrolar o treino, para “sair bonito na foto”.
  • baixo custo, brindes muito bacanas e mais uma medalha para a coleção.
  • pelo menos desta empresa, 99Run, só posso elogiar a organização e eficiência do processo.

Pontos negativos
  • nada substitui uma corrida de verdade, onde encontra-se colegas, corre-se com outros atletas, enfrenta-se o que der e vier de clima e temperatura.
  • talvez o corredor mais exigente considere um gasto desnecessário para o que pode ser considerado somente um “treino”, mas vai de cada um.
  • deve-se considerar o prazo de comprovação e a distância, pois muitas vezes o corredor não tem o tempo durante uma semana normal de trabalho para cumprir um trajeto extenso.

Sugestão
  • oferecer um sugestão de kit com camiseta, tendência dos provas atuais.


Como disse acima, missão cumprida, mais um tipo de evento experimentado e muito satisfeito com o resultado (não tanto do meu tempo, mas sabe como é, corredor nunca está feliz com seus números...)

domingo, 3 de março de 2019

Subindo a montanha, no Circuito Cantareira


Treinar para prova de asfalto é fácil, qualquer rua ou calçada resolve, agora quero ver você se preparar para uma prova em terreno selvagem... e é o que este aqui está tentando fazer neste começo de ano, onde a primeira dificuldade não foi o terreno propriamente dito, mas as possibilidades existentes. Depois de ter feito coisas que não são consideradas “normais” pela maioria dos corredores, como Ironman e Comrades, resolvi que precisava de desafios mais elaborados, e a escolha foi ter um pouco mais de contato com a natureza, seja em trilhas ou praias. Mas para quem mora em São Paulo, capital, isto não é lá muito fácil, pela inexistência de litoral na cidade e pelas poucas opções de corrida em ambientes ao ar livre. Montanhas ao nosso redor não faltam, mas ficar se metendo nelas sem acompanhamento pode não ser uma ideia muito boa. Viajar é ótimo, para correr melhor ainda, mas exige tempo e gastos.

A opção que encontrei então foi uma espécie de prova, na verdade um treino, parte do Circuito Cantareira, mas com camiseta, medalha e até premiação na cidade de Mairiporã, distante pouco mais de 50 Km da capital. E para mim, que em 5 minutos já estou na estrada partindo da Zona Norte de São Paulo, tornou a inscrição ainda mais atrativa. Completando o quadro, a retirada de kit era tão perto de casa que dava para ir andando. O 4º Treinão de Férias apresentava as seguintes opções para quem fosse enfiar a cara no mato: 8, 21 ou 45 Km. Sim, pois logo na largada já entrávamos em uma trilha fechada, onde formou-se uma fila única saltando raízes, abaixando a cabeça para não acertar os galhos e seguindo lentamente até onde já se conseguia correr em terra batida.

Mas a alegria durou pouco, logo adiante a fila formou-se de novo e cruzamos um riacho com água na cintura, com auxílio de staff e
bombeiros. Aventura total, com mais raízes e barro adiante. Aliás, se tivesse chovido na véspera, ia ser só lama, mas tivemos sorte em enfrentar um terreno um pouco mais seco no restante do percurso. Como ditam as boas regras de provas na natureza, a maioria estava munida de mochilas de hidratação, de forma a não gerar lixo na forma de copos e garrafas plásticas pelo caminho. Mesmo assim, a organização ainda ofereceu dois pontos de hidratação para o pessoal dos 8 Km e mais alguns para as outras distâncias.

O trajeto propriamente dito era muito bem sinalizado por fitas zebradas penduradas em árvores, cercas, galhos ou qualquer ponto bem visível aos corredores. Nos trechos
de asfalto, setas indicavam o caminho no próprio chão, além do próprio staff posicionado nos trechos mais estratégicos. Pelo menos para quem enfrentou a distância de 8 Km, que foi meu caso, sem nenhuma incidência de problemas, apenas um ou outro corredor que caiu ou passou mal, mas nada que impedisse o bom andamento do evento.

Largada e chegada foram em um restaurante à beira da estrada em Mairiporã, de fácil acesso a todos, e no final uma bela medalha não em latão, mas de material ecológico. Sensacional, primeira incursão em trilhas foi um sucesso total, sem nenhum tombo (eu sou desastrado) e nenhuma lesão, apenas aquela vontade que todo corredor conhece: quando é quem tem outra dessas?

