quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ironman 70.3 – da corrida à linha de chegada!

Agora só falta uma meia maratona...

Passado o stress da etapa de ciclismo, é hora de ir para a T2 e trocar capacete por boné, tirar manguitos e luvas, soltar o velcro da sapatilha e calçar o tênis. Corrida, finalmente! Só que o corpo ainda estava no balanço dos 90 Km de pedal e colocar velocidade nas passadas foi bem difícil. Olhei no relógio, ainda p.. da vida com o tempo alto da última etapa e apontei na direção do início do trecho de corrida, sabia que tinha ainda 3 horas para completar o percurso, tempo de sobra. Alguns poucos atletas ainda estavam chegando e trocando seus equipamentos e eu já ia para a primeira volta de 10,5 Km, ou seja, uma meia maratona pela frente, na mesma estrada com vento e algumas subidas de onde acabei de sair.

Quando me acostumei novamente a “pisar no chão” comecei em ritmo leve, mas após alguns quilômetros percebi que estava indo a 7 min/Km, ou seja, mais ou menos o meu ritmo na distância de 21 Km. Fui neste “trote” até o Km 7, mas resolvi pegar leve e andar em alguns trechos. A última coisa que precisava era de uma câimbra ou algo pior que forçasse a caminhada mais lenta. Mesmo quando reduzia o ritmo,
procurava caminhar forte para não desaquecer. Para completar, aquela dor no pé que me acompanha desde a Maratona de São Bernardo continuava me aporrinhando.

O vento continuava incomodando, a ponto de ver as gotas de água de um copo do corredor à frente simplesmente voarem num ângulo de 90 graus, mas o efeito na corrida não é tão desagradável quanto na bicicleta. Até mesmo ajudou a resfriar o corpo no forte sol das 3 da tarde, porém continuava jogando areia para todos os lados. Hidratação e alimentação eram um verdadeiro “comes e bebes”, com frutas, água, Gatorade, Pepsi e sabe-se mais o que lá me ofereceram. O staff, sempre animado, oferecia de tudo e incentivava os corredores.

Conforme os mais rápidos terminavam, os mais lentos como eu ficavam solitários na estrada, mas então o Ironman transforma-se em um esporte coletivo: como o percurso é um vai-e-vem, os corredores e corredoras se cruzavam ou se ultrapassavam despejando palavras de incentivo uns aos outros. “Vai garoto!”, “Falta pouco!”, “Você já é um campeão!” e coisas do tipo. Este espírito de equipe foi algo único, duvido que o pessoal lá da outra ponta já experimentou isto alguma vez.

E então, chega o último retorno, eu já havia feito as contas e terminaria ainda com uma folga de uns 15 minutos. Não fui para fazer tempo, queria a todo custo completar a prova dentro do tempo limite. Passei pela última rampa que dava acesso do estacionamento para a área do pórtico e para conter a emoção recitei o poeta Osbourne:

Heavy boots of lead
Fills his victims full of dread
Running as fast as they can
Iron man lives again!
Lembrando...

Há 07:45:57 atrás eu iniciei uma intensa atividade física, percorrendo 113 Km nadando no mar, pedalando e correndo em estrada. Contra qualquer possibilidade e contrariando o que muita gente pensa de mim, eu concluí uma das provas de triathlon mais duras que existem, cujas distâncias são o dobro da modalidade olímpica.

Não precisa bater palmas, não fiz nada além do que me propus a fazer.

Dicas do meu treinador

Como eu não tenho treinador, as dicas são minhas mesmo:
- Treine
- Seja organizado

Organize seus treinos. Treine sua organização. O resto é consequência.

Organização da prova

A palavra “perfeita” é pouco para descrever a organização da Latin Sports. Se para o atleta a logística da prova é uma operação de guerra, para eles é pelo menos 800 vezes pior. Mas deram conta do recado, um profissionalismo que eu nunca havia visto em nenhum outro evento, sempre auxiliando e dando informações precisas na maior cordialidade.

E as fotos...

Algumas são minhas, algumas da Márcia e algumas eu comprei no Foco Radical.

Só pra se exibir?

