segunda-feira, 19 de março de 2012

Travessia Guarapiranga: levando a maratona para a água

É hora de mudar o nome deste blog: vamos chamá-lo de “Número de Braço” ao invés de “Número de Peito”, pelo menos até o final deste post. O motivo da mudança radical é o fato deste ex-sedentário ter trocado no último domingo o tênis pela touca, os óculos de sol pelos de natação em águas abertas e a camiseta pelo traje de banho. Resumindo, fui enfrentar os 2 Km de braçadas nas geladas águas na Travessia Guarapiranga, evento que está em sua quinta edição e pela estupenda organização terá vida longa e cada vez mais adeptos.

A competição já estava no meu calendário há alguns meses, então nas últimas semanas eu aproveitava qualquer brecha na minha tumultuada agenda profissional (já que eu não vivo de esporte) para poder ir para a piscina treinar o máximo de resistência. Dado o pouco tempo para os treinos, culminou com 1.500 metros quase ininterruptos na última quinta-feira, ou seja, eu ainda não havia chegado ao patamar de distância da prova. Acordei no dia do evento com aquela sensação “por que eu faço estas coisas com meu corpo?”, mas fui assim mesmo.

O evento estava marcado para as 10:30, mas para não perder o hábito de corredor, madruguei no Clube da Eletropaulo, local que sediava o evento e que fica às margens da Represa de Guarapiranga, na Zona Sul de São Paulo. Gravaram meu número no braço com aquelas canetas de projetor e entregaram um kit muito bom, com touca e camiseta de poliamida e a informação de que a prova não teria chips de cronometragem, apesar de constar no regulamento. Tudo bem, não tinha intenção de grandes marcas e estava com meu cronômetro. Outro fato que achei muito interessante e que merece os parabéns para a organização foi colocar no regulamento a necessidade dos atletas levarem 2 litros de óleo de cozinha para serem reciclados, diminuindo o impacto ambiental quando estes produtos são descartados diretamente na rede de esgotos das cidades. Em troca, atletas e moradores da região que também participaram desta reciclagem ganhavam um litro zerinho de óleo Liza, uma boa sacada do patrocinador.

Explica pra mim: por que não temos mais ações como esta nas provas?

Voltando à água, a frente fria que entrou de sola na cabeça do paulistano na última quinta-feira esfriou bastante a represa, mas eu já esperava não ter a mesma temperatura da piscina. Eu estava com a roupa de neoprene à postos, mas devido à experiência de “arrasto” no Simulado de Triathlon, tentei evitar desta vez, usando apenas um traje de natação tipo um maiô masculino, daqueles que o Phelps usa (se cuida que eu te alcanço!). Teve gente que estranhou a temperatura aquática e nem saiu do lugar após a largada, mas eu fiz uma aclimatação boa, ficando um pouco na água só para baixar a temperatura do corpo e depois nadando para aquecer, o que deu uma confiança danada no início da prova. Aconselho este método a todos os que se aventuram neste tipo de competição.

Dada a largada, saí pelo meio das centenas de outros atletas e até estava em um ritmo bom. Errei um pouco em não prestar a devida atenção às boias de marcação e devo ter nadado uns 100 metros a mais no total da prova, completando os então 2.000 metros em 51:38, tempo razoável para um novato neste esporte. E que esporte democrático: atletas mirins, na faixa dos 10 anos de idade, outros com mais de 70, adolescentes, magricelos e tios e tias que possuíam quase duas vezes o meu diâmetro de cintura. E todos lá, sem medir uns aos outros, simplesmente fazendo sua parte na prova e dando o melhor do seu desempenho.


Outro ponto que deve ser elogiado é a segurança do evento. Enquanto nadava, não teve uma única vez que não havia um bombeiro em jet ski ou barco por perto, sem contar os caiaques da organização. Também acompanhando o evento, policiais civis e militares. E quanto custou tudo isto? Um preço mais do que justo pela inscrição de uma prova: R$ 45,00.

Quando terminei e fui em direção à recepção da medalha e mesa de frutas, uma surpresa muito grata, que nas anteriores 130 provas de corrida e afins não havia presenciado: a organização não “entregava” e sim “colocava” a medalha em cada participante, gesto que pode parecer bobo, mas a sensação de ser “coroado” como um verdadeiro heroi olímpico é muito legal, devíamos cobrar isto dos organizadores, ao invés de receber de uma pessoa com uma luva cirúrgica que quase arranca o chip da sua mão.