Por fim, no pacote da inscrição o corredor ainda ganhava o direito de baixar as excelentes fotos tiradas pelos fotógrafos do site Sportclick. Tudo isso pelo preço de uma inscrição normal de prova, portanto, de ótimo custo/benefício.



Mais uma incursão por terras desconhecidas... e vai ter mais, em breve novos relatos de provas diferentes.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Inscrição de corrida: relação de consumo?


Talvez o pessoal “das antigas” lembre daquele episódio do Pica-Pau onde o cachorro dizia “Em todos esses anos nessa indústria vital, é a primeira vez que isso me acontece”. A corrida também é uma indústria, de inscrições de provas, vestuário, equipamentos e mais uma porção de tralhas que ninguém sabe nem pra que serve, mas que giram capital do mesmo jeito. Apesar de não trabalhar nesta “indústria”, sou consumidor de tudo isso, afinal calculo que menos de 10% das 265 provas que fiz até hoje foram cortesia ou gratuitas, o resto foi pago (e às vezes, muito bem pago).

Só que minha suada - e nos tempos atuais é bom também dizer honesta - renda não é capim, portanto, eu não gosto quando empresa e comércio tentam me passar a perna e lesar os meus direitos como consumidor. O ponto onde vou chegar, é um fato ocorrido entre o final do ano passado e o início deste, que envolveu a organização de uma prova que foi remarcada, oferecida aos participantes que não pudessem estar na nova data o reembolso das inscrições e até mesmo a opção de participar da etapa de 2019. Bacana, né? Só que eu precisei partir pra cima do site de inscrições e exigir que tal o reembolso fosse realizado, primeiro subindo o tom da conversa e depois registrando uma reclamação em um site apropriado. Quase chegou ao ponto de procurar os órgãos de defesa do consumidor, mas, voltando à frase do desenho animado, em 13 anos de corridas de rua, esta seria a primeira vez que isso seria necessário.

Uma das provas que mais gosto na distância dos 21 Km é a Meia Maratona de Santo André, uma prova dura, com altimetria forte e percurso nada fácil. Se não já não bastasse, da Zona Norte de São Paulo até Santo André são quase 30 Km de deslocamento, na véspera para retirar o kit e no dia da corrida, mas mesmo assim eu tento encaixar a prova no calendário. Em 2018, sabe-se lá por qual motivo, a corrida que costumava acontecer em abril, mês de aniversário da cidade, ficou para o fim do ano, no dia 02/12. O verão chegou e com ele fortes chuvas na semana anterior à prova, que causaram muitos problemas nas cidades do ABC paulista, quando optou-se por adiar o evento para o dia 16/12. Achei a atitude prudente e louvável, a segurança dos participantes em primeiro lugar, porém a organização noticiou que quem não pudesse correr na nova data, receberia o reembolso da inscrição. Este era o meu caso, que tendo pago 2 inscrições de R$ 90,00 cada e com compromisso no dia 15, sem condições de estar no dia seguinte em Santo André, optei pela devolução do valor pago.

Por uma questão de organização, foi informado que somente após 10 dias úteis os valores seriam devolvidos.
Aguardei, entrei em contato com o site de inscrições e não obtive resposta satisfatória. Novo contato, mais informação engessada na resposta. Na terceira vez, muito após os tais 10 dias úteis, já com a paciência no limite, informei que medidas mais severas seriam tomadas. Recebi e-mail informando que a empresa de cartão de crédito estornaria o valor, aguardando apenas mais alguns dias, o que de fato ocorreu. Caso encerrado, reclamação resolvida.

Mas, será que todos os corredores fizeram a mesma coisa, ou tirando a parte de exigir seus direitos, pelo menos pediram que os valores fossem reembolsados, conforme anunciado publicamente? Acredito que não, e é aí que levanto este questionamento: a inscrição em uma corrida de rua é algo geralmente caro, digamos, um valor que a pessoa poderia direcionar para outra finalidade. Portanto, o serviço contratado do fornecedor, ou seja, do organizador, deve ser prestado ou reembolsado. Não vou entrar no mérito de serviços mal prestados, como vemos em alguns eventos de corrida, pois o critério pode ser subjuntivo e precisaria de comprovação de vários corredores para surtir algum efeito legal sobre a organização. Uma vez que a não execução do serviço, entregar o kit, executar a corrida, oferecer segurança aos participantes, etc, não foi cumprida, nada mais justo que reaver os valores pagos. Muitos organizadores colocam em seus regulamentos (sim, eu leio regulamentos de provas!) que não haverá devolução de valores, mas é hora de rever este conceito, pois o corredor está contratando um serviço, e a lei garante que ele deve ser executado como está no contrato... neste caso, no regulamento!

