quinta-feira, 11 de abril de 2013

Corrida Bote Fé na Vida: a essência da bagunça

Sou da opinião de quando uma pessoa ou empresa se propõe a fazer alguma coisa, deve tentar fazer o melhor, especialmente na fase de planejamento. Com as corridas de rua não poderia ser diferente, e o que presenciei neste último domingo na Corrida Bote Fé na Vida / Circuito de Corridas da Prefeitura – Etapa Sé foi uma demonstração clara de como não organizar um evento deste porte.

Tudo começa pelo nome da prova: afinal, qual das duas corridas estava acontecendo? Na verdade as inscrições eram para a primeira, promovida pela Arquidiocese de São Paulo, porém o Circuito Popular da Prefeitura sempre inicia pela etapa Centro, então resolveram “juntar” os dois eventos. Começa a bagunça: ninguém sabia se devia se inscrever em uma ou outra, ou se eram eventos separados. A confusão culminou com a divulgação da lista de inscritos, 3 dias antes da prova e que não continha o nome de todo mundo que havia conseguido fazer a inscrição com sucesso. Eu fui uma destas vítimas.

Já irritado com o fato, fui avisado via Facebook que no sábado havia sido divulgada a lista “final”, onde o problema de quem não estava inscrito havia sido corrigido. E lá estava o nome do tonto aqui, que resolveu trocar seu treino de rodagem do domingo por uma prova de 5 Km. Eis um claro exemplo de como não treinar: mudar o planejamento. Lá fui eu de Metrô até a estação Sé, onde desembarquei em um formigueiro humano para retirar o kit da prova.

Um verdadeiro caos, barracas com letras das iniciais dos corredores e caminhantes, filas amontoadas e que se cruzavam, um espaço apertado para todos e ainda numa área da Praça da Sé perfumada com cheiro de urina das espécies humanas locais. Foram 30 minutos até chegar a minha vez, que aconteceu 5 minutos após o horário previsto de largada, 07:30. Para minha surpresa, o nome não estava na lista, sendo que eu deveria pegar outra fila monstruosa pois estava na “lista dos que não estavam na lista”. Sacou? Eu não.

Mais uns 15 minutos e chegou minha vez de novo, desta vez localizaram o nome e entregaram número de peito, camiseta da Arquidiocese tamanho M (era o que tinha no momento) e nada de chip. Começou então o coro de duas gritarias: “Pessoal, acabaram as camisetas” e “Vai largar! Vai largar!”. Soquei o que não precisava na mochial e fui para a fila do guarda-volumes.

Peraí, outra fila insana? Pois é. E lá estavam corredores e caminhantes largando no estreito pórtico. Dane-se a mochila, rápida troca de utensílios e soquei tudo dentro, saindo para correr com a danada nas costas. Se fosse ultramaratonista estaria acostumado, mas era a primeira vez que percorria uma distância de prova com um bagageiro.

O percurso até que foi bem legal, passando pelas principais ruas e calçadões do centro da cidade, sendo que caminhantes naturalmente não esperaram a sua vez e largaram pelo meio dos corredores. Fui no meu passo (com a âncora nas costas) e ao passar pelo pórtico no final, mais filas, para pegar o Gatorade e uma gigantesca para retirar a medalha e o kit. Mais 30 minutos vendo a falta de educação de muitos que cortavam os demais e furavam as filas, sem contar alguns bate-boca entre o pessoal mais exaltado.

Sem controle algum na retirada, por sorte peguei o lado da barraca que era para camisetas masculinas, senão ganharia uma baby look (sem piadinhas, este é um blog sério). Outra regra dizia que caminhantes não teriam medalha e camiseta (sou contra, eles merecem da mesma forma), mas na ausência de controle, é bem provável que tenham faltado kits ao final. O único ponto realmente positivo da prova é a medalha, que até é bonitinha.

O que mais me espanta é o fato de ter gente no Facebook que disse que a prova foi "show". Show do quê? Só se for show de bagunça, pois o que deu a entender é que o evento não comportava o público de duas corridas, e mesmo assim aconteceu. Gratuita ou não, uma prova deve dar ao participante o mínimo de estrutura, e nesta com certeza, não teve nenhuma.

10 comentários:

  1. Ô losco Brasil.
    Sério que essa prova não foi na europa Rinaldo?
    Não acredito que o país sede da Copa 2014 e Olimpíada 2016 consiga promover um evento com tantos problemas. Será que não foi um pesadelo?

    Agora sério. Só posso parabenizá-lo por ter conseguido a sua medalha, no mais, lamentar que ainda somos conduzidos por quem não está nem aí para o povo.

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    1. Pra todo mundo ver, 2 eventos de porte internacional em breve e não conseguem organizar uma prova de 5K! Parecia realmente um pesadelo, depois de tantas corridas passar este stress todo não parecia normal.

      Abraço!

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  2. Barbaridade... Aí não! Corrida baratinha, bom; gratuita, melhor ainda. Mas uma cotinha básica de competência e dignidade é indispensável. De qualquer forma, parabéns pela participação. Correr com paraquedas nas costas não é mole não!

    Abraço!

    Fábio Namiuti
    http://fabionamiuti.blogspot.com

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    1. Batalhamos tanto para estas provas gratuitas e com preço acessível, mas não pode ser assim. Quem sabe sirva de lição para as próximas.

      Abraço e bons treinos!

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    1. Pois é, o mais lamentável foi ter trocado a rodagem por uma corridinha de 5K.

      Bons treinos!

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  4. Grande Rinaldo(no bom sentido), blz?

    Participei dessa prova e passei por tudo isso. Sorte sua é que não precisou pegar a fila do guarda-volume no final da prova. Foi um caos pior ainda.

    Uma pessoa que deixou um post no meu blog lembrou ainda do cimento fresco, quase no final do trajeto.

    Vamos ver como vai ser a Corrida Contra o Preconceito. Espero que seja melhor organizada.

    Abraços

    Adilson

    minhamedalha.blogspot.com

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    1. Olha que no meio de tanta confusão eu havia até esquecido do cimento na R. XV de Novembro! Já imaginava o caos do guarda-volumes, como disse, o jeito foi levar a tralha junto.

      Boa sorte na Corrida Contra o Preconceito, espero que seja mais bem organizada.

      Abraço!

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  5. Talvez a corrida mais desorganizada que já participei! Tb corri com minha sacola nas costas e o maior medo dela arrebentar e fazer o celular, carteira, documentos ficarem pelo caminho.
    Os pontos positivos foram o circuito bem legal, medalha e camiseta bonitinhas.
    Mas, tudo isso era de se esperar, por trás de tudo tinha uma tal de IDEEIA organizando (vulgo Yescomm).

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    1. Apesar de eu estar com a mochila e ter fechado o zíper, também fiquei com medo de deixar alguma coisa pelo caminho.

      E concordo, o percurso foi ótimo (inclusive passa na porta de uma certa empresa onde trabalhei com você!)

      Abraço e a gente se vê nas próximas!

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