Mais uma vez, uma dica para os leitores e amigos que acompanham este blog: busquem este tipo de desafio de vez em quando, é muito legal trocar a corrida uma vez ou outra por outras modalidades, você volta para as passadas com outra cabeça (e outros músculos...).

Bom, agora são duas “corridinhas” de 5 Km nas próximas semanas e a minha primeira meia maratona de 2012.

É hora de voltar para o asfalto...

P.S.: você vai perceber duas mudanças no blog desde o último post... 1) agora é necessário ter uma identidade para deixar seu comentário, evitando pessoas que não tem coragem de se identificar e 2) vou responder todos os comentários aqui, é minha forma de demonstrar que leio tudo que é escrito e que a opinião do leitor é parte da postagem.



16 comentários:

  1. Uau !!
    Eu só ando "andando" mesmo, mas seu blog é um incentivo e tanto...

    Bjus 1000

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    1. Fico feliz em incentivar os demais, este tipo de doideira é muito bom de vez em quando.

      Abraço!

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  2. Quero cpf na nota kkk, parabens Rinaldo , eu concordo em variar o esporte , quando há uma corrida chata , pedale, nade e assim por diante... Abraços

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    1. Nem dá para dizer que tinha corrida chata no dia, aconteceram vários eventos em São Paulo na mesma data, mas eu queria mesmo variar.

      Grande abraço!

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  3. Olá!!!
    Parabéns nadador,acho legal praticar todos tipos de esporte,eu mesma quero começar a usar bike hehehhehe Vamos correr!!!!
    bons treinos

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    1. Bike é ótimo também para variar, só não vale usar rodinhas... Abraço!

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  4. E aí, a água estava gelada mesmo? Rsrsrs. Eu não sei nadar! Kkkk. Da próxima, me avisa ue eu vou é de torcida! Rsrsrs. Boas braçadas! Obrigada pela visita ao blog!

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    1. Eu não digo "gelada", acho que "fria" é mais apropriado. A gente se vê nas corridas!

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  5. Bacana esta prova Rinaldo.
    Parabéns a você e ao organizador que me parece, mandou super bem.
    Grande abraço a boa sorte nas suas próximas competições.


    tutta/BALEIAS/PR
    www.correndocorridas.blogspot.com

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    1. Valeu Tutta! É bom quando a prova termina e a primeira coisa que vem à cabeça é "quando é próxima?"

      Abraço!

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  6. Ola, muito boma seu post.
    Eu ao contrario de voce, participo de maratonas aquaticas fazem 4 anos, e essa foi a primeira vez q enfrentei a guarapiranga, achei excelente a organização da prova, mas não é sempre assim nas outras organizações que promovem essas travessias aqauticas, normalmente, as laragadas atrasam e muito, eu que nado as provas mais longas dos circuitos, quando termino a prova, não tem nem frutas nem agua mais para os atletas.
    Fico feliz de ver pessoas aderindo a natação.
    Faz 1 ano que participo das corridas de rua, eu sinceramente acho a organização da corrida muito melhor q das travessias, a largada é no horario, tem apoio durante a prova... mas como vc disse, na entrega do chip é uma "guerra" mesmo...

    Parabens pela conclusão da travessia guarapiranga.

    Abraços.

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  7. Olá Cássia,

    Obrigado pela passada aqui no blog e pelo seu comentário acrescentando a sua experiência ao relato. Quem sabe com o crescimento destas provas a organização fique um pouco melhor, mas se estiver no padrão desta prova já está de bom tamanho.

    Boa sorte nas corridas e na natação!

    Abraço!

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  8. Boa matéria sobre esta travessia. Interessante ler sua visão, já pra mim sou ao contrário. Nadadora que agora participa de corridas de rua. Mas sempre gostei de correr, embora só tenha enfrentado o asfalto uma vez há uns 20 anos atrás. Hoje gosto muito dos desafios. Vou continuar lendo seus escritos.

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    1. Seja bem vinda ao blog! Por mais que digam que o tal cross training é bom para não forçar o músculos, eu acho bem divertido mudar as modalidades. Assim não corremos o risco de cair na monotonia.

      Bons treinos!

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  9. Gostei muito da matéria sobre esta travessia e da experiência (com os detalhes). Comigo aconteceu ao contrário, embora sempre gostasse de correr, mas só ter participado em uma prova no asfalto há uns 20 anos atrás. Hoje gosto dos desafios, mas só faz 9 meses e 11 corridas (começando com 5 e depois passando para 10 km). Vou continuar lendo seu blog.

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