Para finalizar e defender meu ponto de vista, gostaria de compartilhar uma situação que já vivi várias vezes e acredito que outros corredores também. De vez em quando alguém me diz “Mas por que você paga inscrição de prova? A rua é pública, não tem que cobrar!”. Eu, na minha curta paciência, explico que a rua é administrada pelas prefeituras, departamentos de trânsito, e muitos outros serviços, que somente através de alvará liberam o espaço público para a
execução do evento esportivo. Trocando em miúdos, este alvará é beeeeem caro, portanto, os corredores estão rateando o valor para poderem participar das corridas. Nada mais justo, também, que o organizador tenha seu lucro, pois são um CNPJ e merecem ser remunerados pelos serviços prestados.

De qualquer forma, fico muito chateado de ter chegado neste ponto de conflito com um site de inscrições e mesmo com um organizador de provas. Pretendo continuar consumindo os serviços dos dois, entre tantos outros, mas que espero que sem maiores atritos daqui para a frente.

E o leitor, o que acha da relação corrida x consumo e os valores atuais? Utilize os comentários abaixo para deixar sua opinião.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Esse foi 2018: 10 anos de blog, Comrades, provas tradicionais e corridas diferentes...


Nem precisa se preocupar, não vai ser mais uma daquelas “retrospectivas” de fim de ano, mas vale a pena lembrar o que marcou a vida deste blog e do blogueiro na linha de chegada de hoje.

Para começar, este blog completou recentemente 10 anos de existência, com sua primeira postagem em 18 de Novembro de 2008. Como o Facebook não existia da forma como utilizamos atualmente, os blogs de corridas de rua estavam em alta, muitos corredores postavam suas corridas, dicas, levantavam questões e até se conheciam pessoalmente! Grandes amigos saíram destes textos para a vida real, mesmo com as postagens nas redes sociais serem em maior volume e muitas vezes se perdendo em meio à tanto conteúdo. Resolvi não migrar tudo para o Facebook, mas a página do blog na plataforma aponta para cada uma das postagens, levando o conteúdo para quem quiser seguir o texto todo.

A primeira postagem...
Bobinha, né? Mas tinha que começar de algum jeito!
E teve a Comrades, é claro, cruzar o Oceano Atlântico até a África do Sul para correr.... 90 Km! Lembrar que um dia eu coloquei a dúvida para mim mesmo se terminaria uma prova de 6 Km, e depois de 12 anos correndo partir para uma loucura dessas, realmente tem “um oceano” de bons e maus momentos no asfalto. Se eu volto no próximo ano? Infelizmente não, dado o fato de ter outros compromissos, mais a logística (e grana!) para um viagem dessas, minha participação está registrada. Para não ser repetitivo, há uma sequênciade postagens sobre a prova, e ficarei muito feliz em responder qualquer pergunta que o leitor possa ter sobre o evento, o qual recomendo totalmente.

são mais de 12 horas em movimento, levantar às 03:30 horas da manhã
até chegar no hotel às 20:00 horas, mas vale cada momento!
A insistência em fazer as provas locais é tão grande que nem produzi muitas postagens sobre o assunto, pois o blog já tem material suficiente sobre edições anteriores. Continuo gostando muito tanto da Meia quanto da Maratona Internacional de São Paulo, além da SP City Marathon e corridas menores como Sargento Gonzaguinha, Maratona de Revezamento Pão de Açucar, Olga Kos e Circuito da Cidadania. Esta última, porém, mesmo que tenha continuação, não participarei mais, dado um problema com a inscrição que quase me levou a ir para o evento no dia de bobeira. A cada ano seleciono as provas tradicionais que vou, sempre alternando para poder medir o quanto melhoram ou pioram, exceto a Gonzaguinha, que participo anualmente como fechamento do meu calendário.

Porém foi na participação em provas novas e com menor estrutura que percebi o quanto os organizadores se esforçam para realizar um bom evento para os corredores. Maratona Nilson Lima em Uberlândia (esta apenas 15 dias após a Maratona de São Paulo, como treino para a Comrades), Corrida Barão de Jundiahy nas dependências de uma base do Exército Brasileiro e as MeiaMaratonas Caminhos do Mar e de Alphaville (os 21 Km mais pesados que já fiz!) foram surpresas agradáveis que valeram os deslocamentos até as cidades onde aconteciam.

