sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O complicado Triathlon Internacional de Santos, parte 2

Dando prosseguimento à primeira parte, para quem leu ou não, sugiro revisar os 3 pontos iniciais que expus no outro texto. E daí continuamos com a saga...

Após alguns momentos de apreensão os ânimos se exaltaram entre os participantes, que queriam parar a prova (tipo fazer um “rolezinho” na área de chegada!), mas ficou decidido que as últimas baterias largariam da praia em direção a T1 no formato de corrida na areia e cumpririam o restante do percurso. Em pé há quase 1 hora e apertados pelas roupas de borracha, os homens não tiveram outra ideia a não ser tirar os trajes de neoprene e “desaguar” no oceano, pois não tem bexiga que aguente tanta pressão (física e psicológica). Estouro de boiada após a corneta e corremos para a T1 com as roupas de neoprene enroladas, meio ridículo, mas não tem jeito.

Neste ponto fiquei sabendo, através de uma reportagem, que a organização sabe-se lá por qual motivo segurou o pelotão feminino
que já estava posicionado em suas bikes no final da área de montagem (no triathlon o atleta precisa empurrar a bicicleta até este ponto, é proibido pedalar na transição). Algumas, desanimadas com mais um erro, optaram por desistir da prova. Liberadas para largar, formou-se um grande pelotão, ou seja, muito vácuo entre as participantes. Este é outro ponto que os organizadores destas provas abominam e punem, o vácuo, que favorece o atleta que pedala atrás com menos resistência do ar. Sem contar, é claro, o risco de alguém na frente do pelotão ir para o chão e levar o grupo junto.

A chuva começou novamente, e foram 40 Km entre garoa fina e chuva um pouco mais forte, a maior parte na estrada, rezando para evitar o contato direto com eventuais poças de óleo, o que é um convite para o desastre a bordo de uma bicicleta com pneus finos. Sem saber se a organização, depois de tantos problemas, ainda seria rígida com os tempos de corte, apertei o que dava e mesmo com chuva e vento contrário em alguns pontos, fechei o percurso em 01:19:26 pelo meu relógio. Vem aí a T2, troca da sapatilha pelo tênis, do capacete pela viseira e martelar o asfalto em mais 10 Km planos pela avenida da praia. Com pernas duras após o pedal, fechei em 59:08, pasmem, o mesmo ritmo da última prova de 10 Km com sol e muitas subidas e descidas! É mesmo?

Talvez não. Assim como meu ciclocomputador marcava pouco mais de 38 Km ao voltar para a T2, penso que o percurso de corrida também tinha diferença da medida proposta. Estava sem meu GPS, porém outros atletas reclamaram e parece que realmente havia uma diferença na marcação. Posso apenas comentar, não tenho como confirmar pela falta do aparelho (que também erra feio de vez em quando).


Linda e gigantesca medalha e uma segunda camiseta. Hora de ir embora e refletir sobre o assunto. Eis a minha humilde conclusão:

A favor: sim, a organização fez bem em não deixar os atletas enfrentarem a arrebentação do mar da forma como estava, o risco de problemas era grande e a quantidade de bombeiros não previa um desastre em massa. Quanto à crítica de alguns sobre bike na chuva, se está com medo ou não tem prática de pilotar nesta condição cada um deve tomar sua própria decisão, que foi o que aconteceu.

Contra: sim, a organização poderia ter suspendido todas as largadas e transformado em um duathlon logo de cara, evitando assim tempos finais que não refletiam o esforço de cada atleta dentro do grupo. Nadar no mar cansa e muito, e um grande contingente de atletas não passou por esta etapa.


Não vou entrar no mérito de outras questões, sei que muitos ainda estão chateados e respeito o fato de que o triatleta, mesmo amador, treina duro e investe muito neste esporte. Não poder colocar em prática o que construiu ao longo dos treinos é realmente frustrante.

Foi uma pena, uma prova que tinha tudo para dar certo, mas um pequeno erro gerou todo o stress. Mesmo assim acho que voltaria, acredito que as condições deste ano foram surpresa para a organização e que as lições foram aprendidas, especialmente no que se refere a tomar decisões.

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