Não fiz isto tudo com este intuito. Muita gente dá grandes festas de aniversário, especialmente quando completa 40 anos de idade, e como eu não costumo comemorar o meu, peguei o dinheiro há alguns meses atrás e dei uma “festa” para mim mesmo, estraçalhando o corpo! E espero com estes textos ter incentivado outros a perseguirem seus objetivos, sejam eles quais forem.

The End

Ao passar pela linha de chegada, você é envolto em uma toalha com o símbolo da prova, seu primeiro presente de Homem de Ferro. Camiseta de finisher e medalha vem na sequência, e o peso desta é muito maior do que as outras, pois ela carrega todas as dores e suor de todos os meses de preparação, noites mal dormidas por ansiedade e incertezas, não apenas daquele dia sensacional.

E aí vai ela, ocupando lugar de destaque na coleção:


IronMen, IronWomen, dizer que vocês estão de parabéns é pouco. Foi uma honra para mim estar ao lado de tanta gente insana e dedicada, que de livre e espontânea vontade enfrenta um desafio como este.

Completei meu Ironman 70.3 ou Meio-Ironman. ..


Ah, peraí, “meio”? Não sou de fazer as coisas pela metade!

...To be continued...someday...

12 comentários:

  1. Sensacional, Rinaldo! A saga e a maneira brilhante como você a descreveu. Parabéns por ambas. Que venham sempre novas conquistas, em uma, duas ou três modalidades.

    Abraços!

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    1. Valeu Namiuti! E muito obrigado por também narrar suas aventuras e nos incentivar a realizar estas peripécias!

      Abraço e bons treinos!

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  2. Esse é meu vizinho , o shopping abriu uma vaga forçada , seu curriculo apos esta prova dispensa testes ,é so colocar o capacete, alias vai correr o trofeu independencia né se reclamar da subida da Nazaré eu vou te tirar da prova.
    Vc me causou a maior inveja sadia,estou orgulho do seu feito !! aposto que treinou na linha leste oeste estação sé as 17:30.

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    1. Putz, nem me lembra da subida da Nazaré, já estou com preguiça... Ainda bem que são "só" 10 km. O mundo ficou menor, não sei porque...

      Ah, e eu treinei na Ciclovia da Marginal Pinheiros (mais fedorento, porém mais chique!)

      Abraço e a gente se vê nas próximas corridas!

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  3. cara, muito incentivador essa sua saga, me inspira a buscar novos desafios, parabéns. Quanto a subida da Nazaré nem me fale, corri hj a corrida da independência e eu quase deixei meu pulmão ali,rs,cansativo, mas consegui completar o percurso. Aguardo agora seu post sobre o troféu independência! abraço.

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    1. Valeu Rafael! Espero inspirar mais gente, fazer estas maluquices é bom demais.

      Acho que você deixou seu pulmão não por falta de treino ou das subidas, o ar da cidade está péssimo e quem mais sofre somos nós que praticamos esportes ao ar livre.

      Bons treinos e a gente se vê nas próximas!

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  4. Meus parabéns, Xará.
    Show de garra e organização!!!!!!!!!!
    Feito que o acompanhará sempre em lembranças boas!!!!!

    Um grande abraço do Claudio Dundes

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    1. Valeu Dundes!

      Com certeza é para lembrar para sempre... e quem sabe repetir algum dia!

      Abraço!

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  5. Ahh que legal!! Fico impressionada com essas competições Ironman!! Eu sonho em um dia pelo menos uma vez, tentar fazer uma prova dessas...e pode me transforman uma "iron woman" rsrsrs

    Parabéns pela coragem e força de vontade!!

    Sucesso!!

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    1. Olá Pri,

      É assim que começou, com o sonho de cruzar a linha de chegada. O resto é dedicação e planejamento.

      Abraço e bons treinos!

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  6. Parabéns!!! tb fiz essa prova, foi minha estréia e seu relato diz tudo!! ano que vem pretendo voltar! abraços

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    1. Ronaldo, como eu disse no post, foi uma honra estar entre vocês naquela prova. Parabéns pela sua participação também e quem sabe nas próximas a gente não se vê (só não garanto que vai ser a de 2013).

      Grande abraço!

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