E por fim, nenhuma lesão grave, nenhum susto, e os quase 1.500 Km de treino no primeiro semestre no treinamento da Comrades fizeram um ano sensacional para o meu calendário, digno dos 10 anos de existência do blog!

Novidades vem aí, não só nas provas, mas até nas postagens, que vou retomar com mais frequência (pronto, faltava um promessa de Ano Novo...)

Sem mais enrolação, ano que que vem tem mais, Feliz 2019!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Belas, diferentes, nada fáceis: duas provas de 21K imperdíveis!

Cansado de correr sempre na Av. 23 de Maio, ou na região do Pacaembu ou lá no extremo da Marginal Pinheiros? Se você é de São Paulo capital e imediações deve estar com a mesma sensação que eu, às vezes repetir provas ou circuitos que só trocam o nome começa a transformar as competições monótonas e caras. Então, sem precisar se deslocar muito para fora da cidade, vamos a duas meias maratonas que não são para qualquer um, dada sua dificuldade de altimetria, mas que valem a pena como desafios alternativos.

Pontos positivos, ambas são do mesmo organizador, a Caminhos do Mar, com estrutura simples e eficiente, além de preços acessíveis. E finalmente um organizador que tem o respeito pelo corredor e permite retirar o kit no dia da prova!

Pontos (mais ou menos) negativos, são próximas no calendário, o que pode ser um pouco desgastante devido ao percurso que exige bastante dos corredores. E ambas com camisetas quase iguais, excelentes, mas muito parecidas.

Atenção, gastos extras a considerar em cada evento:
- Ingresso para o Parque Estadual da Serra do Mar (R$ 32,00)
- Pedágio na Rodovia Castelo Branco, Praça Barueri (R$ 4,20)
* valores com base na data de publicação desta postagem


Meia Maratona Estrada Velha, 
tudo que desce, sobe...


A prova que dá nome ao organizador é uma das mais incríveis e difíceis que o corredor irá enfrentar nos percursos de 10, 15 ou 21 Km, pois basicamente metade será descida e a outra metade o percurso de retorno, ou seja, subida. Mas o visual desta incrível corrida por dentro do Parque Estadual da Serra do Mar irá levar o
corredor pela estrada velha que liga a via Anchieta até Cubatão, uma viagem no tempo, onde fazer este tipo de doideira por simples diversão seria considerado insano. A descida exigirá muito das pernas do corredor, dada a inclinação da pista, ficando plano somente no trecho onde os atletas passam pelas instalações da Petrobrás em Cubatão com retorno pouco além do pórtico de entrada da cidade. E aí, o que era descida vai virar subida pelo mesmo caminho, onde a maioria irá caminhar em muitos trechos para vencer o aclive.



Uma prova diferente e com visual incrível, que mesmo com chuva durante quase todo o trajeto não tirou a beleza da região. Ver a baixada santista lá do alto, passar ao lado das imensas estruturas da companhia petrolífera como dutos, reservatórios e toda sua complexidade, além da beleza natural deste pequeno pedaço da Mata Atlântica que ainda sobrevive em meio ao crescimento desordenado da região Sudeste, torna o evento mais especial ainda, sem preocupação de terminar com tempos ou recordes.


Como diz o slogam da prova: desafio de prova de montanha, com o conforto e segurança de uma prova de rua, em meio a natureza exuberante!

Meia Maratona de Alphaville,
se não está descendo, está subindo...

Imagine a seguinte situação: após passar o tapete de largada, nada mais será plano. Novamente, 10, 15 ou 21 Km serão ida e volta, então o alívio da descida agora será o martírio da subida na volta, e vice-versa. Em um comparativo com a prova anterior, considero esta
mais dura, pois o sobe e desce exige bastante da musculatura, especialmente na alternância do movimento. Descer tudo e depois subir, por incrível que pareça, pode até ser mais fácil.

Logo após a largada, em frente à uma faculdade na cidade de Barueri, o corredor tem à sua frente colinas e mais colinas nos arredores, passando por bairros planejados e de condomínios fechados, além de muitos trechos de vias somente com a vegetação ao redor. Mais uma prova com estilo que garante o contato da natureza sem precisar sair do asfalto, mas que exige bastante treino de altimetria.

dados do Strava
Quem está acostumado só com a esteira ou com os parques mais planos, melhor pensar duas vezes antes de enfrentar as pirambeiras desta competição. Mas o esforço vale a pena, apesar dos dias seguintes “de molho” para recuperar a musculatura. E de novo, chuva fina em alguns pontos, abafado em outros, como no caso da Caminhos do Mar.


Na primeira nem dava para pensar em melhorar tempo devido à altimetria brusca da subida, mas na segunda, após passar pelo ponto de retorno de metade do percurso com um tempo muito além do meu normal, resolvi brincar de “split negativo” e tentar fazer a segunda metade em menor tempo que a primeira. E consegui, mesmo que seja por alguns segundos apenas.

Vale a pena considerar estas provas para seu próximo calendário, além de outras bem interessantes do organizador Caminhos do Mar.

(só para lembrar: não é post patrocinado, o organizador não me deu inscrições nem desconto, merece os elogios pela qualidade dos eventos... se tivesse que descer a lenha, eu descia, mas só posso exaltar as duas corridas!)

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Corrida Barão de Jundiahy, do quartel para as ruas

Faltando apenas uma semana para as eleições presidenciais de 2018, entre as inúmeras baboseiras divulgadas pela imprensa e outras mídias, muito se falou do “medo” dos militares. Mas para os corredores que estavam dispostos a enfrentar 5 ou 10 Km no último dia 21 de Outubro, o clima era de alegria e respeito pelo contingente do 12º G.A.C. – Grupo de Artilharia de Campanha em Jundiaí, SP, que abriu as portas para receber os atletas em um percurso duro, no melhor estilo militar.

A Corrida Barão de Jundiahy é organizada pela PROEESP, conhecido organizador de provas no interior de São Paulo, com um calendário bem interessante para quem gosta de sair um pouco da capital paulista para correr. A curta distância até Jundiaí poderia ser feita de carro no próprio dia da corrida, mas fica o conselho de passar o final de semana na agradável cidade ou nos seus belos arredores, apesar do kit poder ser retirado antes da largada. Na opção de retirada na véspera, a entrega ocorreu de forma bem organizada na loja do patrocinador principal, uma empresa de congelados da região. Foram dadas 2 opções de kits para o participante, um mais simples
(e mais em conta, obviamente) e outro com uma camiseta, viseira e sacola camufladas, para que o atleta entrasse no clima das forças armadas.

Ocorreram 2 situações confusas antes da prova, mas nenhuma delas por culpa do organizador. A primeira diz respeito aos sites de inscrição, que mantiveram disponíveis o registro e pagamento até muito próximo do dia do evento, gerando problemas para o organizador na confecção dos números de peito e até mesmo na divisão de kits. Agindo de boa-fé com os corredores, o organizador confirmava verbalmente se o kit escolhido havia sido o simples ou especial, porém nem todos os participantes retribuíram com a mesma honestidade, o que levou a faltar kits especiais. Apesar de não ter sido o meu caso, que recebi
corretamente, conversei com uma pessoa da organização que informou que os corredores receberiam os itens faltantes pelo correio. Outro problema foi o desencontro “nacional” do início do horário de verão, levando alguns (eu inclusive) a chegar uma hora mais cedo do que o necessário na área de largada da prova.

E então, no horário ajustado em apenas 15 minutos (mais a uma hora do tal horário de verão fajuto), teve início a prova com tiro de canhão para os participantes dos 5 Km e após alguns minutos com tiros de fuzil para os corredores dos 10 Km.


Largada dentro do complexo militar, passando pelas áreas internas e entrando em uma dura, dura mesmo, estrada forrada de cascalho por pelo menos 1,5 Km. Em seguida, os corredores saiam para uma avenida em Jundiaí, onde percorreriam mais uns 3 Km e fariam o percurso de volta... novamente pela estrada de cascalho, agora com subidas. 


Tudo muito bem sinalizado e organizado, com a
emocionante chegada no portal cercado por 2 obuseiros (canhões)
da guarnição. Boa dispersão e medalha muito bonita, inclusive com um imã para que possa ser pendurada até em geladeira! E o organizador teve o bom senso de avisar aos participantes que não pendurassem no pescoço caso utilizassem marca-passo...

Mais uma vez, fica o incentivo de sair do circuito normal de corridas na cidade e prestigiar estes eventos no interior. Provas mais simples, mas não por isso menos organizadas e divertidas de participar!